segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O OPORTUNISMO POLÍTICO QUE SE ALIMENTA DA DOR


 

Ninguém chega a um hospital público feliz. Quem passa por aquela porta está ali porque sente dor, medo, tristeza, fragilidade ou angústia. Com mais de 30 anos de trabalho em farmácia, costumo dizer que ninguém entrava na Drogaria Zezinho sorrindo e animado para tomar uma injeção de Benzetacil. Chegavam tensos, frágeis, receosos e temerosos da dor que viria. Nas UPAs e hospitais públicos, o sentimento que antecede o atendimento é esse. O ambiente hospitalar é marcado pela vulnerabilidade, pela dor, medo e ansiedade.  Longe das câmeras e sem roteiro, profissionais atuam com empatia, enfrentam limitações, lidam com urgências e tomam decisões difíceis. Trata-se de uma realidade dura, complexa e que exige respeito.

É nesse cenário que surgem os chamados vereadores tiktokers. Investem no papel de juízes morais, emitem pré-julgamentos, constroem narrativas frágeis e exploram o sofrimento alheio em troca de curtidas e engajamento. Transformam ambientes sensíveis em palcos digitais. O resultado é previsível e grave: espalham insegurança, alimentam a desconfiança da população, enfraquecem instituições públicas e não contribuem em nada para melhorar o serviço. 

O papel do vereador é fiscalizar o Executivo com responsabilidade — acompanhar contratos, cobrar investimentos, avaliar políticas públicas — e não invadir, constranger ou induzir falas para produzir conteúdo emocional. Quando ultrapassam esse limite, o que se apresenta como defesa do cidadão revela-se encenação e oportunismo político, cujo ápice está em declarações imprudentes e perigosas, como afirmar que “as pessoas estão com medo de ir ao hospital ou à UPA”.

Chama atenção, sobretudo, o que não aparece em seus mandatos. Esses vereadores não são vistos com o celular na mão, entrando no gabinete do prefeito para cobrar investimentos estruturais na saúde; nem os vemos pressionando por soluções concretas à demora no agendamento de consultas com especialistas, para acabar com as filas intermináveis de exames e cirurgias ou exigindo o fim da redução do horário de atendimento nas unidades avançadas. Também não há vídeos deles em audiências públicas exigindo a implantação de um centro de saúde especializado para os idosos — uma necessidade real e crescente devido ao acelerado envelhecimento da população brasileira.

Filmar corredores de hospital ou serviços na UPA rende visualizações. Enfrentar o prefeito e responsabilizá-lo publicamente pelos problemas estruturais da saúde — sobretudo quando é aliado político — exige algo bem mais raro: coragem, autonomia e independência.

A política não deve ser refém do algoritmo. Não autoriza expor famílias fragilizadas em narrativas como palco para engajamento digital.  Se há falhas, que sejam investigadas com seriedade, processos claros e respeito. Explorar a dor e  sofrimento de quem perdeu um ente, ou  alimentar o medo e desacreditar instituições para gerar engajamento não representa coragem política nem defesa do interesse público: é oportunismo político.

Nesse jogo oportunista saem prejudicados os que mais precisam da saúde pública: o cidadão,  independente da sua classe social, que passa a desconfiar do serviço público no momento em que pode precisar dele; perdem os profissionais da saúde, expostos a julgamentos sumários nas redes sociais; e perde a cidade, que assiste ao desgaste de suas instituições. 

Quando a política troca responsabilidade por espetáculo, a saúde pública paga a conta, assim como toda a população.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O CARNAVAL DE ITATIBA COMO MOTOR DA ECONOMIA CRIATIVA

 



O Carnaval de Itatiba consolidou-se como um relevante motor da economia local. Concentrado na área central, especialmente na Praça da Bandeira, o evento reúne a banda Santa Cecília, blocos, escolas de samba, trio elétrico e apresentações de artistas itatibenses. A programação se amplia com os tradicionais bailes promovidos por dois dos principais clubes sociais da cidade, fortalecendo o calendário festivo e ampliando a circulação de público e renda. A atuação conjunta do poder público e das entidades privadas valoriza a cultura local e impulsiona a economia criativa local.

