sábado, 8 de fevereiro de 2020
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Eleições 2020 - A Onda Conservadora na Era Digital
Eleições
2020 – A Onda Conservadora na era Digital
"A produção de conteúdo deve
ser alterada,
DE UM PARA MUITOS para DE UM,
COM VÁRIOS TONS E LINGUAGENS,
PARA MUITOS, DE FORMA SEGMENTADA."
Marcelo Vitorino
Em outubro de 2020, vamos
eleger o novo prefeito e os integrantes da Câmara Municipal em uma campanha
muito diferente das que tivemos no passado. Os partidos e candidatos a vereador
serão desafiados a formular suas estratégias e planejar suas campanhas em
outros moldes. Com o fim das coligações, haverá menos partidos nas disputas e, consequentemente,
menos candidatos e mais eleitores indecisos. O grande desafio será motivar o
eleitor a ir às urnas, principalmente se o nível da campanha cair em insultos e
grosserias. Lembro que o índice de abstenção/nulos/brancos tem aumentado consideravelmente.
Uma onda conservadora elegeu políticos em todo Brasil nos
últimos pleitos. Douglas foi eleito em 2016 com base em três pilares: seu forte
posicionamento como vereador de oposição; a avaliação negativa de Fattori, abalada
pelas enchentes e pela demora na reconstrução das pontes; na onda conservadora reforçada
pelo prestigio do ex-prefeito Fumach, atual vice. Em 2018, essa mesma onda
elegera João Dória para o governo de São Paulo e Jair Bolsonaro para a
Presidência da República.
Essa onda tende a continuar forte, com as redes sociais
como principais ferramentas de comunicação política. Foram amplamente
utilizadas na eleição de 2016, mas com doses de amadorismo e de
experimentalismo. Em 2018 a equipe de Bolsonaro demonstrou domínio dessa
tecnologia, considerada crucial para sua vitória. Erra, porém, quem pensa que bastam
uma Fanpage e um perfil no Instagram,
com milhares de seguidores, para ter êxito na campanha. A eleição de 2020 será disputadíssima,
principalmente para a Câmara Municipal. Os partidos e os candidatos precisam se
estruturar, com uma equipe de comunicação profissional e especializada em marketing
político e em mídia digital.
Hoje, novos termos e siglas precisam ser incorporados ao
dicionário dos candidatos: brand persona,
persona, alcance, engajamento, envolvimento, alcance orgânico, copywritting, CPC, CPL, CPM, CRM, SEO, lead, dark post, edge ranking, crowdfunding, storytelling e mais uma infinidade deles. Conforme as novas regras
eleitorais definidas pela reforma política, a presença digital de um candidato
é permitida em qualquer tempo, sendo vedado apenas o pedido de voto antes do
período eleitoral. Quem tem mandato, sai na frente. Quem não tem, precisa se posicionar,
produzir e divulgar conteúdos e dominar as ferramentas da internet. Os sites e
as páginas das redes sociais dos candidatos têm de interagir, informar, entreter
o eleitor, transmitir credibilidade e autenticidade e, assim, construir o posicionamento
de imagem deles. Da mesma forma, eles não podem se esquecer de que, em eleição,
voto é o que cai na urna. Curtidas, compartilhamentos, comentários, emojis não
são sinônimos de votos.
No mundo da internet, a transparência é fundamental.
Raros são os esqueletos preservados no armário durante uma campanha eleitoral
e, por isso, o gerenciamento de crises será o trabalho mais pesado para candidatos
e partidos. Os que já têm mandato precisam sair da zona de conforto e se
posicionar publicamente sobre temas polêmicos. A velha máxima do “quanto menos
posicionamento político, melhor o resultado eleitoral” já não existe mais. A
internet é impiedosa com políticos sem posições claras e que omitem fatos de
sua vida política e privada. O eleitor pode ainda ter memória curta, mas a
internet não, e o lembrará de fatos passados.O candidato tem de mapear todos os
seus pontos negativos e fraquezas, listar as possíveis respostas e trabalhar
com previsões profissionais.
