quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

PAPAI NOEL: VEREADORES APROVARAM O PRÓPRIO 13º


    A Câmara Municipal de Itatiba viveu seu momento histórico. Não foi a inauguração de uma grande obra, tampouco uma reforma estrutural ou um salto civilizatório. Foi algo maior. Muito maior. Composta por aproximadamente 90% de vereadores de direita — alguns orgulhosamente abrigados no espectro da extrema direita — protagonizou um ato de rara sensibilidade social: concedeu a si mesma o direito ao 13º subsídio. Sim, é isso mesmo, nossos nobres representantes abraçaram com fervor os direitos trabalhistas.

Inspirados, quem sabe, pelas políticas públicas do presidente Lula — como a isenção e a redução do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais — somadas ao debate nacional sobre o fim da escala 6x1, os vereadores identificaram o ambiente perfeito. Convictos, trataram de aprovar o benefício rapidamente. Se o país passou a respirar justiça social, seria quase um contrassenso deixar os vereadores — até os mais conservadores — fora desse novo ar progressista: representar o eleitor sem o sagrado direito ao 13º é sacrifício demais.

A decisão no plenário veio envolta numa aura de justiça social nunca vista desde a última sessão solene. E tudo isso, registre-se, com absoluto zelo pela responsabilidade fiscal, aplicada com critério conservador: rigor para evitar sobra de dinheiro; criatividade para gastá-lo e convicção para jamais devolver o duodécimo, a parcela mensal do orçamento da Câmara que, se não utilizada, poderia até ser devolvida à prefeitura para reforçar áreas como saúde e educação.

Mas não parou por aí. Embalados pelo entusiasmo revolucionário e já aquecendo os motores para as eleições de 2028, os vereadores decidiram ir além. Com o mesmo espírito progressista que os move quando o assunto é o próprio bolso, concederam aos futuros parlamentares — aqueles que tomarão posse a partir de janeiro de 2029 — um singelo reajuste nos subsídios, que salta dos atuais R$ 11.881,54 para 13 parcelas de R$ 17.387,32. Uma vitória histórica: 31,66% de aumento contra a precarização do mandato legislativo.

Assim surgiu uma nova legislatura trabalhista em Itatiba, revolucionária, porém criteriosa. Progressista, mas apenas até a borda do próprio bolso e que somente descobrem a luta de classes ao olhar o seu contracheque. No fim, fica a lição: ideologia é importante, discurso é fundamental, mas nada une mais esquerda e direita como um bom benefício aprovado em causa própria. 

E viva a revolução, desde que seja bem remunerada e em 13 parcelas.




N.A. 1 – O Projeto de Resolução nº 42/2025 foi o instrumento legal que autorizou a concessão do 13º salário aos vereadores da Câmara Municipal de Itatiba, aprovado na sessão de 12/12/2025. 

N.A. 2 – Na mesma sessão legislativa, foi aprovado o Projeto de Lei 106/2024, que dispõe sobre os valores dos subsídios do prefeito, do vice-prefeito e dos secretários municipais, com vigência a partir de janeiro de 2029, nos seguintes montantes: prefeito, R$ 36.048,73; vice-prefeito, R$ 14.582,75; secretários municipais, R$ 24.304,59; secretários adjuntos, R$ 17.013,20.


 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

ELEIÇÕES: O VOTO QUE TEMOS…O VOTO QUE QUEREMOS

 


No artigo da semana passada, analisei os números das eleições de 2022, e o diagnóstico foi claro: o eleitor itatibense votou, mas não elegeu. O resultado disso foi que Itatiba ficou sem voz e sem força política. Diante desse cenário, surge a pergunta inevitável: como transformar voto em representação, e essa representação, em resultados reais para Itatiba?

Uma possível resposta existe, é simples e está em debate no Congresso: o Voto Distrital Misto (VDM). Esse modelo busca equilibrar dois princípios fundamentais: representação territorial e representação proporcional. Em poucas palavras, metade das cadeiras representa os distritos, metade reflete as forças políticas da sociedade. É uma tentativa de unir o melhor dos dois interesses políticos, aproximando o eleitor do deputado eleito sem abrir mão da pluralidade partidária.

