quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O CARNAVAL DE ITATIBA COMO MOTOR DA ECONOMIA CRIATIVA

 



O Carnaval de Itatiba consolidou-se como um relevante motor da economia local. Concentrado na área central, especialmente na Praça da Bandeira, o evento reúne a banda Santa Cecília, blocos, escolas de samba, trio elétrico e apresentações de artistas itatibenses. A programação se amplia com os tradicionais bailes promovidos por dois dos principais clubes sociais da cidade, fortalecendo o calendário festivo e ampliando a circulação de público e renda. A atuação conjunta do poder público e das entidades privadas valoriza a cultura local e impulsiona a economia criativa local.

O investimento realizado pela Prefeitura no carnaval — que inclui infraestrutura, som profissional, sanitários, segurança e organização — não deve ser visto como mero custo operacional. Trata-se de um aporte planejado, cujo retorno pode ser mensurado. Estudos indicam que, para cada R$1 investido em cultura, podem ser gerados até R$7,59 em impacto econômico por meio da criação de empregos, contratação de serviços e aumento da circulação de recursos no comércio e nos serviços.

Em Itatiba, esse retorno tende a ser ainda mais significativo, pois os recursos permanecem majoritariamente na própria cidade, irradiando efeitos por diversos segmentos da indústria criativa e da economia urbana. Além de músicos e produtores culturais, o carnaval movimenta costureiras, estamparias, gráficas digitais, técnicos de som e iluminação, montadores de palco, profissionais de comunicação, segurança e logística, fortalecendo uma cadeia produtiva que gera renda e dinamiza o comércio local.

Os reflexos alcançam também setores tradicionais: bares, restaurantes, lanchonetes, sorveterias, ambulantes, fornecedores de bebidas, distribuidores, supermercados e serviços de transporte registram aumento na demanda durante o período. Pequenos empreendedores encontram na festa uma oportunidade real de ampliar o faturamento,  como se viu em todo o entorno da Praça da Bandeira. 

Mais do que atrair público, o Carnaval ativa uma rede que integra cultura, comércio, serviços e trabalho temporário. É um exemplo claro de como a economia criativa — baseada na criatividade, no conhecimento e na produção cultural — gera valor econômico, fortalece a renda local e estimula o empreendedorismo.

O Carnaval de Itatiba não é um mero evento sazonal e festivo. É  um ativo econômico estratégico capaz de transformar investimento público em desenvolvimento e fortalecimento do ecossistema produtivo local. Quando bem planejados, como o carnaval de Itatiba, eventos culturais deixam de ser despesa para afirmar-se como política pública de desenvolvimento.

Em tempo: para consolidar o principal evento da economia criativa local, é necessário repensar o local das próximas Mostras Criativas. O Parque da Juventude cumpre com excelência sua função de lazer e esporte, mas não possui vocação comercial. Inserir os criativos em um espaço com fluxo natural de consumo como a Praça da Bandeira, especialmente em datas estratégicas, potencializaria vendas, ampliaria a geração de renda e fortaleceria a conexão entre cultura e varejo.

Fortalecer a economia criativa exige mais do que incentivo pontual; requer estratégia territorial. E, no comércio, localização não é detalhe — é fator decisivo de sucesso.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

JOÃO FATTORI ANTECIPA O JOGO DAS ELEIÇÕES DE 2028

 



As eleições municipais de 2028 em Itatiba começaram, na prática, bem antes do calendário oficial. A recente reunião realizada no gabinete do prefeito em exercício, Mauro Delforno — durante o período de férias de Thomás Capeletto — com o  ex-prefeito João Fattori (2009–2016) não foi um gesto isolado. Trata-se de um movimento calculado que antecipa o processo sucessório e reposiciona forças no tabuleiro político local antes mesmo da formalização das candidaturas.

O reaparecimento de João Fattori no centro do debate não é casual. Duas vezes prefeito, com votações expressivas, ele entra no cenário de 2028 não como aposta, mas como referência eleitoral consolidada. Seus resultados — 48,93% dos votos válidos em 2008 e 59,30% em 2012 — representam o seu melhor ativo.