Considero dois pontos positivos da eleição na era digital:
a segmentação e o impulsionamento de publicações. O primeiro permite ter a visualização
do eleitor além do padrão IBGE: gênero, idade, religião, nível de educação,
região, classe social. Hoje, temos e podemos saber mais sobre o eleitor, quem
ele é, quais as suas e expectativas e anseios para a comunidade, se ele se
preocupa com as causas sociais, meio ambiente, educação e saúde. Também podemos
saber quais são os públicos com maior afinidade com as propostas do candidato.
Com estas informações, surge a necessidade de uma nova forma de comunicação política,
capaz de despertar a atenção e municiar com bons conteúdos cada segmento do
eleitorado. Aqui entra o impulsionamento
com a entrega de conteúdo específico para cada um de seus públicos.
Resumindo: A comunicação
deixou de ser de massa e passa a ser segmentada; na internet, o usuário escolhe
aquilo que deseja ver, ler, assistir, entreter e polemizar; o
universo digital exige respostas mais rápidas e a necessidade de conversar mais
com o eleitor; redes sociais é uma plataforma de pessoas, que consomem
conteúdos e com um grande potencial para gerar o boca a boca. Positivo ou
negativo, ou seja, consagra ou destrói a sua candidatura.
Artigo publicado no Jornal de Itatiba, Coluna Opiniões, em 07/09/2019
Artigo publicado no Jornal de Itatiba, Coluna Opiniões, em 07/09/2019
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
TRÊS DOCUMENTÁRIOS SOBRE ESTRATÉGIAS ELEITORAIS
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Crise é o Nosso Negócio (Or Brant is Crises – EUA/2005). Direção Rachel Boyton
Eleições
presidenciais na Bolívia - 2002
O documentário retrata as estratégias
utilizadas no marketing eleitoral na campanha do ex-presidente Gonzalo Sánches
de Lozada, o "Goni'". A campanha foi realizada pelo americano de
James Carville, que levou Bill Clinton a presidência dos EUA. O filme mostra
temas como a manipulação de opinião, reposicionamento de imagem, pesquisas,
mídia training e propaganda negativa. Todo o dia a dia da campanha é registrado
pelo documentário. Evo Morales, o atual presidente também disputa esta
eleição.
Dica: Assista como se estivesse em
uma sala de aula, fiquem atentos às cenas com reuniões sobre estratégias e
pesquisas e anote tudo o que puder.
Vocação do Poder (BR/2005, 110min).
Direção: José Joffily e Eduardo Escorel.
Eleições proporcionais na cidade do Rio
de Janeiro - 2004
O documentário acompanhou
a campanha de seis candidatos neófitos na política. Mostra desde o inicio da pré-campanha
nas convenções partidárias, elaboração das estratégias, o corpo a corpo, a
militância, aplicação dos recursos, até o resultado final da eleição.
Os novatos políticos que participam do documentário e seus partidos na época são: André Luiz Filho
(PMDB) – filho de políticos assistencialistas na periferia do Rio; Carlo Caiado
(PFL) discípulo do ex-prefeito César Maia; MC Geleia (PV), rapper e produtor
musical “que fala a língua da periferia”; a pastora evangélica Márcia Teixeira
(PL); Antonio Pedro (PSDB), com reduto, na zona sul da cidade e Felipe Santa
Cruz (PT), atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil. Felipe,
recentemente, foi vitima da língua produtora de crises do presidente Bolsonaro.
Dica: assista com amigos, assessores, discutam as estratégias. Antes
do final, de uma pausa no filme e listem quais dos seis candidatos o grupo acha
se elegeu.
Fique atento: várias das ações e estratégias mostradas no documentário
são proibidas pela atual legislação eleitoral.
Garimpeiros do Voto – (BR/2008 – 72 min.)
