quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Jacke Boava: a aposta de Thomás Capeletto vai dar certo?

 




Em um vídeo postado em suas redes sociais no dia 7 de setembro de 2025 — exatamente três anos antes das eleições municipais —, a secretária de Governo, Jackeline Boava, agora "Jacke Boava", posicionou-se claramente como a sucessora natural do prefeito Thomás Capeletto. A produção impecável do material, da roupa à criação de uma marca pessoal, indica um movimento meticuloso. Mas será que essa estratégia, que parece replicar em miniatura o bem-sucedido plano de Lula para Dilma Rousseff, será eficaz?


A história recente da cidade sugere cautela. Os dois últimos prefeitos reeleitos que tentaram emplacar seus sucessores falharam dramaticamente. O erro de Fumach (2008) e de Fattori (2016) foi idêntico: a demora em indicar oficialmente seu candidato. O que ambos tinham em comum? Terminaram seus mandatos com alta rejeição. Fumach, mesmo com a entrega do Parque da Juventude, não reverteu o desgaste de uma reeleição com somente 29,2% dos votos. Fattori, eleito com 59,3%, viu seu poder minguar ao perder o controle da Câmara e enfrentar a lenta reconstrução da cidade no pós-enchente de 2016. Os dois casos acima comprovam claramente que o eleitor não vota em candidatos apoiados por governos mal avaliados. 


A estratégia de Capeletto é clara: antecipar o jogo. O exemplo bem-sucedido é o de Lula, que começou em 2007 a construir publicamente Dilma como a opção de "continuidade" de um governo popular. A questão a ser avaliada é se a popularidade do governo Thomás em 2028 será alta o suficiente para que a estratégia da "continuidade" funcione. O plano para Jacke segue o mesmo roteiro: primeiro, consolidar seu nome como uma opção viável nas pesquisas. Depois, caso bem-sucedida, trabalhar a própria imagem. Mas será que Jacke Boava conseguirá se desvencilhar da sombra do prefeito e provar que é mais do que uma extensão do governo, apresentando propostas próprias e um olhar único para o futuro da cidade?


A aposta de Thomás Capeletto é alta. Se bem-sucedida, ele não somente garante a continuidade de seu projeto político, mas entra para a história como o primeiro prefeito a quebrar o ciclo de fracassos na sucessão municipal e a eleger a primeira mulher prefeita de Itatiba. Mas o caminho é cheio de incógnitas. A capacidade de Jacke de construir uma identidade política própria, a manutenção da união na base aliada e a transformação da "herança" de Thomás em um trampolim — e não em uma âncora — são fatores decisivos.


Itatiba se transforma, assim, em um intrigante laboratório político. Os próximos três anos trarão a resposta à questão central: a aposta ousada de Thomás Capeletto em Jacke Boava será a jogada mestre que irá reescrever a história política da cidade, ou será mais um capítulo de uma história de sucessões malogradas?


Publicado no Jornal de Itatiba, coluna Opiniões em 13/09/2025


Fabio Chrispim Marin

Consultor de Marketing Político




















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