quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O DESAFIO DO PARTIDO LIBERAL: COMO REPOR OS VOTOS PERDIDOS?

 



Nas próximas eleições para a Câmara Federal, alguns partidos enfrentarão perdas pontuais; outros, perdas estruturais. Entre estes, o Partido Liberal (PL) desponta como um dos mais impactados. Em 2022, sua votação foi impulsionada por um fenômeno específico: o efeito Bolsonaro. O mandato de Jair Bolsonaro alavancou e deu visibilidade a diversos candidatos que surfaram na onda da direita,  garantindo ao partido um desempenho excepcional nas urnas. Somente no voto de legenda, o PL somou 209.664 votos, um número expressivo e atípico, associado diretamente à forte polarização daquele pleito. O problema é que esse cenário dificilmente se repetirá em 2026 nos mesmos termos.

Votos que não estarão mais em disputa:

As duas maiores votações do PL em São Paulo simplesmente não estarão mais no jogo, e uma terceira está fora dos holofotes midiáticos:

  • Carla Zambelli, com 946.244 votos, renunciou ao cargo e está presa em uma penitenciária na Itália.

  • Eduardo Bolsonaro, com 741.701 votos, teve o seu mandato cassado por  ausência reiterada e  atualmente mora nos EUA.

  • Ricardo Salles, com 640.918 votos. À época, seu desempenho esteve fortemente associado ao cargo de ministro do Meio Ambiente e à presença constante na agenda política de Jair Bolsonaro. Fora do ministério e distante do centro do debate público, é improvável que repita o mesmo desempenho.

Somados os votos desses três candidatos e os da legenda, o PL alcançou 2.538.527 votos, o que representou 47,5% da votação total do partido em São Paulo (5.343.667 votos).  Esses votos foram suficientes para eleger 7 deputados federais das 17 vagas conquistadas pelo partido em São Paulo. 

A ausência de Eduardo Bolsonaro e seu efeito dominó

A perda do mandato de Eduardo Bolsonaro não gerou impacto apenas na disputa pela Câmara Federal. Ela também o impediu de disputar o Senado por São Paulo, onde, caso fosse candidato, teria grande chance e com expressiva votação. Uma candidatura majoritária desse porte permitiria alavancar a votação de candidatos a deputados federais e estaduais. Sua candidatura seria um grande indutor de votos para o partido em diversas regiões do estado. Esse efeito colateral aprofunda ainda mais o desafio do PL: esses votos não migram automaticamente. Parte se dispersa, parte se anula e parte deixa de comparecer às urnas com o mesmo grau de engajamento. O fato é incontornável: o PL perdeu um dos seus principais puxadores de votos.

Sem candidaturas fortes ao Congresso, o PL arrisca chegar às eleições de  2026 excessivamente fragmentado, dependente das disputas locais e do capital político individual de seus candidatos. Nesse cenário, ganham relevância duas possibilidades no campo presidencial: uma eventual candidatura pelo PL do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Qualquer uma dessas opções poderia cumprir um papel estratégico fundamental: reorganizar o voto ideológico, reduzir a dispersão do eleitorado bolsonarista e reconstruir um eixo nacional de mobilização, mesmo que em patamar diferente do observado em 2022. 

Um teste de maturidade política — e um recado a Itatiba

As eleições de 2026 serão, para o PL, um teste de maturidade eleitoral. O partido precisará provar se construiu uma base sólida ou foi um veículo circunstancial de um momento político específico. Esse desafio reflete-se também nos diretórios municipais. Em Itatiba, espera-se que o PL local compreenda que polarização sem representatividade não gera resultado duradouro. Apostar em nomes sem vínculo real com a cidade, ignorando lideranças regionais e a pauta da representatividade — já tratada neste espaço — é repetir erros que custam caro e não trazem emendas e nem benefícios à nossa cidade.

Mais do que surfar ondas nacionais, Itatiba precisa de representantes com voto, presença e compromisso com a cidade. A eleição mostrará quem tem base própria — e quem apenas tenta herdar votos que não lhe pertencem. E essa conta, como sempre, não fecha no discurso. Fecha na urna.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

POR QUE ITATIBA NÃO TEM CONCESSIONÁRIAS DE VEICULOS ZERO KM?

 


Não é um fato isolado. É um sintoma.

A saída da FIAT, última concessionária de veículos 0 km em Itatiba, não deve ser tratada como um episódio pontual. É o resultado de um processo silencioso e cumulativo, que revela uma contradição incômoda: como uma cidade com cerca de 127 mil habitantes, bons indicadores sociais e localização estratégica não sustenta uma concessionária de automóveis novos?