Direção Ernesto Rodrigues
Eleições majoritárias da cidade do Rio
de Janeiro - 2016
O mais recente dos
três documentários. Atualíssimo e extremamente relevante para o cenário com a
nova legislação eleitoral. Mostra as alternativas encontradas numa eleição com
menos dinheiro, menos tempo de televisão e num cenário pós o impeachment de Dilma
Rousseff e da operação lava jato. Nesta eleição o uso das redes sociais se
profissionaliza. Fizeram seu papel em influenciar, mobilizar e captar recursos.
Foram entrevistados alguns dos principais responsáveis pela comunicação e pelo marketing
das campanhas, além de depoimentos de profissionais de marketing político,
social medias e especialistas em legislação eleitoral.
Dica: Fiquem atento as estratégias
de combate aos fake news e o uso das campanhas negativas e, principalmente, aos
depoimentos dos analisas digitais.
terça-feira, 7 de maio de 2019
domingo, 4 de novembro de 2018
ELA NÃO DEU A DICA...
Uma
crônica para itatibenses que fizeram o footing
na Praça da Bandeira e "namoraram" na Biquinha
Fabio Chrispim Marin
Eucivaldes. Sujeito elegante e bonitão, autodenominava-se
o rei do footing na Praça da Bandeira.
Fanfarreava que sempre "descia" com alguma garota e que não falhava em
nenhum final de semana! Voltava dos seus encontros sempre cheio de prosa, sem
nem um pouco de modéstia sobre a formosura das suas moças. Apesar da boa pinta
e do dom de ser falante, ele era um rapaz muito... mas muito ingênuo. Poucos
acreditavam em suas histórias.
Sua inocência era explicitada nos seus relatos, temas frequentes
do anedotário de seu grupo de amigos. Um dos causos mais relembrados foi a
confissão de Eucivaldes sobre ter falhado na "hora H" com uma moça
que, apesar de "trintona", se dizia donzela. Segundo ele, a falha não
foi pela condição virginal, mas sim pela ausência de pelos pubianos. Todos
ainda relembram a frase de indignação de Eucivaldes sobre aquele acontecido:
- Donde já se viu uma mulher já feita barbear a sua
periquita na navalha?
A partir de um quarto para as dez das noites de domingo,
após o footing, os seus amigos tinham
encontro marcado no Bar Capitólio, reduto boêmio da cidade. O grupo era assíduo
frequentador da casa. Tinha uma mesa cativa, sempre com a presença fiel de
"figuras" tradicionais da cidade. Nesses encontros dominicais, os
assuntos principais eram as proezas do final de semana. Chico Butuca, amigo
inseparável de Eucivaldes, com as suas historias minuciosas, era o narrador mais
esperado daquelas noites.
- Vamos aproveitar que o Eucivaldes
ainda não chegou, pois tenho uma história fantástica dele!
Deu um sinal para Hermano, o eterno barman, trazer uma "cachaça
São Luiz". Ao seu lado estava "Lorota", que pediu para pagar uma
para ele também, com um argumento triste e ao mesmo tempo convincente:
- Sabe Chico, a pior coisa que pode acontecer a um homem
é estar com vontade de tomar uma, não ter dinheiro, e o dono do bar não querer
vender fiado!
Servidas as cachaças, Chico sorveu um gole, estalou os
lábios, acendeu o seu Continental sem filtro, fez uma pausa e caiu numa grande
gargalhada. Ninguém entendeu nada, mas a encenação despertou a curiosidade de todos.
- Estávamos sábado fazendo o footing na praça. A "Ritz", nos seus autofalantes, tocava
grande sucesso de "Papo de Corvo".
Lorota de pronto cantarolou, acompanhado por todos da
mesa: "Domingo é dia de dar volta no
jardim, vai ser legal, vai ser legal".
Chico interrompeu a contaria e continuou:
- Quando vimos duas princesas. Idênticas! Olhei para o Eucivaldes
e o vi de boca aberta. Nem discutimos quem ia ficar com quem. Eram iguaizinhas!
Estávamos perto do coreto. Elas passaram uma, duas vezes, trocamos olhares e,
na terceira vez, eu fiz um sinal com o dedo nos lábios de que queríamos falar
com elas. Na volta seguinte, elas pararam. Marina e Mariana, duas gêmeas.