Com o Voto Distrital Misto (VDM), o eleitor passa a ter dois votos independentes:

1️⃣ Voto para o Distrito (majoritário): esse voto serve para escolher o representante direto da região onde o eleitor mora. Para a Câmara Federal, o estado de São Paulo seria dividido em 35 distritos, com Itatiba formando um deles, possivelmente junto a municípios vizinhos. Nesse modelo, o mais votado no distrito é eleito — simples assim. Sem quociente eleitoral, sem puxadores de votos ou cálculos que distorcem a lógica do resultado. Quem tem mais votos, leva.

2️⃣ Voto para a Lista Partidária (proporcional): o segundo voto permite fortalecer o partido com o qual o eleitor se identifica. Cada legenda apresenta uma lista prévia de nomes, ordenada internamente. O eleitor não escolhe um candidato individual — escolhe o partido. Somam-se os votos da sigla com os de seus candidatos e, pelo quociente partidário, define-se quantas cadeiras terá o partido. Após isso, entram os nomes da lista, na ordem que a própria legenda determinou.

Resultado: metade do parlamento ganha rosto e território; a outra metade mantém equilíbrio partidário. Cidades como Itatiba deixam de disputar atenção com o estado inteiro e concorrem dentro de seu distrito. As chances de eleger alguém comprometido com a cidade aumentam como nunca.

        🏛 Como ficam a Câmara Federal e a ALESP?


CASA LEGISLATIVA 

CADEIRAS

DISTRITAIS

LISTA PARTIDÁRIA

Câmara Federal

70

35

35

ALESP

94

47

47


Só que o VDM também tem um grande ponto sensível — e sério!

Nenhum sistema eleitoral é perfeito, e o Voto Distrital Misto não foge à regra. Metade das cadeiras continuará sendo definida por listas partidárias, e aí está o risco: quem controla a lista, controla a Casa. No modelo de lista fechada, o eleitor vota no partido, não na pessoa. Quem decide quem entra primeiro na lista são os chefes dos partidos, geralmente dominados por dirigentes antigos, caciques e decanos que circulam há décadas no poder. Ou seja: o eleitor vota na legenda, mas não escolhe quem assume. 

Ainda existe um risco tão ou mais preocupante: se um criminoso, miliciano, terrorista ou alguém ligado a organizações ilícitas assumir a presidência de um partido, ele, possivelmente, será o primeiro da lista. Resultado? Poderá tornar-se deputado sem pedir um único voto e com recursos públicos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral. Sem campanha. Sem debate. Sem rua. Simples assim, e perigosamente simples. E o mais grave: uma vez eleito,  desfruta das prerrogativas do cargo, blindagens, foro privilegiado e verbas do orçamento secreto, o que pode transformar o mandato em escudo para garantir impunidade.

Não é ficção — é a consequência direta de um sistema que, embora avance na representatividade regional, ainda mantém a porta aberta para distorções graves nas estruturas partidárias.

O sonho (im) Possível: o Voto Distrital Puro

Se o VDM é um avanço, o Voto Distrital Puro representa o horizonte ideal. O modelo mais simples, mais direto e mais transformador. Nele não existe lista partidária, nem quociente eleitoral, nem efeito-arrasto. Cada distrito elege um representante — e ponto. Quem ganha, assume. Quem perde, volta para casa. Os benefícios são claros:

✔ Representatividade real e imediata.
✔ Proximidade entre eleitor e eleito.
✔ Responsabilidade direta: sabemos quem cobrar.
✔ Fim dos “caroneiros” eleitos pelos votos alheios.
✔ Campanha mais barata.
✔ Foco local, não nacional.