A presença de Fattori não apenas adiciona votos à disputa, mas reorganiza campos políticos. Seu legado administrativo e a memória de suas gestões criam uma base inicial sólida, capaz de atrair apoios e induzir movimentos antecipados de apoio à sua candidatura, como o registrado no gabinete do Executivo. Em uma eleição matemática com turno único, esse efeito de reorganização pode ser decisivo.

O desafio, contudo, é menos numérico e mais estratégico. O eleitorado de 2028 está fragmentado, digital e menos tolerante a figuras tradicionais. Para transformar capital político acumulado em votos futuros, Fattori precisará atualizar discurso, narrativa, presença digital e pública, sem perder o principal diferencial que o sustenta: seus resultados e conquistas. 

Esse evento no gabinete do prefeito pressiona outros atores que também disputam o legado político de Thomás Capeletto. A secretária de Governo, Jackeline Boava, tenta antecipar a herança simbólica da atual gestão antes mesmo de ser submetida ao teste das urnas. David Bueno, com forte presença digital,  já disputou a prefeitura duas vezes, mas  sem conseguir romper a barreira dos 17% dos votos válidos. Ele tende a acelerar seus movimentos para se viabilizar como sucessor natural — embora ainda precise resolver pendências jurídicas junto ao TSE, que, até o momento, o mantém inelegível. Outro candidato potencial é o Dr. Parisotto: duas vezes candidato a prefeito, em 2016 e 2020, preservou em ambas as disputas um capital político relevante, com média de 24% dos votos válidos.

No campo oposicionista, o ex-prefeito Douglas Augusto (2017–2020) é pressionado a recalcular alianças e ampliar seu arco político. Eleito em 2016 com 40,62% dos votos válidos e derrotado em 2020 com 36,36%, Douglas mantém um recall eleitoral relevante. Uma eventual consolidação de alianças — especialmente com grupos contrários ou politicamente “descartados” pela atual gestão — pode se tornar decisiva em uma disputa que tende a ser altamente fragmentada.

Enquanto isso, chama atenção o comportamento de políticos que almejam ser indicados como sucessores de Thomás Capeletto ou compor a chapa como vice. A maioria segue passiva: sem discurso, sem posicionamento claro e, sobretudo, sem atitude de candidato à prefeitura. Trata-se de um erro clássico da política eleitoral — quem não ocupa espaço, perde espaço.

A definição do sucessor passará inevitavelmente pelo crivo de Thomás Capeletto, apoiada na frieza dos números das pesquisas. A indicação, porém, não encerra o jogo — ao contrário: quem não for o escolhido pode deixar de ser coadjuvante e se transformar em adversário competitivo. No fim, o nome ungido carrega a força do governo, mas os preteridos tem algo igualmente poderoso: voto, estrutura e  disposição para enfrentar quem ficou com a chave do cofre político.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O DESAFIO DO PARTIDO LIBERAL: COMO REPOR OS VOTOS PERDIDOS?

 



Nas próximas eleições para a Câmara Federal, alguns partidos enfrentarão perdas pontuais; outros, perdas estruturais. Entre estes, o Partido Liberal (PL) desponta como um dos mais impactados. Em 2022, sua votação foi impulsionada por um fenômeno específico: o efeito Bolsonaro. O mandato de Jair Bolsonaro alavancou e deu visibilidade a diversos candidatos que surfaram na onda da direita,  garantindo ao partido um desempenho excepcional nas urnas. Somente no voto de legenda, o PL somou 209.664 votos, um número expressivo e atípico, associado diretamente à forte polarização daquele pleito. O problema é que esse cenário dificilmente se repetirá em 2026 nos mesmos termos.

Votos que não estarão mais em disputa:

As duas maiores votações do PL em São Paulo simplesmente não estarão mais no jogo, e uma terceira está fora dos holofotes midiáticos:

  • Carla Zambelli, com 946.244 votos, renunciou ao cargo e está presa em uma penitenciária na Itália.

  • Eduardo Bolsonaro, com 741.701 votos, teve o seu mandato cassado por  ausência reiterada e  atualmente mora nos EUA.

  • Ricardo Salles, com 640.918 votos. À época, seu desempenho esteve fortemente associado ao cargo de ministro do Meio Ambiente e à presença constante na agenda política de Jair Bolsonaro. Fora do ministério e distante do centro do debate público, é improvável que repita o mesmo desempenho.

