quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Nem o Google explica a Nova Era




Outubro de alguns anos atrás . Eleições numa pequena e típica cidade do interior paulista que, como quase todas, tem suas peculiaridades e seu dicionário próprio. Os eleitores, cansados dos antigos mandatários, queriam mudanças políticas e administrativas.

Elegeram um novo prefeito, apadrinhado de um antigo e prestigiado ex-prefeito. Euforia total. Agora a cidade iria entrar nos trilhos! Nas redes sociais, ferviam elogios ao novo e jovem alcaide. Sem coronéis, excetuando o padrinho. Era o início de uma Nova Era “para reconstruirmos nossa cidade”, como a administração mencionou no seu primeiro carnê de IPTU.

Após o descanso merecido pós-eleitoral, o jovem prefeito iniciou a transição e a composição do futuro secretariado. Tudo feito com muita democracia, participação popular, transparência e critérios. Os nomes de vários secretários foram definidos, previamente, pela alta cúpula estadual do partido. Soldados fiéis, de pronto aceitaram e, após consultarem o Google Maps, encontraram a nova terra prometida.

Os novos secretários foram apresentados na cerimônia do beija-mão. Evento concorridíssimo. O responsável pelo cerimonial, um dos funcionários mais antigos da municipalidade, fazia três perguntas logo na entrada: o nome, gente de quem e o cargo. Anotava num pequeno cartão para ser anunciado na apresentação. Após cada fala, sempre ovacionada com vivas e aplausos, todos prometeram fidelidade ao novo prefeito e ao seu projeto de uma Nova Era de poder.

 Aberta a palavra ao assessor responsável pela transição, nativo da terra, este fez algumas recomendações para os secretários de três áreas: trânsito, obras públicas e segurança:

 - Senhores, precisamos de atitudes que demonstrem ao povo que nossa cidade vai mudar.  Uma Nova Era se inicia neste momento! Para tanto, é preciso algumas ações rápidas e precisas! Essas ações irão mostrar o dinamismo de nosso prefeito e de nossa administração.  Vou dar três exemplos do que podemos fazer: o trânsito na cidade parece piada de português. Principalmente nas ligações do Cubatão com o Curintinha e do IAPI ao Coroado e o cruzamento da Vila da Prata. Mas não se esqueçam do Pito Aceso e do Sapo!  Acertem o trânsito nesses pontos que vamos começar com uma imagem positiva perante a opinião pública.

O preposto a novo diretor do trânsito de pronto retrucou:

- Vou estudar com carinho, mas o sapo é com o Meio Ambiente!

O assessor nativo continuou:

- Para obras, Bentinho, nosso assessor responsável pela rádio peão, teria “ouvido falar qualquer coisa” no Jardim da Cadeia que, desde que a época em que Pinhá pediu, ainda não limparam o Rego do Xofe. Quando chove, a vizinhança da Dita Maranhão fica em perereco. Com esta obra bem feita, vamos mostrar a eficiência do nosso serviço público. E, para finalizar, a segurança: tem muito ligeira na Rodoviária. Tirando os ligeiras da cidade, vamos mostrar que estamos empenhados e preocupados com a segurança da cidade.

O Google novamente foi acionado: Cubatão, IAPI, Coroado, Vila da Prata, Jardim da Cadeia, ligeiras, rego de quem?  "Do que, diabos, ele está falando?, indagou o secretário de planejamento ao colega ao lado. "Deve ter endoidado ou tomado umas."

Terminada a reunião, o cerimonial anunciou o churrasco de confraternização e entregou a todos os  convites. Por economia, deveriam trazer as suas bebidas.

- A vasca estará repleta de gelo, avisou o chefe do cerimonial. No local vão encontrar uma ampla área de lazer com boléu para as crianças brincarem, um belo calipá para caminhadas  e um rapadão. Portanto, todos devem trazer no sapicuá a bicanca para uma pelada. No calipá, já foi passado um bom detefom para matar os carrapatás e a pioiada. O convescote será realizado num aprazível sitio de fácil acesso no Bairro dos Tontos, perto da Ponte Nova.

Dos secretários "estrangeiros", nenhum compareceu. Não acharam o local no Google Maps e ficaram com vergonha de perguntar aonde era o bairro. Outros ficaram mais receosos ainda com  a vasca, o sapicuá,  a bicanca e o carrapatá. O boléu, então, foi decisivo:

- Quem em sã consciência deixaria uma criança brincar em um boléu!, exclamou veementemente um dos secretários

 Não iriam correr riscos e passar vergonha, alegaram compromissos “anteriormente” assumidos por suas esposas. Tomaram posse, mas continuaram sem entender nada da cidade. O salário, porém, o compensava.

* Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança nomes, pessoas, fatos, acontecimentos ou fatos da vida real terá sido mera coincidência.

**Em caso de dúvidas, acesse o Glossário no próximo post 

Artigo publicado no Jornal de Itatiba, Coluna Opiniões em 14/10/2018


Glossário do artigo Nem o Google Explica a Nova Era




Glossário por ordem de apresentação no texto

Beija Mão: Tradição da monarquia portuguesa de reverência a personalidades eminentes.

Gente de quem: Pergunta frequente que a comerciante Maria Abraão fazia aos seus fregueses. Geralmente a pergunta era direcionada aos filhos de seus fregueses que, com a mercadoria na mão, pediam para marcar na caderneta mensal (fiado).

Cubatão: região da Rua Prudente de Moraes

Curintinha. Faz parte da vila Cristo Redentor

I. A.P. I: Antiga vila operária no bairro das Brotas.

Coroado e Vila da Prata: respectivamente Núcleo Residencial Afonso Zupardo  e Núcleo Residencial Carlos Borella. Estes dois bairros receberam estes apelidos devido à novela "Irmãos Coragem" veiculada na Rede Globo, no inicio da década de 1970.

Pito Aceso: região da Av. 29 de abril

Sapo: Bairro localizado entre as avenidas Independência e Lacerda Franco e Rua Aristides Lobo

Radio Peão: Nome informal dado a uma rede de rumores dentro da política. Responsável pelas propagações de fofocas ou notícias falsas. Hoje o fake news.

Jardim da Cadeia. Praça José Bonifácio

Pinhá. Apelido do ex-vereador Benedito Campos Pupo. Homem humilde  e operário da Industria Têxtil Pabreu, Dito Pinhá  com a sua simplicidade conquistava a todos. Foi eleito vereador  em Itatiba em três mandatos ( 1956-1960, 1963 – 1968 e 1969 -1972). Nestes períodos os vereadores não eram remunerados.

Rego do Xofe. O Córrego do Cioffi percorre praticamente toda a Rua Campos Sales. Nasce nas proximidades da rua professor Brito e deságua no Ribeirão Jacaré, próximo a Universidade São Francisco. Hoje, segundo a ONG Jappa, um dos córregos mais poluídos de Itatiba.

Dita Maranhão  Benedita de Oliveira. Cozinheira, líder da comunidade, religiosa e carnavalesca. Residia na Campos Sales com Piza a Almeida.  Organizava festas religiosas como a de São Benedito no largo do Rosário e as de São Pedro, São João e Santo Antonio onde hoje é o Clube Sete de Setembro.  

Perereco: quando dá tudo errado, nada funciona.

Ligeira: andarilhos, moradores de rua.

Vasca: Tanque de lavar roupa

Boléu: balanço para crianças, geralmente feito com uma placa de madeira ou pneu, amarrado com cordas em uma arvore.

Calipá: Plantação de Eucaliptos

Rapadão: Campinho de futebol, geralmente sem grama.

Sapícua: mochila, bolsa.

Bicanca: chuteira

Carrapatá: local cheio de carrapatos

Pioiada: Local cheio de piolhos

Bairro dos Tontos. Local onde hoje está instalado o  Auto Posto Três Irmãos, na Rodovia D. Pedro I.



sábado, 29 de setembro de 2018

Seis itatibenses foram eleitos deputados e senadores desde o final do Império


Seis itatibenses foram eleitos deputados e senadores desde o final do Império

Desde a época do Império, tivemos seis itatibenses com mandato eletivo no parlamento, como deputados federais, estaduais e senadores. Alguns deles natos. Outros adotaram Itatiba como sua terra e aqui criaram laços afetivos e profissionais. O primeiro parlamentar eleito foi o médico Gabriel de Toledo Piza e Almeida, um republicano convicto que  participou da Convenção de Itu.

Piza e Almeida era médico formado nos Estados Unidos, proprietário ruralempresário e  embaixador do Brasil em Berlim e Paris. Elegeu-se deputado provincial em São Paulo por três mandatos, entre 1882 e 1887, no reinado de Dom Pedro II.