Angelicais!
- Nos apresentamos e conversamos um pouco. Logo
elas nos convidaram para ir ver retrato de casamento no Foto Parodi, pois
tinham de contar para a mãe, em detalhes, como eram os vestidos das noivas e
madrinhas. Eucivaldes não ficou muito animado. Na verdade, estava meio
desconcertado. Em frente ao Bar Jardim, ele deu uma desculpa de ir ao banheiro,
e ficamos de esperá-las na volta. Foi o tempo de tomarmos três chopps do
Prezotto, e elas apareceram, refesteleiras, comentando cada detalhe dos vestidos
das noivas.
Descemos
até a esquina da praça com o Cine Marajoara, embaixo do caramanchão. Contaram
elas que os pais eram muito religiosos e enérgicos e não queriam saber que elas
namorassem. Seus dois irmãos, gêmeos também, chegariam por volta das nove e meia
para buscá-las. Olhei no relógio e ainda tínhamos pouco mais de uma hora. A
conversa foi esquentando, os primeiros beijos saíram ali mesmo na praça e foram
ficando mais quentes. Elas, definitivamente, não eram tão angelicais assim.
Eu
já não aguentava mais. Chamei o Eucivaldes de lado e falei:
- Vamos para a "Biquinha"?
No que ele concordou
na hora. Fizemos a proposta, e as gêmeas, animadíssimas, toparam.
Na mesa do Capitólio, ninguém dava um único piu. Todos
atentos na narrativa, e alguns, possivelmente, excitados com a história. Chico Butuca
terminou o cigarro, tomou um último gole e continuou.
- Descemos até a Biquinha. Combinei com o Eucivaldes que
o primeiro a "terminar" daria um assobio. Ficamos ali uns três
quartos de hora, mais ou menos. Como não ouvi nada, esperei mais uns cinco minutos
e assobiei. Ele gritou que poderíamos ir. Elas se despediram na esquina da
Comendador e preferiram seguir pelo Jardim da Cadeia. Não deveríamos acompanhá-las,
tinham receio de encontrar os seus irmãos.
Eucivaldes e eu subimos a ladeira e, quando dobramos a
esquina do Grêmio, ele me convidou para tomar uma gelada no Bar Belém. Disse que
tinha um assunto para tratar com o Olívio e, também, que estava com muita sede.
Tomamos várias, com rabo de galo para quebrar o gelo.
Chico deu uma pausa, tomou mais um gole e continuou a
narrativa:
- Para fazê-lo se abrir comigo, inventei alguns detalhes
picantes que tinha acontecido comigo na Biquinha. Mas ele sempre mudava de
assunto. Várias rodadas de bebidas, e nada de Eucivaldes abrir o bico. Calado e
amuado. Pagamos a conta e, já meio altos
das bebidas, começamos a nossa volta para casa. Bom, dois bêbados juntos é
sinal de vontade de tomar uma saideira. Foram apenas 50 metros até o bar do
Português. Depois da terceira rodada, consegui tirar a confissão:
- Como é "fez ou não fez?", falei meio bravo e
sem paciência. Eucivaldes virou numa
talagada só o rabo de galo, deu uma arrepiada da cabeça aos pés. Respirou fundo,
e falou com a sua inocência:
- Não aconteceu nada Chico... Eu fiquei ali com ela,
estava com muita vontade, até trocamos uns beijos... Mas... Ela não tomou
nenhuma iniciativa. Você me conhece... Sou respeitador! Eu esperava uma dica...
E ela não deu a dica! Então, quando você assobiou, viemos embora.
*Os locais e os bares são
reais. Esta é uma obra de ficção, apesar de qualquer semelhança nomes, pessoas,
fatos, acontecimentos ou fatos da vida real terá sido mera coincidência.
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Nem o Google explica a Nova Era
Outubro de
alguns anos atrás . Eleições numa pequena e típica cidade do interior paulista
que, como quase todas, tem suas peculiaridades e seu dicionário próprio. Os
eleitores, cansados dos antigos mandatários, queriam mudanças políticas e
administrativas.