Somados os votos desses três candidatos e os da legenda, o PL alcançou 2.538.527 votos, o que representou 47,5% da votação total do partido em São Paulo (5.343.667 votos).  Esses votos foram suficientes para eleger 7 deputados federais das 17 vagas conquistadas pelo partido em São Paulo. 

A ausência de Eduardo Bolsonaro e seu efeito dominó

A perda do mandato de Eduardo Bolsonaro não gerou impacto apenas na disputa pela Câmara Federal. Ela também o impediu de disputar o Senado por São Paulo, onde, caso fosse candidato, teria grande chance e com expressiva votação. Uma candidatura majoritária desse porte permitiria alavancar a votação de candidatos a deputados federais e estaduais. Sua candidatura seria um grande indutor de votos para o partido em diversas regiões do estado. Esse efeito colateral aprofunda ainda mais o desafio do PL: esses votos não migram automaticamente. Parte se dispersa, parte se anula e parte deixa de comparecer às urnas com o mesmo grau de engajamento. O fato é incontornável: o PL perdeu um dos seus principais puxadores de votos.

Sem candidaturas fortes ao Congresso, o PL arrisca chegar às eleições de  2026 excessivamente fragmentado, dependente das disputas locais e do capital político individual de seus candidatos. Nesse cenário, ganham relevância duas possibilidades no campo presidencial: uma eventual candidatura pelo PL do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Qualquer uma dessas opções poderia cumprir um papel estratégico fundamental: reorganizar o voto ideológico, reduzir a dispersão do eleitorado bolsonarista e reconstruir um eixo nacional de mobilização, mesmo que em patamar diferente do observado em 2022. 

Um teste de maturidade política — e um recado a Itatiba

As eleições de 2026 serão, para o PL, um teste de maturidade eleitoral. O partido precisará provar se construiu uma base sólida ou foi um veículo circunstancial de um momento político específico. Esse desafio reflete-se também nos diretórios municipais. Em Itatiba, espera-se que o PL local compreenda que polarização sem representatividade não gera resultado duradouro. Apostar em nomes sem vínculo real com a cidade, ignorando lideranças regionais e a pauta da representatividade — já tratada neste espaço — é repetir erros que custam caro e não trazem emendas e nem benefícios à nossa cidade.

Mais do que surfar ondas nacionais, Itatiba precisa de representantes com voto, presença e compromisso com a cidade. A eleição mostrará quem tem base própria — e quem apenas tenta herdar votos que não lhe pertencem. E essa conta, como sempre, não fecha no discurso. Fecha na urna.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

POR QUE ITATIBA NÃO TEM CONCESSIONÁRIAS DE VEICULOS ZERO KM?

 


Não é um fato isolado. É um sintoma.

A saída da FIAT, última concessionária de veículos 0 km em Itatiba, não deve ser tratada como um episódio pontual. É o resultado de um processo silencioso e cumulativo, que revela uma contradição incômoda: como uma cidade com cerca de 127 mil habitantes, bons indicadores sociais e localização estratégica não sustenta uma concessionária de automóveis novos?

O contraste com municípios vizinhos — alguns menores e com renda inferior — torna essa pergunta ainda mais reveladora. À primeira vista, Itatiba não deveria estar fora do mapa automotivo regional.

Indicadores positivos não garantem protagonismo

Os dados socioeconômicos (apresentados ao final do artigo) mostram que o problema não está na renda, na população ou no nível de desenvolvimento humano. Em diversos indicadores, Itatiba supera cidades que concentram várias concessionárias 0 km.

A explicação está na lógica do setor. Concessionárias não analisam cidades; analisam mercados. O que pesa na decisão de investimento é a capacidade de uma localidade atrair demanda regional, gerar fluxo contínuo de consumidores, concentrar renda qualificada e oferecer escala mínima de vendas com viabilidade econômica.

Quem entendeu a lógica regional, conquistou o mercado

Atibaia e Bragança Paulista sustentam suas economias a partir de um mercado regional ampliado, impulsionado pelo turismo e reforçado pela Rodovia Fernão Dias, que estende sua área de influência e atrai consumidores com maior poder aquisitivo.