Depois da proclamação da Republica, em 15 de novembro de 1889, o Brasil viveu cinco períodos republicanos, dos quais em quatro Itatiba teve representantes. A exceção foi no Estado Novo, quando o Congresso foi fechado.

  Na Primeira Republica (1889-1830), Antonio de Lacerda Franco foi senador estadual. Naquela época, o parlamento do Estado também era bicameral. Enéas Cesar Ferreira foi deputado estadual. Ambos eram do PRP, o Partido Republicano Paulista . Até 1926, todos os deputados itatibenses pertenceram ao PRP e suas dissidências, Conservador ou Liberal. Lacerda Franco e Ferreira perderam os seus mandatos com a Revolução de 1930, que trouxe Getúlio Vargas ao poder.

 Na Segunda República (1930-1937), o engenheiro itatibense Ranulfo da Mata Pinheiro de Lima foi eleito deputado federal Constituinte em 1932, como representante dos profissionais liberais. Pinheiro de Lima era um deputado classista, uma categoria parlamentar que assegurava a representação dos trabalhadores sindicalizados no parlamento. Em outubro de 1934, foi eleita uma Assembleia Constituinte Estadual com 60 deputados.

A Terceira Republica (1937-1945) teve inicio em 10 de novembro de 1937. Foi quando Getulio Vargas deu um golpe para instituir o Estado Novo, determinou o fechamento do Congresso Nacional e promulgou a Constituição de 1937.  A Carta Magna lhe conferiu o controle total do Poder Executivo e também lhe permitiu nomear interventores para os Estados, aos quais deu ampla autonomia para a tomada de decisões.

Com a renúncia de Vargas, em outubro de 1945, iniciou-se a Quarta República brasileira (1945-1964) e o processo de redemocratização do país. Houve eleições em dezembro para presidente, governadores e para a Constituinte. Mais de uma dezena de partidos novos e velhos passaram a funcionar, formando seus diretórios nas capitais e no interior. Entre estes partidos destacavam-se a UDN (União Democrática Nacional), o PSD (Partido Social Democrático), o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o PTN (Partido Trabalhista Nacional) e ao PCB (Partido Comunista do Brasil).

Em 1950, surge na política itatibense o industrial Paulo Abreu, eleito deputado federal. Quatro anos depois, Abreu torna-se suplente de senador na chapa de Auro de Moura Andrade. Elege-se como deputado federal por mais dois mandatos, em 1966 e 1970. Na década de 1950, mais dois itatibenses se candidatam: em 1954, Luiz Emanuel Bianchi lançou-se para a Câmara dos Deputados pelo PST (Partido Social Trabalhista) e, em 1958, Roberto Arantes Lanhoso disputou uma vaga de deputado estadual. Nenhum dos dois foi eleito.


A Quinta Republica (1964-1985) surgiu com o golpe militar deflagrado em 31 de março de 1964 para depor o então presidente João Goulart. Nesse período, houve profundas modificações na organização política do país. Pelo Ato Institucional nº 2, de 1965, foram destituídos todos os partidos politicos existentes e, entre 1966 e 1979, o Brasil teve apenas dois partidos legais, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), de apoio aos governos militares, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), uma frente de oposição. Outros, como o Partido Comunista Brasileiro (PCB), continuaram a existir, mas na clandestinidade.

No período final do regime militar, o AI-2 foi abolido e formaram-se seis novos partidos. O Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Arena e apoiador do governo militar. Na oposição, o PMDB sucedeu o MDB. Outras legendas criadas ou recriadas foram o Partido Popular (PP), o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido democrático Trabalhista (PDT) e o Partido dos Trabalhadores (PT).  Paulo Abreu, neste período, filiou-se à Arena e conquistou mais dois mandatos como deputado federal, em 1966 e em1970.

Entre a década de 1970 até o final do Século XX, Itatiba teve vários candidatos a deputado estadual. Em 1970, Aloísio Boava (Arena) e, em 1978, José Mauricio de Camargo (MDB) disputaram uma vaga para a Assembleia Legislativa. Na década de 1990, seis itatibenses concorreram para essa Casa: Rubens Pântano Filho (PT), Manoel Roberto Massaretti (PDS), Tutomo Sassaka (PRP), Marina Bredariol Almeida (PPS), doutor Simões (PMDB) e Beto da Loja (PTB).