O investimento realizado pela Prefeitura no carnaval — que inclui infraestrutura, som profissional, sanitários, segurança e organização — não deve ser visto como mero custo operacional. Trata-se de um aporte planejado, cujo retorno pode ser mensurado. Estudos indicam que, para cada R$1 investido em cultura, podem ser gerados até R$7,59 em impacto econômico por meio da criação de empregos, contratação de serviços e aumento da circulação de recursos no comércio e nos serviços.

Em Itatiba, esse retorno tende a ser ainda mais significativo, pois os recursos permanecem majoritariamente na própria cidade, irradiando efeitos por diversos segmentos da indústria criativa e da economia urbana. Além de músicos e produtores culturais, o carnaval movimenta costureiras, estamparias, gráficas digitais, técnicos de som e iluminação, montadores de palco, profissionais de comunicação, segurança e logística, fortalecendo uma cadeia produtiva que gera renda e dinamiza o comércio local.

Os reflexos alcançam também setores tradicionais: bares, restaurantes, lanchonetes, sorveterias, ambulantes, fornecedores de bebidas, distribuidores, supermercados e serviços de transporte registram aumento na demanda durante o período. Pequenos empreendedores encontram na festa uma oportunidade real de ampliar o faturamento,  como se viu em todo o entorno da Praça da Bandeira. 

Mais do que atrair público, o Carnaval ativa uma rede que integra cultura, comércio, serviços e trabalho temporário. É um exemplo claro de como a economia criativa — baseada na criatividade, no conhecimento e na produção cultural — gera valor econômico, fortalece a renda local e estimula o empreendedorismo.

O Carnaval de Itatiba não é um mero evento sazonal e festivo. É  um ativo econômico estratégico capaz de transformar investimento público em desenvolvimento e fortalecimento do ecossistema produtivo local. Quando bem planejados, como o carnaval de Itatiba, eventos culturais deixam de ser despesa para afirmar-se como política pública de desenvolvimento.

Em tempo: para consolidar o principal evento da economia criativa local, é necessário repensar o local das próximas Mostras Criativas. O Parque da Juventude cumpre com excelência sua função de lazer e esporte, mas não possui vocação comercial. Inserir os criativos em um espaço com fluxo natural de consumo como a Praça da Bandeira, especialmente em datas estratégicas, potencializaria vendas, ampliaria a geração de renda e fortaleceria a conexão entre cultura e varejo.

Fortalecer a economia criativa exige mais do que incentivo pontual; requer estratégia territorial. E, no comércio, localização não é detalhe — é fator decisivo de sucesso.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

JOÃO FATTORI ANTECIPA O JOGO DAS ELEIÇÕES DE 2028

 



As eleições municipais de 2028 em Itatiba começaram, na prática, bem antes do calendário oficial. A recente reunião realizada no gabinete do prefeito em exercício, Mauro Delforno — durante o período de férias de Thomás Capeletto — com o  ex-prefeito João Fattori (2009–2016) não foi um gesto isolado. Trata-se de um movimento calculado que antecipa o processo sucessório e reposiciona forças no tabuleiro político local antes mesmo da formalização das candidaturas.

O reaparecimento de João Fattori no centro do debate não é casual. Duas vezes prefeito, com votações expressivas, ele entra no cenário de 2028 não como aposta, mas como referência eleitoral consolidada. Seus resultados — 48,93% dos votos válidos em 2008 e 59,30% em 2012 — representam o seu melhor ativo.

A presença de Fattori não apenas adiciona votos à disputa, mas reorganiza campos políticos. Seu legado administrativo e a memória de suas gestões criam uma base inicial sólida, capaz de atrair apoios e induzir movimentos antecipados de apoio à sua candidatura, como o registrado no gabinete do Executivo. Em uma eleição matemática com turno único, esse efeito de reorganização pode ser decisivo.