Seria o cenário definitivo: Itatiba deixa de ser figurante e ocupa o protagonismo. Sem depender de celebridades digitais, sem servir como trampolim para ninguém. Um representante que fosse a voz da cidade. E se não funcionar, na próxima eleição o eleitor troca. Democracia simples, devolvida ao dono original: o cidadão.

O futuro estará nas mãos de quem vota.

Nas próximas eleições de 2026, continuaremos sob o modelo atual — o mesmo que já mostrou, numericamente, que Itatiba vota… mas não leva. O futuro ainda estará nas mãos de quem vota — não de quem promete. Então, teremos novamente duas escolhas: repetir o erro e continuar invisíveis ou votar com consciência e fazer o voto dos itatibenses ter valor. 

O sistema pode até mudar um dia — mas até lá, quem muda o destino de Itatiba é o eleitor. Representatividade não se ganha — se conquista no voto.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

ITATIBA VOTA, MAS NÃO ELEGE


Com pouco mais de 80 mil eleitores, a cidade vive uma crise silenciosa. A cada quatro anos, o itatibense vai às urnas, participa, escolhe e vota, mas não elege ninguém que fale por nós. No sistema proporcional, nossos votos para os deputados estaduais e federais se perdem no oceano de milhões que formam o estado de São Paulo. O resultado é previsível: não conseguimos eleger representantes e seguimos sendo uma cidade sem voz em São Paulo ou Brasília. 

Os mais votados em Itatiba são, em geral, são os midiáticos, os que dispõem de campanhas milionárias, os que recebem o apoio de vereadores e ex-vereadores, e os que surfam na polarização entre direita e esquerda. A cada quatro anos, a cidade é invadida por um enxame de “paraquedistas”, candidatos sem vínculo com Itatiba que só aparecem em época de eleição. Para piorar, as eleições nacionais são usadas por políticos locais como um laboratório para medir sua popularidade e como palanque para consolidar o nome à próxima eleição municipal.

 O resultado dessa avalanche de candidatos foi cristalino nas eleições de 2022: os sete candidatos mais votados para federal em Itatiba somaram 25.047 votos — 42,47% dos válidos. Itatiba, efetivamente, não elegeu ninguém. O cenário fica desconfortável quando olhamos quem recebeu a confiança do itatibense:

  • Com 3.641 votos, uma deputada conhecida por suas trapalhadas e que protagonizou um vexame armado em plena campanha, hoje se encontra “hospedada” em um presídio na Itália.

  • Com 3.523 votos, um deputado que fez as malas, deixou o mandato e atravessou o continente em direção aos EUA. Hoje, vive como exilado voluntário para não encarar a Justiça brasileira.

  • Com 2.356 votos, um deputado e ex-ministro que confundiu política ambiental com negócios florestais. Responde no STF por contrabando de madeira.

  • 7.052 votos foi a votação de três aspirantes que nem o próprio partido conseguiu salvar. 

  • 8.475 votos. Esse foi o total do candidato mais votado — um filho da terra. Esses votos não ajudaram o partido e nem resultaram representatividade para Itatiba. Estão engavetados pela Justiça Eleitoral, sem definição — e, na prática, serviram somente para dar visibilidade ao candidato no período eleitoral.


Para a Assembleia Legislativa, o cenário foi semelhante. Os dois candidatos mais votados — ambos nativos da cidade — concentraram 41,35% dos votos válidos em Itatiba. Um desempenho expressivo, especialmente considerando que nenhum deles fez uma campanha relevante fora de Itatiba. Afinal, o objetivo não era uma cadeira na ALESP, mas medir forças e terreno para a eleição municipal de 2024. 

Itatiba vota, mas não elege. A pergunta é inevitável: como transformar voto em força política real? A resposta é simples: depende de quem colocamos lá. Em 2022, o eleitor itatibense apostou em candidatos que usam Itatiba como trampolim político e vitrine pessoal; votou na polarização, na simpatia, na fama digital e até em quem não sabe apontar Itatiba no mapa. Abrimos mão de representatividade, verba, de projetos e do nosso próprio futuro.