Somente no inicio do século XXI, Itatiba voltou a ter um representante na Assembleia Legislativa, com Adilson Rossi eleito em 2002. Rossi reelegeu-se por mais dois mandatos, em 2010 e 2014. Até hoje, mais 10 itatibenses disputaram eleições para o  Congresso Nacional e a Assembleia Legislativa, alguns deles mais de uma vez.  Tivemos também a candidatura do professor Antonio Carbonari Neto a suplente de senador na chapa de Romeu Tuma (PTB), em 2010. Mas neste longo período pós 1964, somente Paulo Abreu, por duas vezes, e Adilson Rossi, por três vezes, se elegeram deputados, ambos com uma grande base eleitoral.

Fabio Chrispim Marin
Consultor de Marketing Político, membro da Academia Itatibense de Letras e da Associação Pró Memória de Itatiba.
Artigo publicado no Jornal de Itatiba Diário em 07/10/2018. Coluna Opiniões

sábado, 15 de setembro de 2018

A história da Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba




Gostaria de acrescentar informações históricas sobre a recente notícia veiculada no Jornal de Itatiba na devolução do prédio da Universidade São Francisco à municipalidade.
O projeto de criação e instalação da Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba foi realizado durante a última gestão do prefeito Erasmo Chrispim, entre 1966 e 1969. Contou com total apoio técnico e político do então vereador Roberto Arantes Lanhoso que, quando assumiu a Prefeitura (1969-1973), fez um trabalho incansável pelo reconhecimento da faculdade pelo Ministério da Educação.
         O projeto de lei de criação da Faculdade de Engenharia de Itatiba foi aprovado pela Câmara Municipal de Itatiba em duas sessões extraordinárias, ambas realizadas em 9 de junho de 1967. A lei previa "firmar convênio com o I.E.S.R.B. (Instituto do Ensino Superior da Região Bragantina), com a finalidade precípua de ser instalada uma faculdade de Engenharia, com as modalidades de mecânica, têxtil, operacional e outras, nesta cidade, nos moldes educacionais mais avançados". A lei ainda previa a abertura de um crédito especial no valor de NCr$ 1.000.000,00 (um bilhão de cruzeiros velhos) para as despesas com a instalação da faculdade.
Em 15 de junho de 1967, o prefeito Erasmo Chrispim promulgou a Lei 845, oficializando a criação da F.E.I. Já no dia 22 de junho, a Prefeitura declarou de utilidade pública para fins de desapropriação, por meio do decreto 176/67, o prédio e os terrenos nos quais seria instalada a Faculdade. No mesmo terreno, pertencente à família Ulhano, funcionara por longo período um curtume.
Essa atitude, porém, em vez de criar expectativas positivas e alegria, teve efeito contrário. Foi alvo de pronunciamento do proprietário do imóvel no jornal "A Tribuna", em 25 de junho, e houve repercussão na Câmara de Vereadores, que tentou revogar o decreto, conforme publicação no mesmo jornal em 19 de julho de 1967.  Cinco vereadores opositores ao projeto tentavam a todo custo dificultar a instalação da faculdade nas antigas dependências do curtume
         Em contrapartida, a população jovem e estudantil da cidade se mobilizou e partiu para a luta. Com manifestações públicas e pressão sobre os vereadores, os estudantes conseguiram reverter a situação e posicionaram-se ao lado do prefeito. Em 23 de julho de 1967, foi publicado na imprensa local um “Manifesto ao Povo”, liderado pela Associação Estudantil Itatibense.
         Apesar de todo burburinho e das tentativas de orientar a opinião pública contra a instalação da FEI no local destinado, prevaleceram as determinações do prefeito Erasmo Chrispim. Depois de algum tempo de sua instalação, a Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba passou a ser comandada por um novo grupo empresarial, até ser absorvida pelas Faculdades Franciscanas. Funcionou no mesmo prédio e passou por várias transformações, oferecendo também cursos de outras áreas. Como Campus de Itatiba da Universidade São Francisco, no mesmo local cedido em comodato pela Prefeitura de Itatiba, funcionou até as enchentes de 2016, quando o prédio foi duramente atingido.