Elegeram um novo
prefeito, apadrinhado de um antigo e prestigiado ex-prefeito. Euforia total.
Agora a cidade iria entrar nos trilhos! Nas redes sociais, ferviam elogios ao
novo e jovem alcaide. Sem coronéis, excetuando o padrinho. Era o início de uma
Nova Era “para reconstruirmos nossa cidade”, como a administração mencionou no
seu primeiro carnê de IPTU.
Após o
descanso merecido pós-eleitoral, o jovem prefeito iniciou a transição e a composição
do futuro secretariado. Tudo feito com muita democracia, participação popular, transparência
e critérios. Os nomes de vários secretários foram definidos, previamente, pela
alta cúpula estadual do partido. Soldados fiéis, de pronto aceitaram e, após
consultarem o Google Maps, encontraram a nova terra prometida.
Os novos
secretários foram apresentados na cerimônia do beija-mão. Evento concorridíssimo.
O responsável pelo cerimonial, um dos funcionários mais antigos da
municipalidade, fazia três perguntas logo na entrada: o nome, gente de quem e o cargo. Anotava num
pequeno cartão para ser anunciado na apresentação. Após cada fala, sempre
ovacionada com vivas e aplausos, todos prometeram fidelidade ao novo prefeito e
ao seu projeto de uma Nova Era de poder.
Aberta a palavra ao assessor responsável pela
transição, nativo da terra, este fez algumas recomendações para os secretários
de três áreas: trânsito, obras públicas e segurança:
- Senhores, precisamos de atitudes que
demonstrem ao povo que nossa cidade vai mudar. Uma Nova Era se inicia neste momento! Para
tanto, é preciso algumas ações rápidas e precisas! Essas ações irão mostrar o
dinamismo de nosso prefeito e de nossa administração. Vou dar três exemplos do que podemos fazer: o
trânsito na cidade parece piada de português.
Principalmente nas ligações do Cubatão
com o Curintinha e do IAPI ao Coroado e o cruzamento da
Vila da Prata. Mas não se esqueçam do Pito
Aceso e do Sapo! Acertem o trânsito nesses
pontos que vamos começar com uma imagem positiva perante a opinião pública.
O preposto a
novo diretor do trânsito de pronto retrucou:
- Vou
estudar com carinho, mas o sapo é com o Meio Ambiente!
O assessor
nativo continuou:
- Para
obras, Bentinho, nosso assessor
responsável pela rádio peão, teria “ouvido
falar qualquer coisa” no Jardim da Cadeia
que, desde que a época em que Pinhá
pediu, ainda não limparam o Rego do Xofe.
Quando chove, a vizinhança da Dita
Maranhão fica em perereco. Com
esta obra bem feita, vamos mostrar a eficiência do nosso serviço público. E, para
finalizar, a segurança: tem muito ligeira
na Rodoviária. Tirando os ligeiras da
cidade, vamos mostrar que estamos empenhados e preocupados com a segurança da
cidade.
O Google novamente
foi acionado: Cubatão, IAPI, Coroado, Vila da Prata, Jardim da Cadeia, ligeiras,
rego de quem? "Do que, diabos, ele
está falando?, indagou o secretário de planejamento ao colega ao lado. "Deve
ter endoidado ou tomado umas."
Terminada a reunião, o cerimonial anunciou o churrasco de
confraternização e entregou a todos os convites. Por economia, deveriam trazer as suas
bebidas.
- A vasca estará
repleta de gelo, avisou o chefe do cerimonial. No local vão encontrar uma ampla
área de lazer com boléu para as
crianças brincarem, um belo calipá para
caminhadas e um rapadão. Portanto, todos
devem trazer no sapicuá a bicanca
para uma pelada. No calipá, já foi
passado um bom detefom para matar os carrapatás
e a pioiada. O convescote será realizado num
aprazível sitio de fácil acesso no Bairro
dos Tontos, perto da Ponte Nova.