O contraste com municípios vizinhos — alguns menores e com renda inferior — torna essa pergunta ainda mais reveladora. À primeira vista, Itatiba não deveria estar fora do mapa automotivo regional.

Indicadores positivos não garantem protagonismo

Os dados socioeconômicos (apresentados ao final do artigo) mostram que o problema não está na renda, na população ou no nível de desenvolvimento humano. Em diversos indicadores, Itatiba supera cidades que concentram várias concessionárias 0 km.

A explicação está na lógica do setor. Concessionárias não analisam cidades; analisam mercados. O que pesa na decisão de investimento é a capacidade de uma localidade atrair demanda regional, gerar fluxo contínuo de consumidores, concentrar renda qualificada e oferecer escala mínima de vendas com viabilidade econômica.

Quem entendeu a lógica regional, conquistou o mercado

Atibaia e Bragança Paulista sustentam suas economias a partir de um mercado regional ampliado, impulsionado pelo turismo e reforçado pela Rodovia Fernão Dias, que estende sua área de influência e atrai consumidores com maior poder aquisitivo.

Amparo, mesmo com população e renda inferiores às de Itatiba, consolidou-se como polo regional ao assumir o protagonismo turístico e comercial no Circuito das Águas Paulista.

Vinhedo e Valinhos operam sob outra lógica: alta renda domiciliar, acesso direto às rodovias Anhanguera e Bandeirantes, e integração funcional com Campinas. 

Itatiba, entre dois polos — e sem identidade econômica

Itatiba ocupa uma posição sensível na dinâmica regional. Não se consolidou como polo ampliado, tampouco se firmou como destino turístico e permanece à sombra de Campinas e Jundiaí. A rodovia Dom Pedro I, embora estratégica, funciona mais como eixo de passagem do que como vetor de atração econômica.

Paradoxalmente, os números são sólidos: base industrial relevante, elevado IDHM, PIB per capita superior aos de Atibaia e Bragança e a terceira maior renda domiciliar entre as cidades analisadas. O consumo local sustenta o varejo de bens duráveis de alto giro — grandes redes, atacarejos e franquias —. mas não gera escala suficiente para atividades que dependem do mercado regional, como as concessionárias de veículos 0 km.

O custo da falta de planejamento

Itatiba paga hoje o preço da ausência a planejamento econômico de longo prazo e da indefinição do seu DNA econômico. A cidade cresceu, gerou renda e atraiu investimentos, mas sem uma estratégia capaz de transformá-la em referência regional.

O desafio da administração municipal não é recuperar uma concessionária específica, mas impedir que outros setores sigam o mesmo caminho. A economia de Itatiba não avançará enquanto o planejamento permanecer refém da descontinuidade administrativa e da anulação de boas iniciativas a cada troca de governo.

Desenvolvimento exige visão, continuidade e coragem para definir rumos. Sem isso, a cidade seguirá consumindo suas próprias virtudes — sem convertê-las em protagonismo econômico.

Indicadores socioeconômicos e presença regional de concessionárias de veículos zero km




segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

CIDADE VIVA, COMÉRCIO FORTE: O NATAL COMO POLÍTICA PÚBLICA

 


O Natal de 2025 em Itatiba demonstrou que política pública bem conduzida pode gerar encantamento, desenvolvimento econômico e impacto social simultaneamente. Diferentemente do discurso simplista que coloca cultura, lazer, saúde e assistência social como escolhas excludentes, a Prefeitura provou ser possível avançar em todas essas frentes de forma conjunta. A cidade foi ocupada, as avenidas iluminadas, as praças ativadas e o espaço público devolvido às famílias.

A experiência natalina foi além da decoração. A Casa do Papai Noel, as chegadas do Papai Noel em diferentes bairros, os eventos culturais e a integração de três praças centrais criaram um ambiente de convivência, pertencimento e segurança. O centro da cidade foi reocupado pela população em um ambiente natalino que devolveu o centro da cidade às famílias, estimulou o consumo no comércio de rua — um dos principais empregadores do município —  e manteve a renda circulando na economia local.

Os eventos natalinos deixaram uma lição clara: investir em experiência urbana, cultura e ocupação do espaço público não é gasto supérfluo, mas estratégia de desenvolvimento econômico e social. Uma cidade viva é também humana, mais segura e economicamente mais forte. Quando a cidade pulsa, todos ganham: famílias, comerciantes, trabalhadores e o próprio município.