Falta, então, a pergunta principal: como transformar voto em representação — e essa, em resultados reais para Itatiba? A resposta existe, é simples e já está em debate no Congresso: o Voto Distrital Misto (VDM). Com ele, metade dos deputados seria eleita por distrito (regiões menores, como Itatiba e cidades próximas) e a outra metade por lista partidária, garantindo equilíbrio entre representação regional e força política dos partidos.

Nas eleições de 2026, não teremos o voto distrital, por isso, se queremos representação, temos que escolher melhor: com critério, com memória e com responsabilidade. O eleitor itatibense precisa pensar como o presidente Trump pensa nos EUA: em primeiro lugar, Itatiba. Depois, Itatiba. E, se sobrar tempo, novamente em Itatiba. 

No próximo artigo, falarei sobre o Voto Distrital Misto, a possível resposta que esperamos para a falta de representatividade de Itatiba.

Até lá!

Fabio Chrispim Marin

Consultor de Comunicação, Marketing Estratégico e Político

 

sábado, 29 de novembro de 2025

MIOPIAS QUE COMPROMETEM O FUTURO DE ITATIBA



Nos próximos anos, os municípios brasileiros enfrentarão uma transformação profunda em suas finanças com a entrada em vigor da Reforma Tributária.

Enquanto cidades já se movimentam com planejamento e visão de futuro, Itatiba demonstra sinais claros de uma miopia administrativa, colocando-se em desvantagem competitiva e diante de uma séria ameaça ao seu próprio futuro.

A Reforma Tributária criará o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que substituirá o ISSQN e o ICMS. O cronograma é claro: início em 2026, com transição progressiva até a migração completa em 2033. Na prática, os municípios deixarão de gerir diretamente sua principal receita própria relacionada ao setor de serviços e enfrentarão dois retrocessos significativos:

  1. Perda de Liquidez Imediata: Atualmente, o ISSQN entra no caixa da prefeitura no mês seguinte à emissão da nota fiscal. Com o IBS, o repasse será centralizado e, posteriormente, rateado entre estados e municípios. Isso significa que o dinheiro chegará com atraso, comprometendo o fluxo de caixa e a capacidade imediata de gestão.
  2. Fim da Previsibilidade Orçamentária: O ISSQN é estável e reflete diretamente a economia local. Já o IBS, por depender da economia nacional e de critérios complexos de rateio, transformará o planejamento financeiro em um exercício permanente de incerteza.

A Reforma criará um verdadeiro divisor de águas. Os municípios que se prepararem desde já sairão na frente. Já aqueles que insistirem em uma visão curta e míope — como Itatiba — verão suas receitas encolherem progressivamente, perdendo competitividade e capacidade de investimento.

Os números de Itatiba e região

Um estudo do economista Gildo Canteli*, publicado no portal do Jornal de Jundiaí, escancara essa realidade. Itatiba ocupa a 8ª posição em desempenho de receitas próprias per capita entre os 13 municípios da Região Ampla de Jundiaí*. O ranking de Canteli compara o desempenho de IPTU, ISSQN e ITBI e mostra, diretamente, quanto cada habitante contribuiu, em média, para os cofres municipais. Os dados evidenciam a distância entre o desempenho econômico de Itatiba e o observado na região.

REGIÃO AMPLA DE JUNDIAÍ - ECONOMISTA GILDO CANTELI
RECEITA PRÓPRIA PER CAPITA DE IMPOSTOS MUNICIPAIS
ANO BASE 2024 EM R$

MUNICÍPIO IPTU ISSQN ITBI TOTAL
CAJAMAR807,471.551,18164,692.523,34
VINHEDO889,321.003,19234,812.217,32
ITUPEVA983,34834,04321,292.138,67
JUNDIAÍ554,091.268,55308,682.130,32
VALINHOS898,531.022,63185,102.106,56
LOUVEIRA523,84881,75507,371.912,96
JARINÚ685,10690,52245,851.621,47
ITATIBA721,49638,31148,621.509,42
CABREÚVA261,07644,7796,671.002,51
CAMPO LIMP PTA461,06244,6644,58750,32
PIRAPORA B.JESUS280,06253,3426,28559,68
VÁRZEA PAULISTA299,32202,3751,30552,99
MORUNGABA155,88293,0763,12512,07

A tabela acima é uma prova concreta da miopia administrativa de Itatiba, que continua negligenciando a única saída para um futuro próspero: o fortalecimento agressivo de suas receitas próprias.

