As eleições municipais de 2028 em Itatiba começaram, na prática, bem antes do calendário oficial. A recente reunião realizada no gabinete do prefeito em exercício, Mauro Delforno — durante o período de férias de Thomás Capeletto — com o ex-prefeito João Fattori (2009–2016) não foi um gesto isolado. Trata-se de um movimento calculado que antecipa o processo sucessório e reposiciona forças no tabuleiro político local antes mesmo da formalização das candidaturas.
O reaparecimento de João Fattori no centro do debate não é casual. Duas vezes prefeito, com votações expressivas, ele entra no cenário de 2028 não como aposta, mas como referência eleitoral consolidada. Seus resultados — 48,93% dos votos válidos em 2008 e 59,30% em 2012 — representam o seu melhor ativo.
A presença de Fattori não apenas adiciona votos à disputa, mas reorganiza campos políticos. Seu legado administrativo e a memória de suas gestões criam uma base inicial sólida, capaz de atrair apoios e induzir movimentos antecipados de apoio à sua candidatura, como o registrado no gabinete do Executivo. Em uma eleição matemática com turno único, esse efeito de reorganização pode ser decisivo.
O desafio, contudo, é menos numérico e mais estratégico. O eleitorado de 2028 está fragmentado, digital e menos tolerante a figuras tradicionais. Para transformar capital político acumulado em votos futuros, Fattori precisará atualizar discurso, narrativa, presença digital e pública, sem perder o principal diferencial que o sustenta: seus resultados e conquistas.
Esse evento no gabinete do prefeito pressiona outros atores que também disputam o legado político de Thomás Capeletto. A secretária de Governo, Jackeline Boava, tenta antecipar a herança simbólica da atual gestão antes mesmo de ser submetida ao teste das urnas. David Bueno, com forte presença digital, já disputou a prefeitura duas vezes, mas sem conseguir romper a barreira dos 17% dos votos válidos. Ele tende a acelerar seus movimentos para se viabilizar como sucessor natural — embora ainda precise resolver pendências jurídicas junto ao TSE, que, até o momento, o mantém inelegível. Outro candidato potencial é o Dr. Parisotto: duas vezes candidato a prefeito, em 2016 e 2020, preservou em ambas as disputas um capital político relevante, com média de 24% dos votos válidos.
No campo oposicionista, o ex-prefeito Douglas Augusto (2017–2020) é pressionado a recalcular alianças e ampliar seu arco político. Eleito em 2016 com 40,62% dos votos válidos e derrotado em 2020 com 36,36%, Douglas mantém um recall eleitoral relevante. Uma eventual consolidação de alianças — especialmente com grupos contrários ou politicamente “descartados” pela atual gestão — pode se tornar decisiva em uma disputa que tende a ser altamente fragmentada.
Enquanto isso, chama atenção o comportamento de políticos que almejam ser indicados como sucessores de Thomás Capeletto ou compor a chapa como vice. A maioria segue passiva: sem discurso, sem posicionamento claro e, sobretudo, sem atitude de candidato à prefeitura. Trata-se de um erro clássico da política eleitoral — quem não ocupa espaço, perde espaço.
A definição do sucessor passará inevitavelmente pelo crivo de Thomás Capeletto, apoiada na frieza dos números das pesquisas. A indicação, porém, não encerra o jogo — ao contrário: quem não for o escolhido pode deixar de ser coadjuvante e se transformar em adversário competitivo. No fim, o nome ungido carrega a força do governo, mas os preteridos tem algo igualmente poderoso: voto, estrutura e disposição para enfrentar quem ficou com a chave do cofre político.
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