Logo depois de Erasmo Chrispim deixar a Prefeitura, em 1969, seus adversários políticos iniciaram um movimento para desvincular seu nome da Faculdade de Engenharia Industrial de Itatiba. Com esse movimento, pretendiam tirar sua “paternidade” da instalação da Faculdade. Na inauguração da instituição, uma placa comemorativa foi instalada na entrada do estabelecimento, com o nome de Erasmo Chrispim. Durante uma noite, a placa foi removida e roubada, ficando desaparecida por algum tempo. Passados alguns meses a mesma placa foi deixada defronte o Paço Municipal, envolta em papel higiênico. Em ato nobre, a placa foi recolocada no seu devido lugar, com o reconhecimento público da obra de Erasmo Chrispim.
        
Em seus 17 anos como prefeito, Erasmo Chrispim deixou um enorme legado à educação em Itatiba. Quando assumiu pela primeira vez a Prefeitura, na década de 1930, a única escola da cidade era o Coronel Julio César, no centro. Ao longo dos seus cinco mandatos, construiu sete instituições de ensino na área urbana: Escola Municipal de Ensino Básico “Coronel Francisco Rodrigues Barbosa”, Escola Técnica Estadual “Rosa Perrone Scavone” (antiga Escola Artesanal e Ginásio Industrial Estadual), Escola Municipal de Ensino Básico “Coronel Manoel Joaquim de Araújo Campos”, Escola Estadual “Manoel Euclides de Brito” (antigo Cenemeb – Colégio e Escola Normal Manoel Euclides de Brito), Escola Técnica Comercial, Escola Normal Municipal e, ainda, a escola municipal da Vila Cruzeiro.
Construiu ainda escolas em seis bairros rurais: Cocais, Tapera Grande, Mombuca, Ponte, Pires e Morro Azul. Outra obra meritória de Erasmo Chrispim na área da educação foi a total reorganização da Biblioteca Municipal Francisco da Silveira Leme – “Chico Leme”, nos baixos do Paço Municipal.

Quanto à faculdade, temos de reconhecer categoricamente que, nestes quase 50 anos, fez uma enorme diferença para o progresso de nossa cidade e de suas famílias. A Faculdade garantiu melhores oportunidades de emprego e estudo a muitos jovens itatibenses, ofereceu bolsas de estudo aos seus funcionários e, por um período, aos seus filhos. A instituição aqueceu a economia local, com vinda de estudantes de outras cidades que, em muitos casos, constituíram famílias e construíram suas vidas nesta cidade.
 Hoje, o Campus de Itatiba da Universidade São Francisco oferece 12 cursos de nível superior e outros de pós-graduação, mestrado e doutorado. Prepara cerca de 3500 estudantes e emprega quase 300 trabalhadores entre funcionários e professores. Trata-se de um patrimônio da cidade e razão de imenso orgulho para seus cidadãos, originado na proposta e no empenho de Erasmo Chrispim de oferecer ensino superior aos jovens itatibenses e de formar profissionais para Itatiba, sua região e, atualmente, para o mundo.

artigo publicado no Jornal de Itatiba - Diário
Coluna Opiniões - 16/09/2018 

        


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Zona Azul: Antimarketing para o Comércio











A Zona Azul surgiu como a solução para os problemas de estacionamento na área central de Itatiba. Em tese, trouxe facilidade para estacionarmos em frente das lojas da nossa preferência e sem dificuldades para fazer a baliza. Mas o tempo mostrou rapidamente as consequências negativas da Zona Azul para o comércio no centro de Itatiba e no Mercadão.

Não está totalmente claro o benefício oferecido pela Zona Azul e qual a sua relação com a comunidade local. A rigor, cidadão que, para estacionar o seu carro, deposita moedas no parquímetro se torna um cliente do estacionamento rotativo. Ou seja, ele compra o direito de estacionar seu carro em uma suposta vaga e, como  bonificação,  não leva uma multa. Portanto, em minha opinião, há uma relação comercial entre a empresa concessionária  e o condutor do veículo.

No dia-a-dia, a dificuldade enfrentada pelos usuários da Zona Azul é a falta generalizada de moedas. Os parquímetros consomem a maioria delas, e a reposição não é feita na mesma proporção e rapidez. As agentes fiscalizadoras, que representam a concessionária, deveriam ter moedas para trocar para os clientes. Os comerciantes também podem e devem fazer a troca, como gentileza aos consumidores do comércio local.

O segundo problema está no fato de a Zona Azul ser uma ‘draga” para a economia local. Praticamente todo dinheiro arrecadado pela concessionária vai embora, não fica em Itatiba. A Estapar Estacionamentos, que instalou totens com um discurso de ter uma  tecnologia de primeiro mundo, paga os seus custos operacionais, mas todo o seu lucro é enviado para a sua matriz. Esse é um bom assunto para um economista detalhar em um artigo para o JI.