O desafio, contudo, é menos numérico e mais estratégico. O eleitorado de 2028 está fragmentado, digital e menos tolerante a figuras tradicionais. Para transformar capital político acumulado em votos futuros, Fattori precisará atualizar discurso, narrativa, presença digital e pública, sem perder o principal diferencial que o sustenta: seus resultados e conquistas. 

Esse evento no gabinete do prefeito pressiona outros atores que também disputam o legado político de Thomás Capeletto. A secretária de Governo, Jackeline Boava, tenta antecipar a herança simbólica da atual gestão antes mesmo de ser submetida ao teste das urnas. David Bueno, com forte presença digital,  já disputou a prefeitura duas vezes, mas  sem conseguir romper a barreira dos 17% dos votos válidos. Ele tende a acelerar seus movimentos para se viabilizar como sucessor natural — embora ainda precise resolver pendências jurídicas junto ao TSE, que, até o momento, o mantém inelegível. Outro candidato potencial é o Dr. Parisotto: duas vezes candidato a prefeito, em 2016 e 2020, preservou em ambas as disputas um capital político relevante, com média de 24% dos votos válidos.

No campo oposicionista, o ex-prefeito Douglas Augusto (2017–2020) é pressionado a recalcular alianças e ampliar seu arco político. Eleito em 2016 com 40,62% dos votos válidos e derrotado em 2020 com 36,36%, Douglas mantém um recall eleitoral relevante. Uma eventual consolidação de alianças — especialmente com grupos contrários ou politicamente “descartados” pela atual gestão — pode se tornar decisiva em uma disputa que tende a ser altamente fragmentada.

Enquanto isso, chama atenção o comportamento de políticos que almejam ser indicados como sucessores de Thomás Capeletto ou compor a chapa como vice. A maioria segue passiva: sem discurso, sem posicionamento claro e, sobretudo, sem atitude de candidato à prefeitura. Trata-se de um erro clássico da política eleitoral — quem não ocupa espaço, perde espaço.

A definição do sucessor passará inevitavelmente pelo crivo de Thomás Capeletto, apoiada na frieza dos números das pesquisas. A indicação, porém, não encerra o jogo — ao contrário: quem não for o escolhido pode deixar de ser coadjuvante e se transformar em adversário competitivo. No fim, o nome ungido carrega a força do governo, mas os preteridos tem algo igualmente poderoso: voto, estrutura e  disposição para enfrentar quem ficou com a chave do cofre político.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O DESAFIO DO PARTIDO LIBERAL: COMO REPOR OS VOTOS PERDIDOS?

 



Nas próximas eleições para a Câmara Federal, alguns partidos enfrentarão perdas pontuais; outros, perdas estruturais. Entre estes, o Partido Liberal (PL) desponta como um dos mais impactados. Em 2022, sua votação foi impulsionada por um fenômeno específico: o efeito Bolsonaro. O mandato de Jair Bolsonaro alavancou e deu visibilidade a diversos candidatos que surfaram na onda da direita,  garantindo ao partido um desempenho excepcional nas urnas. Somente no voto de legenda, o PL somou 209.664 votos, um número expressivo e atípico, associado diretamente à forte polarização daquele pleito. O problema é que esse cenário dificilmente se repetirá em 2026 nos mesmos termos.

Votos que não estarão mais em disputa:

As duas maiores votações do PL em São Paulo simplesmente não estarão mais no jogo, e uma terceira está fora dos holofotes midiáticos:

  • Carla Zambelli, com 946.244 votos, renunciou ao cargo e está presa em uma penitenciária na Itália.

  • Eduardo Bolsonaro, com 741.701 votos, teve o seu mandato cassado por  ausência reiterada e  atualmente mora nos EUA.