A Miopia em Números Oficiais

Os dados do Portal da Transparência da Prefeitura expõem um diagnóstico claro e alarmante sobre a saúde financeira de Itatiba. Tanto o IPTU quanto o ISSQN, que deveriam funcionar como pilares sólidos do orçamento municipal, apresentam desempenho frágil e aquém do potencial da cidade. Essa miopia fiscal aprofunda a dependência de repasses governamentais e evidencia o subaproveitamento da nossa capacidade de gerar receita própria. A tabela abaixo, mostra a evolução da arrecadação entre 2021 e 2025:

ANO IPTU ISSQN
20217,24%8,10%
20229,37%*8,32%
20236,98%8,80%
20246,56%8,70%
2025*6,76%8,72%
Média7,38%8,53%
  • IPTU em colapso: trajetória em queda, com a média no período de 7,38%.
  • ISSQN estagnado: a participação oscila em uma faixa muito estreita (8,10% a 8,80%), com média de 8,53% e sem qualquer tendência de crescimento.

A arrecadação de Itatiba encontra-se, portanto, em plena letargia. A inação pode custar caro. Se persistir, essa miopia fiscal deixará Itatiba cada vez mais vulnerável diante dos desafios que já se desenham com a Reforma Tributária.

A conta já chegou…

Itatiba já sente, na prática, os efeitos de não ter construído ao longo dos últimos anos uma política consistente de desenvolvimento econômico, especialmente nos setores de serviços, logística, turismo e no apoio às PMEs. São áreas estratégicas para qualquer cidade que busca crescimento sustentável, mas que, aqui, foram — e continuam sendo — tratadas com uma visão curta e limitada… verdadeiramente míope. Os números apresentados ao longo deste artigo escancaram essa realidade: há uma miopia crônica na condução econômica do município.

A atual falta de recursos da Prefeitura — que já impôs cortes na saúde e em diversos serviços públicos — não é acaso. É o resultado direto da ausência de políticas permanentes de desburocratização, estímulo ao empreendedorismo e fortalecimento das atividades econômicas locais. Políticas que, se existissem, teriam ampliado a base de arrecadação e atraído novos investimentos. Itatiba tem plenas condições de liderar a Região Ampla de Jundiaí, mas a estratégia adotada pelo prefeito tem reduzido a cidade a um mero papel secundário.

Ainda há tempo para o prefeito decidir qual legado deixará: conduzir Itatiba ao patamar de uma das economias mais fortes e competitivas da região ou desperdiçar, em oito anos de mandato, a chance histórica de transformar a estrutura econômica da cidade. Fazer de Itatiba uma referência de desenvolvimento econômico e social depende de escolhas — e o momento de escolhê-las é agora.

Fabio Chrispim Marin
Consultor de Comunicação, Marketing Político e Estratégico

Notas:

  • *IPTU e ISSQN de 2025: como o ano ainda não terminou, os índices podem sofrer alterações.
  • *Região Ampliada de Jundiaí: Cabreúva, Cajamar, Campo Limpo Paulista, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Louveira, Morungaba, Pirapora do Bom Jesus, Valinhos, Várzea Paulista e Vinhedo.

Fontes:

  • *Portal Transparência da Prefeitura de Itatiba
    https://transparencia-itatiba.smarapd.com.br/#/
  • *Estudos do economista Gildo Canteli sobre as arrecadações dos municípios da Região Ampliada de Jundiaí:
    https://sampi.net.br/jundiai/noticias/2919118/opinioes/2025/07/receita-per-capita-de-impostos-municipais-no-ano-base-2024

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Thomás poderá ser prefeito por 14 anos consecutivos.