O  terceiro e o maior problema causado pela Zona Azul é o antimarketing para o comércio itatibense. As multas de R$ 127,00 e os cinco pontos na CNH - penalidades para quem se arrisca a não pagar o Zona Azul ou extrapola o tempo de estacionamento - têm causado medo e afugentando o consumidor. Quem precisa fazer compras e já levou alguma multa ou não tem moedas no bolso sempre analisa as opções e, inevitavelmente, traça uma rota de fuga do centro. O consumidor sempre busca a sua conveniência: escolhe o comércio com estacionamento fácil, regiões sem o estacionamento rotativo e, pior ainda, ruma para outras cidades.

Com a fuga dos consumidores, as lojas das ruas centrais perderam o efeito vitrine e a compra por impulso. Itatiba é uma cidade interiorana e ainda preserva como diferencial o relacionamento direto e cordial entre o cliente e o lojista e atendentes. Essa característica proporciona ao consumidor  um pouco de entretenimento, de lazer e até passatempo.

Com a Zona Azul, quando precisa vir ao centro para ir ao banco, fazer uma visita, resolver alguma questão ou comprar em uma loja de sua preferência, o consumidor faz o que tem que fazer apressadamente para não ser multado e vai logo embora. Não toma um cafezinho, um lanche, um sorvete, não dá “dois dedos de prosa” com os conhecidos, não faz um passeio e não vê as vitrines.

Existem propostas para flexibilizar a fiscalização e para conceder uma tolerância de até 15 minutos para quem usar o Zona Azul. Mas tampouco resolverá o problema. Talvez seja ainda pior. Ao sair para as compras, todo mundo terá a sensação de estar perdendo o ônibus. O consumidor continuará a seguir sua lista de tarefas e compras na correria. O comércio, porém, precisa de consumidores com mais tempo e menos estresse.

Hoje em dia não basta satisfazer os clientes. É preciso encantá-los. E para encantá-los, o comerciante tem de estar um passo a frente das expectativas e desejos de sua freguesia. Quando decide o local de sua compra, o consumidor cria uma expectativa em relação ao produto, ao atendimento, aos serviços, aos preços, às condições de pagamento e a todas as facilidades que pretende encontrar. Qualquer ruído nesse processo, a experiência se torna desagradável. O ruído que está tornando negativa a experiência do consumidor e que o afugenta da área central de Itatiba e do Mercadão é a multa da Zona Azul.


Atualmente, o estacionamento rotativo impõe medo ao consumidor: medo da multa, medo de perder pontos e medo ter a sua carteira de habilitação suspensa. Essa sensação gera o antimarketing para o comercio do centro.  E está fazendo com que o centro comercial de Itatiba e o Mercadão percam seus encantos e que, nesses locais, os consumidores tenham reduzido seu prazer de fazer as suas compras e passeios.

Artigo publicado na Coluna Opiniões. Jornal de Itatiba - Diário. 27/11/2016

domingo, 9 de outubro de 2016

Entenda o Quociente Eleitoral. Case Eleições Itatiba - 2016


Divulgado os resultados finais das eleições para vereadores, muitos eleitores devem estar perguntando por que candidatos com menor votação foram eleitos e outros com mais votos não foram.   Esta situação ocorre por causa do sistema eleitoral brasileiro. Os prefeitos, governadores e senadores são eleitos pelo sistema majoritário, no qual o mais votado é o vencedor. Já os vereadores, são eleitos pelo sistema proporcional, onde primeiramente são computados os votos de cada partido ou coligação e, em uma segunda etapa, os de cada candidato.
Portanto, no sistema proporcional, para conhecer os vereadores eleitos, deve-se, antes, saber quais foram os partidos e coligações vitoriosos e quais atingiram o quociente eleitoral depois, dentro de cada agremiação, observar quais são candidatos mais votados. Encontram-se, então, os eleitos. Esse, inclusive, é um dos motivos de se atribuir o mandato ao partido e não ao político.