  • Ricardo Salles, com 640.918 votos. À época, seu desempenho esteve fortemente associado ao cargo de ministro do Meio Ambiente e à presença constante na agenda política de Jair Bolsonaro. Fora do ministério e distante do centro do debate público, é improvável que repita o mesmo desempenho.

Somados os votos desses três candidatos e os da legenda, o PL alcançou 2.538.527 votos, o que representou 47,5% da votação total do partido em São Paulo (5.343.667 votos).  Esses votos foram suficientes para eleger 7 deputados federais das 17 vagas conquistadas pelo partido em São Paulo. 

A ausência de Eduardo Bolsonaro e seu efeito dominó

A perda do mandato de Eduardo Bolsonaro não gerou impacto apenas na disputa pela Câmara Federal. Ela também o impediu de disputar o Senado por São Paulo, onde, caso fosse candidato, teria grande chance e com expressiva votação. Uma candidatura majoritária desse porte permitiria alavancar a votação de candidatos a deputados federais e estaduais. Sua candidatura seria um grande indutor de votos para o partido em diversas regiões do estado. Esse efeito colateral aprofunda ainda mais o desafio do PL: esses votos não migram automaticamente. Parte se dispersa, parte se anula e parte deixa de comparecer às urnas com o mesmo grau de engajamento. O fato é incontornável: o PL perdeu um dos seus principais puxadores de votos.

Sem candidaturas fortes ao Congresso, o PL arrisca chegar às eleições de  2026 excessivamente fragmentado, dependente das disputas locais e do capital político individual de seus candidatos. Nesse cenário, ganham relevância duas possibilidades no campo presidencial: uma eventual candidatura pelo PL do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Qualquer uma dessas opções poderia cumprir um papel estratégico fundamental: reorganizar o voto ideológico, reduzir a dispersão do eleitorado bolsonarista e reconstruir um eixo nacional de mobilização, mesmo que em patamar diferente do observado em 2022. 

Um teste de maturidade política — e um recado a Itatiba

As eleições de 2026 serão, para o PL, um teste de maturidade eleitoral. O partido precisará provar se construiu uma base sólida ou foi um veículo circunstancial de um momento político específico. Esse desafio reflete-se também nos diretórios municipais. Em Itatiba, espera-se que o PL local compreenda que polarização sem representatividade não gera resultado duradouro. Apostar em nomes sem vínculo real com a cidade, ignorando lideranças regionais e a pauta da representatividade — já tratada neste espaço — é repetir erros que custam caro e não trazem emendas e nem benefícios à nossa cidade.

Mais do que surfar ondas nacionais, Itatiba precisa de representantes com voto, presença e compromisso com a cidade. A eleição mostrará quem tem base própria — e quem apenas tenta herdar votos que não lhe pertencem. E essa conta, como sempre, não fecha no discurso. Fecha na urna.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

POR QUE ITATIBA NÃO TEM CONCESSIONÁRIAS DE VEICULOS ZERO KM?

 


Não é um fato isolado. É um sintoma.

A saída da FIAT, última concessionária de veículos 0 km em Itatiba, não deve ser tratada como um episódio pontual. É o resultado de um processo silencioso e cumulativo, que revela uma contradição incômoda: como uma cidade com cerca de 127 mil habitantes, bons indicadores sociais e localização estratégica não sustenta uma concessionária de automóveis novos?

O contraste com municípios vizinhos — alguns menores e com renda inferior — torna essa pergunta ainda mais reveladora. À primeira vista, Itatiba não deveria estar fora do mapa automotivo regional.

Indicadores positivos não garantem protagonismo

Os dados socioeconômicos (apresentados ao final do artigo) mostram que o problema não está na renda, na população ou no nível de desenvolvimento humano. Em diversos indicadores, Itatiba supera cidades que concentram várias concessionárias 0 km.

A explicação está na lógica do setor. Concessionárias não analisam cidades; analisam mercados. O que pesa na decisão de investimento é a capacidade de uma localidade atrair demanda regional, gerar fluxo contínuo de consumidores, concentrar renda qualificada e oferecer escala mínima de vendas com viabilidade econômica.