 



Em Brasília, tramita a PEC 12/2022, que propõe extinguir a reeleição para chefes do Executivo — presidente, governadores e prefeitos — e ampliar os mandatos para cinco anos. O texto, porém, ganhou novas dimensões com uma emenda que pode transformar profundamente o cenário político dos municípios: a unificação de todas as eleições brasileiras a partir de 2034, alinhando em um único pleito as disputas municipais, estaduais e federais. 

Para viabilizar essa unificação, seria criada uma regra de transição inédita: prefeitos eleitos em 2020 e reeleitos em 2024 poderiam concorrer novamente em 2028. Um ciclo excepcional de três mandatos consecutivos.

Se a PEC avançar, as eleições de 2034 poderão se tornar as mais complexas da história democrática do país. Em um único dia, o eleitor teria que escolher presidente, dois senadores, deputados federal e estadual, governador, prefeito e vereador. Uma verdadeira maratona eleitoral, que tende a gerar filas extensas, elevar os índices de abstenção, votos brancos e nulos.

Os municípios seriam os principais prejudicados. Suas pautas — mobilidade, saúde, habitação, segurança, empregos, educação — seriam engolidas pela polarização nacional e pela disputa ideológica que domina as eleições gerais. O eleitor ficaria soterrado pelas narrativas nacionais, enquanto temas essenciais do seu dia a dia perderiam espaço. Essa dinâmica abriria caminho para fenômenos típicos da política nacional, como candidatos desgastados em suas regiões, buscarem projeção em outras cidades. Não seria impossível imaginar, por exemplo, alguém associado ao clã Bolsonaro disputar alguma prefeitura, sem sequer conhecer a cidade pretendida, como Carlos, que almeja ser senador por Santa Catarina. 

A possibilidade de mais uma reeleição pode gerar um revés histórico e frustrante para diversas lideranças políticas  que já se articulam para disputar uma Prefeitura nas eleições de 2028.  Muitos desses nomes possuem planejamento estruturado, grupos organizados, base social ativa e discurso pronto para 2028. A partir desse novo cenário, novas estratégias precisam ser definidas para competir com quem está com oito anos de mandato e com possibilidades reais de permanecer mais seis anos no comando da cidade. 

Nesse ambiente de incertezas, cada movimento político passa a valer dobrado. A forma como as lideranças reagirem ao novo tabuleiro definirá não somente 2028, mas o próprio destino de seus projetos. A polarização, com a unificação das eleições ou não, estará presente nas disputas municipais, e muitos oportunistas tentarão surfar nela para esconder a ausência de propostas locais. Cabe ao eleitor ficar atento a quem dedica mais energia aos seus ídolos de Brasília do que à sua própria cidade. 

Agora, quanto ao eventual terceiro mandato de Thomás, tudo dependerá do destino da PEC 12/2022 — e de uma combinação complexa de variáveis que começam muito antes da urna. Se a PEC passar, Thomás só terá chances reais caso consiga manter altos índices de aprovação, comunicar com precisão suas entregas, neutralizar crises e criar uma narrativa de continuidade indispensável para a cidade. 

Do outro lado, seus adversários jogarão pesado. Além de produzir agendas positivas, poderão explorar vulnerabilidades, amplificar desgastes, tensionar erros administrativos, com o objetivo de provocar crises políticas, de narrativas ou institucionais. Entrarão no jogo ainda a ocupação de territórios digitais, alianças inesperadas e tentativas de nacionalizar — ou municipalizar — temas conforme lhes convier.

No fim, o tabuleiro não será somente jurídico ou administrativo: será comunicacional, emocional e narrativo. E quem dominar essas variáveis chega competitivo a 2028 — com ou sem PEC.