Amparo, mesmo com população e renda inferiores às de Itatiba, consolidou-se como polo regional ao assumir o protagonismo turístico e comercial no Circuito das Águas Paulista.

Vinhedo e Valinhos operam sob outra lógica: alta renda domiciliar, acesso direto às rodovias Anhanguera e Bandeirantes, e integração funcional com Campinas. 

Itatiba, entre dois polos — e sem identidade econômica

Itatiba ocupa uma posição sensível na dinâmica regional. Não se consolidou como polo ampliado, tampouco se firmou como destino turístico e permanece à sombra de Campinas e Jundiaí. A rodovia Dom Pedro I, embora estratégica, funciona mais como eixo de passagem do que como vetor de atração econômica.

Paradoxalmente, os números são sólidos: base industrial relevante, elevado IDHM, PIB per capita superior aos de Atibaia e Bragança e a terceira maior renda domiciliar entre as cidades analisadas. O consumo local sustenta o varejo de bens duráveis de alto giro — grandes redes, atacarejos e franquias —. mas não gera escala suficiente para atividades que dependem do mercado regional, como as concessionárias de veículos 0 km.

O custo da falta de planejamento

Itatiba paga hoje o preço da ausência a planejamento econômico de longo prazo e da indefinição do seu DNA econômico. A cidade cresceu, gerou renda e atraiu investimentos, mas sem uma estratégia capaz de transformá-la em referência regional.

O desafio da administração municipal não é recuperar uma concessionária específica, mas impedir que outros setores sigam o mesmo caminho. A economia de Itatiba não avançará enquanto o planejamento permanecer refém da descontinuidade administrativa e da anulação de boas iniciativas a cada troca de governo.

Desenvolvimento exige visão, continuidade e coragem para definir rumos. Sem isso, a cidade seguirá consumindo suas próprias virtudes — sem convertê-las em protagonismo econômico.

Indicadores socioeconômicos e presença regional de concessionárias de veículos zero km




segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

CIDADE VIVA, COMÉRCIO FORTE: O NATAL COMO POLÍTICA PÚBLICA

 


O Natal de 2025 em Itatiba demonstrou que política pública bem conduzida pode gerar encantamento, desenvolvimento econômico e impacto social simultaneamente. Diferentemente do discurso simplista que coloca cultura, lazer, saúde e assistência social como escolhas excludentes, a Prefeitura provou ser possível avançar em todas essas frentes de forma conjunta. A cidade foi ocupada, as avenidas iluminadas, as praças ativadas e o espaço público devolvido às famílias.

A experiência natalina foi além da decoração. A Casa do Papai Noel, as chegadas do Papai Noel em diferentes bairros, os eventos culturais e a integração de três praças centrais criaram um ambiente de convivência, pertencimento e segurança. O centro da cidade foi reocupado pela população em um ambiente natalino que devolveu o centro da cidade às famílias, estimulou o consumo no comércio de rua — um dos principais empregadores do município —  e manteve a renda circulando na economia local.

Os eventos natalinos deixaram uma lição clara: investir em experiência urbana, cultura e ocupação do espaço público não é gasto supérfluo, mas estratégia de desenvolvimento econômico e social. Uma cidade viva é também humana, mais segura e economicamente mais forte. Quando a cidade pulsa, todos ganham: famílias, comerciantes, trabalhadores e o próprio município.

O Natal de Itatiba consolidou-se como um dos seus grandes eventos, com impacto real na vida urbana e na economia local. Demonstrou que a população responde quando é chamada a ocupar o espaço público e vivenciar festivamente suas ruas e praças. Quando a cidade se movimenta, todos os atores precisam avançar unidos. O desenvolvimento é um processo coletivo que exige diálogo, parceria e participação de quem representa e vive na cidade e dela.

Diante desse cenário positivo, surge um questionamento inevitável: onde esteve a AICITA? A ausência da Associação Comercial de Itatiba — entidade que representa o comércio local — nas ações e nos eventos natalinos causa estranhamento e merece reflexão, sobretudo no Natal, que é o principal período de ativação do comércio da cidade e da vitalidade econômica dos comerciantes.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

PAPAI NOEL: VEREADORES APROVARAM O PRÓPRIO 13º


    A Câmara Municipal de Itatiba viveu seu momento histórico. Não foi a inauguração de uma grande obra, tampouco uma reforma estrutural ou um salto civilizatório. Foi algo maior. Muito maior. Composta por aproximadamente 90% de vereadores de direita — alguns orgulhosamente abrigados no espectro da extrema direita — protagonizou um ato de rara sensibilidade social: concedeu a si mesma o direito ao 13º subsídio. Sim, é isso mesmo, nossos nobres representantes abraçaram com fervor os direitos trabalhistas.