Quem entendeu a lógica regional, conquistou o mercado

Atibaia e Bragança Paulista sustentam suas economias a partir de um mercado regional ampliado, impulsionado pelo turismo e reforçado pela Rodovia Fernão Dias, que estende sua área de influência e atrai consumidores com maior poder aquisitivo.

Amparo, mesmo com população e renda inferiores às de Itatiba, consolidou-se como polo regional ao assumir o protagonismo turístico e comercial no Circuito das Águas Paulista.

Vinhedo e Valinhos operam sob outra lógica: alta renda domiciliar, acesso direto às rodovias Anhanguera e Bandeirantes, e integração funcional com Campinas. 

Itatiba, entre dois polos — e sem identidade econômica

Itatiba ocupa uma posição sensível na dinâmica regional. Não se consolidou como polo ampliado, tampouco se firmou como destino turístico e permanece à sombra de Campinas e Jundiaí. A rodovia Dom Pedro I, embora estratégica, funciona mais como eixo de passagem do que como vetor de atração econômica.

Paradoxalmente, os números são sólidos: base industrial relevante, elevado IDHM, PIB per capita superior aos de Atibaia e Bragança e a terceira maior renda domiciliar entre as cidades analisadas. O consumo local sustenta o varejo de bens duráveis de alto giro — grandes redes, atacarejos e franquias —. mas não gera escala suficiente para atividades que dependem do mercado regional, como as concessionárias de veículos 0 km.

O custo da falta de planejamento

Itatiba paga hoje o preço da ausência a planejamento econômico de longo prazo e da indefinição do seu DNA econômico. A cidade cresceu, gerou renda e atraiu investimentos, mas sem uma estratégia capaz de transformá-la em referência regional.

O desafio da administração municipal não é recuperar uma concessionária específica, mas impedir que outros setores sigam o mesmo caminho. A economia de Itatiba não avançará enquanto o planejamento permanecer refém da descontinuidade administrativa e da anulação de boas iniciativas a cada troca de governo.

Desenvolvimento exige visão, continuidade e coragem para definir rumos. Sem isso, a cidade seguirá consumindo suas próprias virtudes — sem convertê-las em protagonismo econômico.

Indicadores socioeconômicos e presença regional de concessionárias de veículos zero km




segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

CIDADE VIVA, COMÉRCIO FORTE: O NATAL COMO POLÍTICA PÚBLICA

 


O Natal de 2025 em Itatiba demonstrou que política pública bem conduzida pode gerar encantamento, desenvolvimento econômico e impacto social simultaneamente. Diferentemente do discurso simplista que coloca cultura, lazer, saúde e assistência social como escolhas excludentes, a Prefeitura provou ser possível avançar em todas essas frentes de forma conjunta. A cidade foi ocupada, as avenidas iluminadas, as praças ativadas e o espaço público devolvido às famílias.

A experiência natalina foi além da decoração. A Casa do Papai Noel, as chegadas do Papai Noel em diferentes bairros, os eventos culturais e a integração de três praças centrais criaram um ambiente de convivência, pertencimento e segurança. O centro da cidade foi reocupado pela população em um ambiente natalino que devolveu o centro da cidade às famílias, estimulou o consumo no comércio de rua — um dos principais empregadores do município —  e manteve a renda circulando na economia local.

Os eventos natalinos deixaram uma lição clara: investir em experiência urbana, cultura e ocupação do espaço público não é gasto supérfluo, mas estratégia de desenvolvimento econômico e social. Uma cidade viva é também humana, mais segura e economicamente mais forte. Quando a cidade pulsa, todos ganham: famílias, comerciantes, trabalhadores e o próprio município.

