sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Eleições 2020 - A Onda Conservadora na Era Digital




Eleições 2020 – A Onda Conservadora na era Digital

"A produção de conteúdo deve ser alterada,
DE UM PARA MUITOS para DE UM,
COM VÁRIOS TONS E LINGUAGENS,
PARA MUITOS, DE FORMA SEGMENTADA."
Marcelo Vitorino

Em outubro de 2020, vamos eleger o novo prefeito e os integrantes da Câmara Municipal em uma campanha muito diferente das que tivemos no passado. Os partidos e candidatos a vereador serão desafiados a formular suas estratégias e planejar suas campanhas em outros moldes. Com o fim das coligações, haverá menos partidos nas disputas e, consequentemente, menos candidatos e mais eleitores indecisos. O grande desafio será motivar o eleitor a ir às urnas, principalmente se o nível da campanha cair em insultos e grosserias. Lembro que o índice de abstenção/nulos/brancos tem aumentado consideravelmente.

Uma onda conservadora elegeu políticos em todo Brasil nos últimos pleitos. Douglas foi eleito em 2016 com base em três pilares: seu forte posicionamento como vereador de oposição; a avaliação negativa de Fattori, abalada pelas enchentes e pela demora na reconstrução das pontes; na onda conservadora reforçada pelo prestigio do ex-prefeito Fumach, atual vice. Em 2018, essa mesma onda elegera João Dória para o governo de São Paulo e Jair Bolsonaro para a Presidência da República.

Essa onda tende a continuar forte, com as redes sociais como principais ferramentas de comunicação política. Foram amplamente utilizadas na eleição de 2016, mas com doses de amadorismo e de experimentalismo. Em 2018 a equipe de Bolsonaro demonstrou domínio dessa tecnologia, considerada crucial para sua vitória. Erra, porém, quem pensa que bastam uma Fanpage  e um perfil no Instagram, com milhares de seguidores, para ter êxito na campanha. A eleição de 2020 será disputadíssima, principalmente para a Câmara Municipal. Os partidos e os candidatos precisam se estruturar, com uma equipe de comunicação profissional e especializada em marketing político e em mídia digital.

Hoje, novos termos e siglas precisam ser incorporados ao dicionário dos candidatos: brand persona, persona, alcance, engajamento, envolvimento, alcance orgânico, copywritting, CPC, CPL, CPM, CRM, SEO, lead, dark post, edge ranking, crowdfunding, storytelling e mais uma infinidade deles. Conforme as novas regras eleitorais definidas pela reforma política, a presença digital de um candidato é permitida em qualquer tempo, sendo vedado apenas o pedido de voto antes do período eleitoral. Quem tem mandato, sai na frente. Quem não tem, precisa se posicionar, produzir e divulgar conteúdos e dominar as ferramentas da internet. Os sites e as páginas das redes sociais dos candidatos têm de interagir, informar, entreter o eleitor, transmitir credibilidade e autenticidade e, assim, construir o posicionamento de imagem deles. Da mesma forma, eles não podem se esquecer de que, em eleição, voto é o que cai na urna. Curtidas, compartilhamentos, comentários, emojis não são sinônimos de votos.

No mundo da internet, a transparência é fundamental. Raros são os esqueletos preservados no armário durante uma campanha eleitoral e, por isso, o gerenciamento de crises será o trabalho mais pesado para candidatos e partidos. Os que já têm mandato precisam sair da zona de conforto e se posicionar publicamente sobre temas polêmicos. A velha máxima do “quanto menos posicionamento político, melhor o resultado eleitoral” já não existe mais. A internet é impiedosa com políticos sem posições claras e que omitem fatos de sua vida política e privada. O eleitor pode ainda ter memória curta, mas a internet não, e o lembrará de fatos passados.O candidato tem de mapear todos os seus pontos negativos e fraquezas, listar as possíveis respostas e trabalhar com previsões profissionais.

Considero dois pontos positivos da eleição na era digital: a segmentação e o impulsionamento de publicações. O primeiro permite ter a visualização do eleitor além do padrão IBGE: gênero, idade, religião, nível de educação, região, classe social. Hoje, temos e podemos saber mais sobre o eleitor, quem ele é, quais as suas e expectativas e anseios para a comunidade, se ele se preocupa com as causas sociais, meio ambiente, educação e saúde. Também podemos saber quais são os públicos com maior afinidade com as propostas do candidato. Com estas informações, surge a necessidade de uma nova forma de comunicação política, capaz de despertar a atenção e municiar com bons conteúdos cada segmento do eleitorado. Aqui entra o impulsionamento com a entrega de conteúdo específico para cada um de seus públicos. 

Resumindo: A comunicação deixou de ser de massa e passa a ser segmentada; na internet, o usuário escolhe aquilo que deseja ver, ler, assistir, entreter e polemizar; o universo digital exige respostas mais rápidas e a necessidade de conversar mais com o eleitor; redes sociais é uma plataforma de pessoas, que consomem conteúdos e com um grande potencial para gerar o boca a boca. Positivo ou negativo, ou seja, consagra ou destrói a sua candidatura.

Artigo publicado no Jornal de Itatiba, Coluna Opiniões, em 07/09/2019



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