Dos secretários
"estrangeiros", nenhum compareceu. Não acharam o local no Google Maps
e ficaram com vergonha de perguntar aonde era o bairro. Outros ficaram mais receosos
ainda com a vasca, o sapicuá, a bicanca e o carrapatá.
O boléu, então, foi decisivo:
- Quem em sã
consciência deixaria uma criança brincar em um boléu!, exclamou veementemente um dos
secretários
Não iriam correr riscos e passar vergonha, alegaram
compromissos “anteriormente” assumidos por suas esposas. Tomaram posse, mas continuaram
sem entender nada da cidade. O salário, porém, o compensava.
* Esta é uma obra de ficção, qualquer
semelhança nomes, pessoas, fatos, acontecimentos ou fatos da vida real terá
sido mera coincidência.
**Em caso de dúvidas, acesse o Glossário no próximo post
Artigo publicado no Jornal de Itatiba, Coluna Opiniões em 14/10/2018
Glossário do artigo Nem o Google Explica a Nova Era
Glossário por ordem de
apresentação no texto
Beija Mão: Tradição da
monarquia portuguesa de reverência a personalidades eminentes.
Gente de quem: Pergunta
frequente que a comerciante Maria Abraão fazia aos seus fregueses. Geralmente a
pergunta era direcionada aos filhos de seus fregueses que, com a mercadoria na
mão, pediam para marcar na caderneta mensal (fiado).
Cubatão: região da Rua
Prudente de Moraes
Curintinha. Faz parte da vila
Cristo Redentor
I. A.P. I: Antiga vila
operária no bairro das Brotas.
Coroado e Vila da Prata: respectivamente Núcleo
Residencial Afonso Zupardo e Núcleo Residencial Carlos Borella. Estes
dois bairros receberam estes apelidos devido à novela "Irmãos
Coragem" veiculada na Rede Globo, no inicio da década de 1970.
Pito Aceso: região da Av. 29
de abril
Sapo: Bairro localizado
entre as avenidas Independência e Lacerda Franco e Rua Aristides Lobo
Radio Peão: Nome informal dado a uma rede de rumores dentro da política. Responsável
pelas propagações de fofocas ou notícias falsas. Hoje o fake news.
Jardim da Cadeia. Praça José
Bonifácio
Pinhá. Apelido do ex-vereador
Benedito Campos Pupo. Homem humilde e
operário da Industria Têxtil Pabreu, Dito Pinhá com a sua simplicidade conquistava a todos. Foi
eleito vereador em Itatiba em três
mandatos ( 1956-1960, 1963 – 1968 e 1969 -1972). Nestes períodos os vereadores
não eram remunerados.
Rego do Xofe. O Córrego do Cioffi percorre
praticamente toda a Rua Campos Sales. Nasce nas proximidades da rua professor
Brito e deságua no Ribeirão Jacaré, próximo a Universidade São Francisco. Hoje,
segundo a ONG Jappa, um dos córregos mais poluídos de Itatiba.
Dita Maranhão – Benedita de Oliveira. Cozinheira, líder da comunidade, religiosa e carnavalesca. Residia na Campos
Sales com Piza a Almeida. Organizava festas religiosas como a de São
Benedito no largo do Rosário e as de São Pedro, São João e Santo Antonio onde
hoje é o Clube Sete de Setembro.
Perereco: quando dá tudo
errado, nada funciona.
Ligeira: andarilhos, moradores
de rua.
Vasca: Tanque de lavar
roupa
Boléu: balanço para crianças,
geralmente feito com uma placa de madeira ou pneu, amarrado com cordas em uma
arvore.
Calipá: Plantação de
Eucaliptos
Rapadão: Campinho de
futebol, geralmente sem grama.
Sapícua: mochila, bolsa.
Bicanca: chuteira
Carrapatá: local cheio de
carrapatos
Pioiada: Local cheio de
piolhos
Bairro dos Tontos. Local onde hoje está
instalado o Auto Posto Três Irmãos, na Rodovia
D. Pedro I.
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