O Natal de Itatiba consolidou-se como um dos seus grandes eventos, com impacto real na vida urbana e na economia local. Demonstrou que a população responde quando é chamada a ocupar o espaço público e vivenciar festivamente suas ruas e praças. Quando a cidade se movimenta, todos os atores precisam avançar unidos. O desenvolvimento é um processo coletivo que exige diálogo, parceria e participação de quem representa e vive na cidade e dela.

Diante desse cenário positivo, surge um questionamento inevitável: onde esteve a AICITA? A ausência da Associação Comercial de Itatiba — entidade que representa o comércio local — nas ações e nos eventos natalinos causa estranhamento e merece reflexão, sobretudo no Natal, que é o principal período de ativação do comércio da cidade e da vitalidade econômica dos comerciantes.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

PAPAI NOEL: VEREADORES APROVARAM O PRÓPRIO 13º


    A Câmara Municipal de Itatiba viveu seu momento histórico. Não foi a inauguração de uma grande obra, tampouco uma reforma estrutural ou um salto civilizatório. Foi algo maior. Muito maior. Composta por aproximadamente 90% de vereadores de direita — alguns orgulhosamente abrigados no espectro da extrema direita — protagonizou um ato de rara sensibilidade social: concedeu a si mesma o direito ao 13º subsídio. Sim, é isso mesmo, nossos nobres representantes abraçaram com fervor os direitos trabalhistas.

Inspirados, quem sabe, pelas políticas públicas do presidente Lula — como a isenção e a redução do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais — somadas ao debate nacional sobre o fim da escala 6x1, os vereadores identificaram o ambiente perfeito. Convictos, trataram de aprovar o benefício rapidamente. Se o país passou a respirar justiça social, seria quase um contrassenso deixar os vereadores — até os mais conservadores — fora desse novo ar progressista: representar o eleitor sem o sagrado direito ao 13º é sacrifício demais.

A decisão no plenário veio envolta numa aura de justiça social nunca vista desde a última sessão solene. E tudo isso, registre-se, com absoluto zelo pela responsabilidade fiscal, aplicada com critério conservador: rigor para evitar sobra de dinheiro; criatividade para gastá-lo e convicção para jamais devolver o duodécimo, a parcela mensal do orçamento da Câmara que, se não utilizada, poderia até ser devolvida à prefeitura para reforçar áreas como saúde e educação.

Mas não parou por aí. Embalados pelo entusiasmo revolucionário e já aquecendo os motores para as eleições de 2028, os vereadores decidiram ir além. Com o mesmo espírito progressista que os move quando o assunto é o próprio bolso, concederam aos futuros parlamentares — aqueles que tomarão posse a partir de janeiro de 2029 — um singelo reajuste nos subsídios, que salta dos atuais R$ 11.881,54 para 13 parcelas de R$ 17.387,32. Uma vitória histórica: 31,66% de aumento contra a precarização do mandato legislativo.

Assim surgiu uma nova legislatura trabalhista em Itatiba, revolucionária, porém criteriosa. Progressista, mas apenas até a borda do próprio bolso e que somente descobrem a luta de classes ao olhar o seu contracheque. No fim, fica a lição: ideologia é importante, discurso é fundamental, mas nada une mais esquerda e direita como um bom benefício aprovado em causa própria. 

E viva a revolução, desde que seja bem remunerada e em 13 parcelas.




N.A. 1 – O Projeto de Resolução nº 42/2025 foi o instrumento legal que autorizou a concessão do 13º salário aos vereadores da Câmara Municipal de Itatiba, aprovado na sessão de 12/12/2025. 

N.A. 2 – Na mesma sessão legislativa, foi aprovado o Projeto de Lei 106/2024, que dispõe sobre os valores dos subsídios do prefeito, do vice-prefeito e dos secretários municipais, com vigência a partir de janeiro de 2029, nos seguintes montantes: prefeito, R$ 36.048,73; vice-prefeito, R$ 14.582,75; secretários municipais, R$ 24.304,59; secretários adjuntos, R$ 17.013,20.