sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Ribeirão Jacaré: A Morte Anunciada?

    A prefeitura de Itatiba realiza uma intervenção radical no Ribeirão Jacaré, da região do Jardim de Lucca até as proximidades da ETE Sabesp. O objetivo declarado é nobre: prevenir enchentes e melhorar a mobilidade urbana. O método escolhido, porém, representa um retrocesso ambiental que pode trocar um problema por uma catástrofe anunciada. Enquanto cidades modernas evoluem para soluções baseadas na natureza, Itatiba insiste em repetir os erros do passado. O caso mais dramático que ilustra o destino de um rio canalizado encontra-se a poucos quilômetros: as marginais do Tietê, em São Paulo. Um rio convertido em depósito de esgoto e lixo, com custos astronômicos para a sua recuperação e prejuízos imensuráveis à qualidade de vida dos paulistanos.

O cenário do Tietê pode se repetir em Itatiba: a supressão de microflorestas, árvores frutíferas, espécies nativas como Pau-Brasil e da mata ciliar pode gerar danos ambientais permanentes e irreversíveis. As consequências são previsíveis: aumento drástico da temperatura local, extinção de espécies e degradação do ribeirão Jacaré. O mais grave é que, até o momento, a prefeitura não apresentou à sociedade um plano de reposição florestal. A reposição não é uma mera sugestão; é uma obrigação legal e moral inegociável.

Exemplos de sucesso como o de Curitiba demonstram que existem alternativas inteligentes. Os parques inundáveis conciliam drenagem com áreas de lazer, criando espaços verdes que previnem enchentes sem prejudicar os rios. Enquanto o prefeito celebra a obra nas redes sociais, a realidade para a população itatibense é de total opacidade: a prefeitura permanece sem responder questões cruciais sobre os impactos reais desta intervenção na qualidade de vida dos itatibenses. A Câmara de Vereadores, cuja função é exatamente fiscalizar, compactua 100% com esse silêncio. Em razão da falta de transparência, é necessário que a prefeitura responda às seguintes perguntas publicamente:

  • A prefeitura tem consciência de que cada árvore nativa e frutífera removida representa a destruição de um habitat inteiro? Que é uma sentença de morte para a fauna que dela depende?

  • Compreendem que a mata ciliar é a armadura viva do nosso ribeirão? Sem ela, o assoreamento e a poluição condenam o Jacaré a se tornar um canal doente, comprometendo suas funções de corredor de biodiversidade e termorregulador natural do clima?

  • Quanto aos moradores do entorno? Alguém os informou que, no lugar da vegetação, herdarão uma ilha de calor insuportável, onde o concreto e o asfalto irradiarão temperaturas altíssimas, e a região em torno do ribeirão ficará abafada e insalubre?

  • Onde está o plano de reposição? Quantas árvores foram suprimidas? O replantio priorizará espécies nativas e a criação de quantos parques lineares?

O prefeito acredita estar construindo seu legado. Contudo, pode ser que não seja reconhecido no futuro por solucionar as enchentes, mas por devastar o meio ambiente de Itatiba. A história poderá registrá-lo como responsável por um retrocesso ambiental. O futuro do ribeirão Jacaré e de nossa cidade demanda decisões transparentes e participativas. Não pode ser decidido no silêncio de um gabinete.

Em 20 anos, ao olharmos para o Ribeirão Jacaré, o que veremos? Um canal de concreto morto e poluído como as marginais do Tietê? Ou um coração verde pulsando a vida? A decisão final cabe ao prefeito, mas a cobrança é nossa. E a mobilização começa já.

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Vamos juntos reescrever este capítulo!!!

Fabio Chrispim Marin
E daqui a gente segue tentando preservar o meio ambiente de Itatiba.


2 comentários:

  1. É lastimável assistirmos toda a matança da vegetação, não é lastimável, é revoltante, todas aquelas árvores mortas ali ao lado do covabra. Se tiver como reverter isso, o que acho impossível, sou a favor de uma campanha de reposição total da natureza que foi assassinada.

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  2. Temos sim a necessidade de nos precaver contra os riscos das enchentes, sem dúvida as implementações das obras que estão acontecendo no leito do nosso tão querido “Ribeirão Jacaré “ são necessárias !
    A exemplo de outras cidades vizinhas como Jundiaí, Louveira, que também tiveram problemas com enchentes e acabaram resolvendo com mudanças realizadas no leito do Rio, a administração Municipal de Itatiba vêm trabalhando nessa solução.
    A natureza clama, implora socorro! e também reage sempre de formas inesperadas....quem transita pelos caminhos das margens do nosso rio, aqui mesmo dentro do centro urbano às margens do Ribeirão Jacaré, pode notar claramente o esforço da vida tentando se readaptar nas condições disponíveis. Peixes, aves, animais e vidas suspirando por mais um dia! Incrível essa luta pela sobrevivência e a forma como acontece diariamente.....o rio está doente más ainda vivo, ele ....sua margem e seu entorno, são o habitat de muitas vidas.
    É muito pontual essa observação sobre os destinos que estamos traçando para nosso rio, pois os reflexos das nossas ações vêm carregados de resultados, e as vezes resultados inesperados.
    Que nossos representantes tracem planos de progresso conscientes, valorizando sempre o que mais importa: A vida, a biodiversidade que a mantém e nos mantém.
    Cobremos de nossos representantes!!!

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