O Natal de Itatiba consolidou-se como um dos seus grandes eventos, com impacto real na vida urbana e na economia local. Demonstrou que a população responde quando é chamada a ocupar o espaço público e vivenciar festivamente suas ruas e praças. Quando a cidade se movimenta, todos os atores precisam avançar unidos. O desenvolvimento é um processo coletivo que exige diálogo, parceria e participação de quem representa e vive na cidade e dela.

Diante desse cenário positivo, surge um questionamento inevitável: onde esteve a AICITA? A ausência da Associação Comercial de Itatiba — entidade que representa o comércio local — nas ações e nos eventos natalinos causa estranhamento e merece reflexão, sobretudo no Natal, que é o principal período de ativação do comércio da cidade e da vitalidade econômica dos comerciantes.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

PAPAI NOEL: VEREADORES APROVARAM O PRÓPRIO 13º


    A Câmara Municipal de Itatiba viveu seu momento histórico. Não foi a inauguração de uma grande obra, tampouco uma reforma estrutural ou um salto civilizatório. Foi algo maior. Muito maior. Composta por aproximadamente 90% de vereadores de direita — alguns orgulhosamente abrigados no espectro da extrema direita — protagonizou um ato de rara sensibilidade social: concedeu a si mesma o direito ao 13º subsídio. Sim, é isso mesmo, nossos nobres representantes abraçaram com fervor os direitos trabalhistas.

Inspirados, quem sabe, pelas políticas públicas do presidente Lula — como a isenção e a redução do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais — somadas ao debate nacional sobre o fim da escala 6x1, os vereadores identificaram o ambiente perfeito. Convictos, trataram de aprovar o benefício rapidamente. Se o país passou a respirar justiça social, seria quase um contrassenso deixar os vereadores — até os mais conservadores — fora desse novo ar progressista: representar o eleitor sem o sagrado direito ao 13º é sacrifício demais.

A decisão no plenário veio envolta numa aura de justiça social nunca vista desde a última sessão solene. E tudo isso, registre-se, com absoluto zelo pela responsabilidade fiscal, aplicada com critério conservador: rigor para evitar sobra de dinheiro; criatividade para gastá-lo e convicção para jamais devolver o duodécimo, a parcela mensal do orçamento da Câmara que, se não utilizada, poderia até ser devolvida à prefeitura para reforçar áreas como saúde e educação.

Mas não parou por aí. Embalados pelo entusiasmo revolucionário e já aquecendo os motores para as eleições de 2028, os vereadores decidiram ir além. Com o mesmo espírito progressista que os move quando o assunto é o próprio bolso, concederam aos futuros parlamentares — aqueles que tomarão posse a partir de janeiro de 2029 — um singelo reajuste nos subsídios, que salta dos atuais R$ 11.881,54 para 13 parcelas de R$ 17.387,32. Uma vitória histórica: 31,66% de aumento contra a precarização do mandato legislativo.

Assim surgiu uma nova legislatura trabalhista em Itatiba, revolucionária, porém criteriosa. Progressista, mas apenas até a borda do próprio bolso e que somente descobrem a luta de classes ao olhar o seu contracheque. No fim, fica a lição: ideologia é importante, discurso é fundamental, mas nada une mais esquerda e direita como um bom benefício aprovado em causa própria. 

E viva a revolução, desde que seja bem remunerada e em 13 parcelas.




N.A. 1 – O Projeto de Resolução nº 42/2025 foi o instrumento legal que autorizou a concessão do 13º salário aos vereadores da Câmara Municipal de Itatiba, aprovado na sessão de 12/12/2025. 

N.A. 2 – Na mesma sessão legislativa, foi aprovado o Projeto de Lei 106/2024, que dispõe sobre os valores dos subsídios do prefeito, do vice-prefeito e dos secretários municipais, com vigência a partir de janeiro de 2029, nos seguintes montantes: prefeito, R$ 36.048,73; vice-prefeito, R$ 14.582,75; secretários municipais, R$ 24.304,59; secretários adjuntos, R$ 17.013,20.


 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

ELEIÇÕES: O VOTO QUE TEMOS…O VOTO QUE QUEREMOS

 


No artigo da semana passada, analisei os números das eleições de 2022, e o diagnóstico foi claro: o eleitor itatibense votou, mas não elegeu. O resultado disso foi que Itatiba ficou sem voz e sem força política. Diante desse cenário, surge a pergunta inevitável: como transformar voto em representação, e essa representação, em resultados reais para Itatiba?