Para entender o sistema proporcional temos que entender alguns conceitos importantes, como votos válidos, quociente eleitoral, quociente partidário, e cálculos pela média. Vamos por partes
1 – Quociente Eleitoral
É a votação mínima que deverá obter um  partido/coligação para concorrer à distribuição das cadeiras no Legislativo.  Para chegar a ele, divide-se o número de votos válidos (leitores aptos - abstenção - nulos - brancos) pela quantidade de cadeiras na Câmara Municipal (17).  O quociente é o primeiro limitador para os partidos políticos com baixo desempenho, pois a agremiação partidária que não obter uma quantidade de votos igual ou superior ao quociente eleitoral não poderá eleger candidatos para o Legislativo.
 Nesta eleição, os partidos e coligações: Rede, PTN – PSC, PEN – PRB- PHS, PSDC – PSL, PSOL, PT, PRTB- PT do B obtiveram votação inferior ao quociente Eleitoral, logo não participaram da distribuição de vagas.


2 – Votos válidos
2016 - Eleitores aptos a votar         77.171
Abstenção (19,68%)                        -15185
Nulos (7,16%)                                   -4437    
Brancos (5,57%)                                -3453
Votos Válidos             54096  
   
3- Cálculo do Quociente Eleitoral.
O quociente é conhecido dividindo os votos válidos pelo número de cadeiras na Câmara Municipal itatibense.

            Quociente Eleitoral – 54096 / 17 = 3182.
Portanto, a cada 3182 votos o PARTIDO/COLIGAÇÃO tem direito a uma vaga na Câmara.

4– Quociente Partidário
O Quociente Partidário define o número de vagas de cada Partido/Coligação. Para chegar aos nomes dos candidatos eleitos, é preciso dividir a votação obtida por cada partido/ coligação (votos nominais + votos na legenda) pelo quociente eleitoral. Neste caso, despreza-se a fração, qualquer que seja.
            Com  o Quociente Partidário a divisão de vagas ficou assim:

Coligação
Quociente Partidário
Vereadores
DEM – PP –PSB
11305 / 3182 = 3 VAGAS
Flavio Monte (DEM).  Roselvira Passini (DEM) e Hiroshi Bando (PP)

PPS – PMDB – PTC – PROS      
7870 / 3182 =  2 VAGAS
Washington Bortolossi (PPS) e Prof.ª Deborah Oliveira (PPS)

PSDB-PMN
7459 / /3182 = 2 VAGAS
Thomas Capelletto (PSDB) e Cornélio da Farmácia (PSDB)

SD – PTB                                                
5306 / 3182 = 1 VAGA
Romanin (SD)

PR – PPL    
4854 / 3182 = 1 VAGA
Ailton Fumachi (PR)

PDT – PRP – PC do B                            
4537 / 3182 = 1 VAGA
Edvaldo Húngaro (PDT)

PV – PSD -                     
PV – PSD  = 1 VAGA                    
Leila Bedani (PV)


5 – Distribuições das sobras pelo calculo da média
Preenchidas as onze vagas pelo quociente partidário as seis vagas restantes serão completadas por uma nova conta: o calculo da média de votos validos dos partidos / coligação.  O artigo 109 do Código Eleitoral Brasileiro determina que vagas não preenchidas pelos quocientes partidários devem ser ocupadas considerando o desempenho médio dos partidos. O calculo é aplicado a todos partidos / coligações que obtiveram o quociente partidário. Serão feitos cálculos das médias até que sejam preenchidas todas as vagas que ainda estavam abertas. A formula é a seguinte:

·         Divide-se o número de votos obtidos pelo partido / coligação pelo número de vagas obtidas no quociente partidário, somando-se a este mais uma vaga . Quociente partidário / vagas da coligação +1  A coligação que possuir o maior quociente médio é contemplada com a primeira vaga remanescente.
A tabela abaixo explica melhor:






Pelo calculo da média ganharam o direito a mais uma vaga:
 
·         DEM – PP –PSB - José Roberto Feitosa (DEM)
·         PPS – PMDB – PTC – PROS - Serginho (PPS)
·         PSDB –PMN - Sidney Ferreira (PSDB)
·         SD – PTB - Willian Soares (SD)
·         PR – PPL – Fernando Soares (PR)   
·         PDT – PRP – PC do B - Bete Enfermeira (PDT)
Quociente eleitoral, voto em legenda, quociente partidário e calculo pela média parecem ser ilógicos e até injustos, mas esta é a atual legislação que define as regras das eleições legislativas e cabe a todos que participam ativamente das campanhas políticas dominar o assunto e jogar com as regras do jogo.   

Artigo publicado no  Jornal de Itatiba - Diário, Opiniões.  Pag B4. Domingo, 16/10/2016