Inspirados, quem sabe, pelas políticas públicas do presidente Lula — como a isenção e a redução do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais — somadas ao debate nacional sobre o fim da escala 6x1, os vereadores identificaram o ambiente perfeito. Convictos, trataram de aprovar o benefício rapidamente. Se o país passou a respirar justiça social, seria quase um contrassenso deixar os vereadores — até os mais conservadores — fora desse novo ar progressista: representar o eleitor sem o sagrado direito ao 13º é sacrifício demais.

A decisão no plenário veio envolta numa aura de justiça social nunca vista desde a última sessão solene. E tudo isso, registre-se, com absoluto zelo pela responsabilidade fiscal, aplicada com critério conservador: rigor para evitar sobra de dinheiro; criatividade para gastá-lo e convicção para jamais devolver o duodécimo, a parcela mensal do orçamento da Câmara que, se não utilizada, poderia até ser devolvida à prefeitura para reforçar áreas como saúde e educação.

Mas não parou por aí. Embalados pelo entusiasmo revolucionário e já aquecendo os motores para as eleições de 2028, os vereadores decidiram ir além. Com o mesmo espírito progressista que os move quando o assunto é o próprio bolso, concederam aos futuros parlamentares — aqueles que tomarão posse a partir de janeiro de 2029 — um singelo reajuste nos subsídios, que salta dos atuais R$ 11.881,54 para 13 parcelas de R$ 17.387,32. Uma vitória histórica: 31,66% de aumento contra a precarização do mandato legislativo.

Assim surgiu uma nova legislatura trabalhista em Itatiba, revolucionária, porém criteriosa. Progressista, mas apenas até a borda do próprio bolso e que somente descobrem a luta de classes ao olhar o seu contracheque. No fim, fica a lição: ideologia é importante, discurso é fundamental, mas nada une mais esquerda e direita como um bom benefício aprovado em causa própria. 

E viva a revolução, desde que seja bem remunerada e em 13 parcelas.




N.A. 1 – O Projeto de Resolução nº 42/2025 foi o instrumento legal que autorizou a concessão do 13º salário aos vereadores da Câmara Municipal de Itatiba, aprovado na sessão de 12/12/2025. 

N.A. 2 – Na mesma sessão legislativa, foi aprovado o Projeto de Lei 106/2024, que dispõe sobre os valores dos subsídios do prefeito, do vice-prefeito e dos secretários municipais, com vigência a partir de janeiro de 2029, nos seguintes montantes: prefeito, R$ 36.048,73; vice-prefeito, R$ 14.582,75; secretários municipais, R$ 24.304,59; secretários adjuntos, R$ 17.013,20.


 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

ELEIÇÕES: O VOTO QUE TEMOS…O VOTO QUE QUEREMOS

 


No artigo da semana passada, analisei os números das eleições de 2022, e o diagnóstico foi claro: o eleitor itatibense votou, mas não elegeu. O resultado disso foi que Itatiba ficou sem voz e sem força política. Diante desse cenário, surge a pergunta inevitável: como transformar voto em representação, e essa representação, em resultados reais para Itatiba?

Uma possível resposta existe, é simples e está em debate no Congresso: o Voto Distrital Misto (VDM). Esse modelo busca equilibrar dois princípios fundamentais: representação territorial e representação proporcional. Em poucas palavras, metade das cadeiras representa os distritos, metade reflete as forças políticas da sociedade. É uma tentativa de unir o melhor dos dois interesses políticos, aproximando o eleitor do deputado eleito sem abrir mão da pluralidade partidária.