Uma possível resposta existe, é simples e está em debate no Congresso: o Voto Distrital Misto (VDM). Esse modelo busca equilibrar dois princípios fundamentais: representação territorial e representação proporcional. Em poucas palavras, metade das cadeiras representa os distritos, metade reflete as forças políticas da sociedade. É uma tentativa de unir o melhor dos dois interesses políticos, aproximando o eleitor do deputado eleito sem abrir mão da pluralidade partidária.

Com o Voto Distrital Misto (VDM), o eleitor passa a ter dois votos independentes:

1️⃣ Voto para o Distrito (majoritário): esse voto serve para escolher o representante direto da região onde o eleitor mora. Para a Câmara Federal, o estado de São Paulo seria dividido em 35 distritos, com Itatiba formando um deles, possivelmente junto a municípios vizinhos. Nesse modelo, o mais votado no distrito é eleito — simples assim. Sem quociente eleitoral, sem puxadores de votos ou cálculos que distorcem a lógica do resultado. Quem tem mais votos, leva.

2️⃣ Voto para a Lista Partidária (proporcional): o segundo voto permite fortalecer o partido com o qual o eleitor se identifica. Cada legenda apresenta uma lista prévia de nomes, ordenada internamente. O eleitor não escolhe um candidato individual — escolhe o partido. Somam-se os votos da sigla com os de seus candidatos e, pelo quociente partidário, define-se quantas cadeiras terá o partido. Após isso, entram os nomes da lista, na ordem que a própria legenda determinou.

Resultado: metade do parlamento ganha rosto e território; a outra metade mantém equilíbrio partidário. Cidades como Itatiba deixam de disputar atenção com o estado inteiro e concorrem dentro de seu distrito. As chances de eleger alguém comprometido com a cidade aumentam como nunca.

        🏛 Como ficam a Câmara Federal e a ALESP?


CASA LEGISLATIVA 

CADEIRAS

DISTRITAIS

LISTA PARTIDÁRIA

Câmara Federal

70

35

35

ALESP

94

47

47


Só que o VDM também tem um grande ponto sensível — e sério!

Nenhum sistema eleitoral é perfeito, e o Voto Distrital Misto não foge à regra. Metade das cadeiras continuará sendo definida por listas partidárias, e aí está o risco: quem controla a lista, controla a Casa. No modelo de lista fechada, o eleitor vota no partido, não na pessoa. Quem decide quem entra primeiro na lista são os chefes dos partidos, geralmente dominados por dirigentes antigos, caciques e decanos que circulam há décadas no poder. Ou seja: o eleitor vota na legenda, mas não escolhe quem assume. 

Ainda existe um risco tão ou mais preocupante: se um criminoso, miliciano, terrorista ou alguém ligado a organizações ilícitas assumir a presidência de um partido, ele, possivelmente, será o primeiro da lista. Resultado? Poderá tornar-se deputado sem pedir um único voto e com recursos públicos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral. Sem campanha. Sem debate. Sem rua. Simples assim, e perigosamente simples. E o mais grave: uma vez eleito,  desfruta das prerrogativas do cargo, blindagens, foro privilegiado e verbas do orçamento secreto, o que pode transformar o mandato em escudo para garantir impunidade.

Não é ficção — é a consequência direta de um sistema que, embora avance na representatividade regional, ainda mantém a porta aberta para distorções graves nas estruturas partidárias.

O sonho (im) Possível: o Voto Distrital Puro

Se o VDM é um avanço, o Voto Distrital Puro representa o horizonte ideal. O modelo mais simples, mais direto e mais transformador. Nele não existe lista partidária, nem quociente eleitoral, nem efeito-arrasto. Cada distrito elege um representante — e ponto. Quem ganha, assume. Quem perde, volta para casa. Os benefícios são claros:

✔ Representatividade real e imediata.
✔ Proximidade entre eleitor e eleito.
✔ Responsabilidade direta: sabemos quem cobrar.
✔ Fim dos “caroneiros” eleitos pelos votos alheios.
✔ Campanha mais barata.
✔ Foco local, não nacional.

Seria o cenário definitivo: Itatiba deixa de ser figurante e ocupa o protagonismo. Sem depender de celebridades digitais, sem servir como trampolim para ninguém. Um representante que fosse a voz da cidade. E se não funcionar, na próxima eleição o eleitor troca. Democracia simples, devolvida ao dono original: o cidadão.

O futuro estará nas mãos de quem vota.

