Paulo Abreu e Adilson Rossi mostram por que uma candidatura competitiva precisa ir além de Itatiba — em votos, estratégia e objetivos.
Por Fabio Chrispim Marin
Em outubro, Itatiba assistirá novamente a uma cena conhecida: políticos locais lançando-se candidatos. Teremos quatro nomes na disputa: o vereador Igor Húngaro (PDT) e a neófita Marcela Gomes (NOVO) concorrem a deputado estadual; o vereador Cadu (Federação PRD-SD) e a ex-primeira-dama Mayara Oliveira (PSDB), a deputado federal.
Há, porém, um dado que acrescenta outra dimensão a essas candidaturas: os quatro pertencem a grupos políticos que já se articulam de olho na sucessão do prefeito Thomás Capeletto, em 2028.
Isso levanta uma questão fundamental para o eleitor itatibense: qual é o projeto político por trás de cada candidatura? Os candidatos estão efetivamente disputando um mandato? Será que entram no pleito apenas para somar votos à legenda e fortalecer o quociente eleitoral de seus partidos ou federações, ou usam a eleição para ampliar o recall, medir sua força nas urnas e acumular capital político para 2028?
São objetivos distintos, e o eleitor tem o direito de saber a qual deles destina o voto.
Itatiba como base; o Estado, como território eleitoral.
A história eleitoral de Itatiba ajuda a colocar a questão em debate. Desde 1947, a cidade registrou 36 candidaturas locais a deputado. Apenas dois nomes converteram essas disputas em mandatos: Paulo Abreu e Adilson Rossi, ambos eleitos três vezes. Os números revelam um traço comum às campanhas vitoriosas de ambos: a capacidade de ampliar suas bases eleitorais para muito além de Itatiba.
Paulo Abreu venceu as três eleições que disputou para deputado federal. Em 1954, foi eleito suplente do senador Auro Moura Andrade (PTN), tendo assumido o mandato por três meses, em 1959.
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Décadas depois, Adilson Rossi levou essa estratégia ainda mais longe, ao consolidar sua presença política em cerca de 350 municípios paulistas. Rossi venceu três das cinco eleições que disputou para deputado estadual.
Tabela 2 — Desempenho eleitoral de Adilson Rossi nas eleições para deputado estadual: a participação de Itatiba, sua votação total e a expansão da base eleitoral.
Embora pertencessem a épocas, partidos e universos distintos, ambos compreenderam que uma candidatura competitiva exigia alcance estadual. No marketing político, essa capacidade é chamada de capilaridade eleitoral: construir bases em diferentes regiões, formar lideranças, estabelecer redes de apoio e transformar essa presença em votos.
Paulo Abreu contava com projeção empresarial e política, enquanto Adilson Rossi construiu forte presença junto ao eleitorado evangélico da capital, do Vale do Paraíba e da Região Metropolitana de Campinas. Apesar das diferenças de época, perfil e trajetória, eles compartilhavam uma característica em comum: eram evangélicos.
Candidaturas que terminaram na divisa do município.
As candidaturas locais, desde 1947, revelam um padrão predominante: forte concentração de votos em Itatiba e baixa capilaridade eleitoral no restante do estado. Com exceção de Paulo Abreu e Adilson Rossi, nenhuma candidatura local alcançou sequer uma suplência na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.
A análise dos resultados de 2014, 2018 e 2022 evidencia a repetição desse padrão.
Pouco tempo depois, esses mesmos candidatos retornaram às urnas para disputar cargos municipais, capitalizando a visibilidade acumulada nas campanhas para deputado. Suas trajetórias eleitorais ajudam a compreender esse movimento.
David Bueno foi eleito vereador em 2008. Nos anos seguintes, disputou sem sucesso três eleições para deputado (2010, 2014 e 2018) e duas para a Prefeitura de Itatiba (2012 e 2016). Retornou à Câmara Municipal em 2020 e foi reeleito em 2024.
Douglas Augusto Oliveira foi eleito vereador em 2012 e, dois anos depois, concorreu a deputado federal. Na mesma eleição, o ex-prefeito José Roberto Fumach disputou uma vaga de deputado estadual. Em 2016, formaram uma chapa na disputa municipal, com Douglas como candidato a prefeito e Fumach como vice. Eleitos, governaram Itatiba até 2020, quando não conseguiram a reeleição. Em 2022, Douglas concorreu a deputado estadual e, em 2024, voltou a disputar a prefeitura, sendo novamente derrotado.
Thomás Capeletto foi eleito vereador em 2012 e reeleito em 2016. Em 2018, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa e, dois anos depois, foi eleito prefeito de Itatiba, sendo reeleito em 2024.
Leila Bedani foi eleita vereadora em 2012, 2016 e 2020. Em 2022, concorreu ao cargo de deputada estadual e, em 2024, retornou à disputa municipal, conquistando um novo mandato na Câmara.
E se não for eleito?
Uma candidatura a deputado também deveria ser avaliada pelo que pode produzir para a cidade, mesmo sem a conquista do mandato. Qual é a capacidade do candidato e de seu partido de articular verbas, emendas e projetos para Itatiba junto aos governos estadual e federal? Ou a relação dele com o eleitor terminará na noite da apuração?
Há ainda outra questão, especialmente para os candidatos de grupos políticos opostos ao que administra o município: como pretendem representar Itatiba, apesar das divergências políticas?
Em outubro, o eleitor terá novamente a oportunidade de decidir não apenas em quem votar, mas o que pretende construir com o seu voto. Quando o voto é pedido em nome da representatividade de Itatiba, ele precisa ter um propósito que vá além da eleição seguinte: transformar votos em voz, articulação, recursos e resultados concretos para a cidade.
Afinal, representatividade não se mede pelo número de candidatos que a cidade lança, mas pela capacidade de transformar candidaturas em representação efetiva para Itatiba.
Artigo publicado no Jornal de Itatiba em 19/09/2026