Com o Voto Distrital Misto (VDM), o eleitor passa a ter dois votos independentes:

1️⃣ Voto para o Distrito (majoritário): esse voto serve para escolher o representante direto da região onde o eleitor mora. Para a Câmara Federal, o estado de São Paulo seria dividido em 35 distritos, com Itatiba formando um deles, possivelmente junto a municípios vizinhos. Nesse modelo, o mais votado no distrito é eleito — simples assim. Sem quociente eleitoral, sem puxadores de votos ou cálculos que distorcem a lógica do resultado. Quem tem mais votos, leva.

2️⃣ Voto para a Lista Partidária (proporcional): o segundo voto permite fortalecer o partido com o qual o eleitor se identifica. Cada legenda apresenta uma lista prévia de nomes, ordenada internamente. O eleitor não escolhe um candidato individual — escolhe o partido. Somam-se os votos da sigla com os de seus candidatos e, pelo quociente partidário, define-se quantas cadeiras terá o partido. Após isso, entram os nomes da lista, na ordem que a própria legenda determinou.

Resultado: metade do parlamento ganha rosto e território; a outra metade mantém equilíbrio partidário. Cidades como Itatiba deixam de disputar atenção com o estado inteiro e concorrem dentro de seu distrito. As chances de eleger alguém comprometido com a cidade aumentam como nunca.

        🏛 Como ficam a Câmara Federal e a ALESP?


CASA LEGISLATIVA 

CADEIRAS

DISTRITAIS

LISTA PARTIDÁRIA

Câmara Federal

70

35

35

ALESP

94

47

47


Só que o VDM também tem um grande ponto sensível — e sério!

Nenhum sistema eleitoral é perfeito, e o Voto Distrital Misto não foge à regra. Metade das cadeiras continuará sendo definida por listas partidárias, e aí está o risco: quem controla a lista, controla a Casa. No modelo de lista fechada, o eleitor vota no partido, não na pessoa. Quem decide quem entra primeiro na lista são os chefes dos partidos, geralmente dominados por dirigentes antigos, caciques e decanos que circulam há décadas no poder. Ou seja: o eleitor vota na legenda, mas não escolhe quem assume. 

Ainda existe um risco tão ou mais preocupante: se um criminoso, miliciano, terrorista ou alguém ligado a organizações ilícitas assumir a presidência de um partido, ele, possivelmente, será o primeiro da lista. Resultado? Poderá tornar-se deputado sem pedir um único voto e com recursos públicos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral. Sem campanha. Sem debate. Sem rua. Simples assim, e perigosamente simples. E o mais grave: uma vez eleito,  desfruta das prerrogativas do cargo, blindagens, foro privilegiado e verbas do orçamento secreto, o que pode transformar o mandato em escudo para garantir impunidade.

Não é ficção — é a consequência direta de um sistema que, embora avance na representatividade regional, ainda mantém a porta aberta para distorções graves nas estruturas partidárias.

O sonho (im) Possível: o Voto Distrital Puro

Se o VDM é um avanço, o Voto Distrital Puro representa o horizonte ideal. O modelo mais simples, mais direto e mais transformador. Nele não existe lista partidária, nem quociente eleitoral, nem efeito-arrasto. Cada distrito elege um representante — e ponto. Quem ganha, assume. Quem perde, volta para casa. Os benefícios são claros:

✔ Representatividade real e imediata.
✔ Proximidade entre eleitor e eleito.
✔ Responsabilidade direta: sabemos quem cobrar.
✔ Fim dos “caroneiros” eleitos pelos votos alheios.
✔ Campanha mais barata.
✔ Foco local, não nacional.

Seria o cenário definitivo: Itatiba deixa de ser figurante e ocupa o protagonismo. Sem depender de celebridades digitais, sem servir como trampolim para ninguém. Um representante que fosse a voz da cidade. E se não funcionar, na próxima eleição o eleitor troca. Democracia simples, devolvida ao dono original: o cidadão.

O futuro estará nas mãos de quem vota.

Nas próximas eleições de 2026, continuaremos sob o modelo atual — o mesmo que já mostrou, numericamente, que Itatiba vota… mas não leva. O futuro ainda estará nas mãos de quem vota — não de quem promete. Então, teremos novamente duas escolhas: repetir o erro e continuar invisíveis ou votar com consciência e fazer o voto dos itatibenses ter valor. 

O sistema pode até mudar um dia — mas até lá, quem muda o destino de Itatiba é o eleitor. Representatividade não se ganha — se conquista no voto.