Nas próximas eleições de 2026, continuaremos sob o modelo atual — o mesmo que já mostrou, numericamente, que Itatiba vota… mas não leva. O futuro ainda estará nas mãos de quem vota — não de quem promete. Então, teremos novamente duas escolhas: repetir o erro e continuar invisíveis ou votar com consciência e fazer o voto dos itatibenses ter valor. 

O sistema pode até mudar um dia — mas até lá, quem muda o destino de Itatiba é o eleitor. Representatividade não se ganha — se conquista no voto.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

ITATIBA VOTA, MAS NÃO ELEGE


Com pouco mais de 80 mil eleitores, a cidade vive uma crise silenciosa. A cada quatro anos, o itatibense vai às urnas, participa, escolhe e vota, mas não elege ninguém que fale por nós. No sistema proporcional, nossos votos para os deputados estaduais e federais se perdem no oceano de milhões que formam o estado de São Paulo. O resultado é previsível: não conseguimos eleger representantes e seguimos sendo uma cidade sem voz em São Paulo ou Brasília. 

Os mais votados em Itatiba são, em geral, são os midiáticos, os que dispõem de campanhas milionárias, os que recebem o apoio de vereadores e ex-vereadores, e os que surfam na polarização entre direita e esquerda. A cada quatro anos, a cidade é invadida por um enxame de “paraquedistas”, candidatos sem vínculo com Itatiba que só aparecem em época de eleição. Para piorar, as eleições nacionais são usadas por políticos locais como um laboratório para medir sua popularidade e como palanque para consolidar o nome à próxima eleição municipal.

 O resultado dessa avalanche de candidatos foi cristalino nas eleições de 2022: os sete candidatos mais votados para federal em Itatiba somaram 25.047 votos — 42,47% dos válidos. Itatiba, efetivamente, não elegeu ninguém. O cenário fica desconfortável quando olhamos quem recebeu a confiança do itatibense:

  • Com 3.641 votos, uma deputada conhecida por suas trapalhadas e que protagonizou um vexame armado em plena campanha, hoje se encontra “hospedada” em um presídio na Itália.

  • Com 3.523 votos, um deputado que fez as malas, deixou o mandato e atravessou o continente em direção aos EUA. Hoje, vive como exilado voluntário para não encarar a Justiça brasileira.

  • Com 2.356 votos, um deputado e ex-ministro que confundiu política ambiental com negócios florestais. Responde no STF por contrabando de madeira.

  • 7.052 votos foi a votação de três aspirantes que nem o próprio partido conseguiu salvar. 

  • 8.475 votos. Esse foi o total do candidato mais votado — um filho da terra. Esses votos não ajudaram o partido e nem resultaram representatividade para Itatiba. Estão engavetados pela Justiça Eleitoral, sem definição — e, na prática, serviram somente para dar visibilidade ao candidato no período eleitoral.


Para a Assembleia Legislativa, o cenário foi semelhante. Os dois candidatos mais votados — ambos nativos da cidade — concentraram 41,35% dos votos válidos em Itatiba. Um desempenho expressivo, especialmente considerando que nenhum deles fez uma campanha relevante fora de Itatiba. Afinal, o objetivo não era uma cadeira na ALESP, mas medir forças e terreno para a eleição municipal de 2024. 

Itatiba vota, mas não elege. A pergunta é inevitável: como transformar voto em força política real? A resposta é simples: depende de quem colocamos lá. Em 2022, o eleitor itatibense apostou em candidatos que usam Itatiba como trampolim político e vitrine pessoal; votou na polarização, na simpatia, na fama digital e até em quem não sabe apontar Itatiba no mapa. Abrimos mão de representatividade, verba, de projetos e do nosso próprio futuro.

Falta, então, a pergunta principal: como transformar voto em representação — e essa, em resultados reais para Itatiba? A resposta existe, é simples e já está em debate no Congresso: o Voto Distrital Misto (VDM). Com ele, metade dos deputados seria eleita por distrito (regiões menores, como Itatiba e cidades próximas) e a outra metade por lista partidária, garantindo equilíbrio entre representação regional e força política dos partidos.

Nas eleições de 2026, não teremos o voto distrital, por isso, se queremos representação, temos que escolher melhor: com critério, com memória e com responsabilidade. O eleitor itatibense precisa pensar como o presidente Trump pensa nos EUA: em primeiro lugar, Itatiba. Depois, Itatiba. E, se sobrar tempo, novamente em Itatiba. 

No próximo artigo, falarei sobre o Voto Distrital Misto, a possível resposta que esperamos para a falta de representatividade de Itatiba.

Até lá!

Fabio Chrispim Marin

Consultor de Comunicação, Marketing Estratégico e Político