sábado, 15 de setembro de 2018

A história da Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba




Gostaria de acrescentar informações históricas sobre a recente notícia veiculada no Jornal de Itatiba na devolução do prédio da Universidade São Francisco à municipalidade.
O projeto de criação e instalação da Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba foi realizado durante a última gestão do prefeito Erasmo Chrispim, entre 1966 e 1969. Contou com total apoio técnico e político do então vereador Roberto Arantes Lanhoso que, quando assumiu a Prefeitura (1969-1973), fez um trabalho incansável pelo reconhecimento da faculdade pelo Ministério da Educação.
         O projeto de lei de criação da Faculdade de Engenharia de Itatiba foi aprovado pela Câmara Municipal de Itatiba em duas sessões extraordinárias, ambas realizadas em 9 de junho de 1967. A lei previa "firmar convênio com o I.E.S.R.B. (Instituto do Ensino Superior da Região Bragantina), com a finalidade precípua de ser instalada uma faculdade de Engenharia, com as modalidades de mecânica, têxtil, operacional e outras, nesta cidade, nos moldes educacionais mais avançados". A lei ainda previa a abertura de um crédito especial no valor de NCr$ 1.000.000,00 (um bilhão de cruzeiros velhos) para as despesas com a instalação da faculdade.
Em 15 de junho de 1967, o prefeito Erasmo Chrispim promulgou a Lei 845, oficializando a criação da F.E.I. Já no dia 22 de junho, a Prefeitura declarou de utilidade pública para fins de desapropriação, por meio do decreto 176/67, o prédio e os terrenos nos quais seria instalada a Faculdade. No mesmo terreno, pertencente à família Ulhano, funcionara por longo período um curtume.
Essa atitude, porém, em vez de criar expectativas positivas e alegria, teve efeito contrário. Foi alvo de pronunciamento do proprietário do imóvel no jornal "A Tribuna", em 25 de junho, e houve repercussão na Câmara de Vereadores, que tentou revogar o decreto, conforme publicação no mesmo jornal em 19 de julho de 1967.  Cinco vereadores opositores ao projeto tentavam a todo custo dificultar a instalação da faculdade nas antigas dependências do curtume
         Em contrapartida, a população jovem e estudantil da cidade se mobilizou e partiu para a luta. Com manifestações públicas e pressão sobre os vereadores, os estudantes conseguiram reverter a situação e posicionaram-se ao lado do prefeito. Em 23 de julho de 1967, foi publicado na imprensa local um “Manifesto ao Povo”, liderado pela Associação Estudantil Itatibense.
         Apesar de todo burburinho e das tentativas de orientar a opinião pública contra a instalação da FEI no local destinado, prevaleceram as determinações do prefeito Erasmo Chrispim. Depois de algum tempo de sua instalação, a Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba passou a ser comandada por um novo grupo empresarial, até ser absorvida pelas Faculdades Franciscanas. Funcionou no mesmo prédio e passou por várias transformações, oferecendo também cursos de outras áreas. Como Campus de Itatiba da Universidade São Francisco, no mesmo local cedido em comodato pela Prefeitura de Itatiba, funcionou até as enchentes de 2016, quando o prédio foi duramente atingido.

Logo depois de Erasmo Chrispim deixar a Prefeitura, em 1969, seus adversários políticos iniciaram um movimento para desvincular seu nome da Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba. Com esse movimento, pretendiam tirar sua “paternidade” da instalação da Faculdade. Na inauguração da instituição, uma placa comemorativa foi instalada na entrada do estabelecimento, com o nome de Erasmo Chrispim. Durante uma noite, a placa foi removida e roubada, ficando desaparecida por algum tempo. Passados alguns meses a mesma placa foi deixada defronte o Paço Municipal, envolta em papel higiênico. Em ato nobre, a placa foi recolocada no seu devido lugar, com o reconhecimento público da obra de Erasmo Chrispim.
        
Em seus 17 anos como prefeito, Erasmo Chrispim deixou um enorme legado à educação em Itatiba. Quando assumiu pela primeira vez a Prefeitura, na década de 1930, a única escola da cidade era o Coronel Julio César, no centro. Ao longo dos seus cinco mandatos, construiu sete instituições de ensino na área urbana: Escola Municipal de Ensino Básico “Coronel Francisco Rodrigues Barbosa”, Escola Técnica Estadual “Rosa Perrone Scavone” (antiga Escola Artesanal e Ginásio Industrial Estadual), Escola Municipal de Ensino Básico “Coronel Manoel Joaquim de Araújo Campos”, Escola Estadual “Manoel Euclides de Brito” (antigo Cenemeb – Colégio e Escola Normal Manoel Euclides de Brito), Escola Técnica Comercial, Escola Normal Municipal e, ainda, a escola municipal da Vila Cruzeiro.
Construiu ainda escolas em seis bairros rurais: Cocais, Tapera Grande, Mombuca, Ponte, Pires e Morro Azul. Outra obra meritória de Erasmo Chrispim na área da educação foi a total reorganização da Biblioteca Municipal Francisco da Silveira Leme – “Chico Leme”, nos baixos do Paço Municipal.

Quanto à faculdade, temos de reconhecer categoricamente que, nestes quase 50 anos, fez uma enorme diferença para o progresso de nossa cidade e de suas famílias. A Faculdade garantiu melhores oportunidades de emprego e estudo a muitos jovens itatibenses, ofereceu bolsas de estudo aos seus funcionários e, por um período, aos seus filhos. A instituição aqueceu a economia local, com vinda de estudantes de outras cidades que, em muitos casos, constituíram famílias e construíram suas vidas nesta cidade.
 Hoje, o Campus de Itatiba da Universidade São Francisco oferece 12 cursos de nível superior e outros de pós-graduação, mestrado e doutorado. Prepara cerca de 3500 estudantes e emprega quase 300 trabalhadores entre funcionários e professores. Trata-se de um patrimônio da cidade e razão de imenso orgulho para seus cidadãos, originado na proposta e no empenho de Erasmo Chrispim de oferecer ensino superior aos jovens itatibenses e de formar profissionais para Itatiba, sua região e, atualmente, para o mundo.

artigo publicado no Jornal de Itatiba - Diário
Coluna Opiniões - 16/09/2018 

        


2 comentários:

  1. Parabéns Fabião, muito bem relatado, exprime fielmente a epóca e os fatos.
    Eu estava presente neste ato e sou um dos que aparece na foto.
    Reconheço alguns, filha do Toninho Cosenza, Nigoba, Gilli, Tadeu, Zé Fernando, ....

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  2. Obrigado..vc deveria também contar um pouco desta história...
    Forte abraço

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