Fabio Chrispim Marin

Consultor de Comunicação, Marketing Estratégico e Político





sexta-feira, 14 de novembro de 2025

O Presente que o “Mercadão” pede em Silêncio

 





O aniversariante de novembro, o “Mercadão Dona Lica”, comemorou mais um ano de história com direito a retreta da Banda Santa Cecília e até bolo de aniversário — uma justa homenagem a um espaço que, há 41 anos, faz parte da memória afetiva de Itatiba.

Talvez o melhor presente que ele pudesse receber neste aniversário fosse algo mais duradouro: um projeto de lei ou decreto municipal que regulamentasse a transferência dos boxes para novos empreendedores, garantindo a vitalidade comercial e a ocupação plena do espaço. Hoje, o entrave nas transferências provoca um problema visível com os boxes vazios: a perda de dinamismo. Por ser um prédio público, o “Mercadão” funciona sob o regime de permissão de uso, e seus boxes são concedidos por licitação, na modalidade leilão. Vence quem oferecer o maior valor pela chamada “joia”. No entanto, a legislação impede a venda ou transferência dessa permissão. Assim, quando o permissionário decide encerrar as atividades, é obrigado a devolver o box ao município, que precisa abrir novo processo licitatório — um trâmite lento, burocrático e desestimulante.

Essa rigidez legal tem um custo alto: desocupações prolongadas e queda no movimento. Por isso, é urgente que o poder público encontre um caminho jurídico equilibrado, que permita a continuidade dos negócios e a chegada de novos empreendedores, sem ferir os princípios da legalidade. Um bom exemplo vem de São Bernardo do Campo, que criou um procedimento regulamentado para a transferência de permissão de boxes. O modelo, simples e transparente, reduziu drasticamente a vacância, aumentou o faturamento geral e o fluxo de visitantes — um resultado que pode ser facilmente replicado em Itatiba.

Apesar dos desafios, o “Mercadão Dona Lica” segue sendo um espaço pulsante, com uma praça de alimentação acolhedora, já consolidada como ponto de encontro de amigos e famílias. É um universo de cores, sabores e produtos regionais: bancas de agropecuária, pesca, hortifruti, temperos, massas, doces, uma infinidade de bebidas e queijos. Um cenário que encanta qualquer amante da boa gastronomia. Mais do que um centro de compras, é um espaço de convivência e cultura, símbolo da identidade itatibense, que precisa ser revitalizado comercialmente, com políticas inteligentes e gestão moderna.

Os mercados municipais vêm se reinventando. O segredo tem sido a combinação de gestão eficiente, regulamentação moderna e estratégias de marketing bem planejadas, que valorizam o comerciante e a experiência do visitante. Em Campinas, o Mercado Municipal passou recentemente por uma ampla revitalização física e de marca, transformando-se em polo turístico e gastronômico, com eventos, oficinas e campanhas que reforçam sua ligação com a cidade. Já em Sorocaba, a modernização incluiu capacitação dos permissionários e a criação de uma incubadora de pequenos negócios gastronômicos e artesanais, tornando o espaço dinâmico e inovador.

Esses exemplos comprovam que, com planejamento e visão estratégica, o “Mercadão Dona Lica” pode se consolidar como um espaço de experiências e uma vitrine do que Itatiba tem de melhor: sua hospitalidade, sua culinária e seu empreendedorismo. Itatiba abriga grandes indústrias alimentícias, um setor leiteiro de destaque e uma indústria criativa gastronômica em expansão. Aproximar esse universo do Mercadão é o passo natural para sua revitalização. Com criatividade e articulação, é possível promover degustações, mostras e feiras de produtos locais. Por meio de parcerias entre produtores e comerciantes, o espaço pode se consolidar como um palco permanente da indústria alimentícia e da cultura alimentar de Itatiba. 

O “Mercadão Dona Lica” já carrega alma e tradição; cabe à Prefeitura de Itatiba — legítima guardiã de sua marca — cumprir a obrigação histórica de devolver-lhe o brilho e o protagonismo que ele merece.

Fabio Chrispim Marin

Consultor de Comunicação e marketing Estratégico