sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

ELEIÇÕES: O VOTO QUE TEMOS…O VOTO QUE QUEREMOS

 


No artigo da semana passada, analisei os números das eleições de 2022, e o diagnóstico foi claro: o eleitor itatibense votou, mas não elegeu. O resultado disso foi que Itatiba ficou sem voz e sem força política. Diante desse cenário, surge a pergunta inevitável: como transformar voto em representação, e essa representação, em resultados reais para Itatiba?

Uma possível resposta existe, é simples e está em debate no Congresso: o Voto Distrital Misto (VDM). Esse modelo busca equilibrar dois princípios fundamentais: representação territorial e representação proporcional. Em poucas palavras, metade das cadeiras representa os distritos, metade reflete as forças políticas da sociedade. É uma tentativa de unir o melhor dos dois interesses políticos, aproximando o eleitor do deputado eleito sem abrir mão da pluralidade partidária.

Com o Voto Distrital Misto (VDM), o eleitor passa a ter dois votos independentes:

1️⃣ Voto para o Distrito (majoritário): esse voto serve para escolher o representante direto da região onde o eleitor mora. Para a Câmara Federal, o estado de São Paulo seria dividido em 35 distritos, com Itatiba formando um deles, possivelmente junto a municípios vizinhos. Nesse modelo, o mais votado no distrito é eleito — simples assim. Sem quociente eleitoral, sem puxadores de votos ou cálculos que distorcem a lógica do resultado. Quem tem mais votos, leva.

2️⃣ Voto para a Lista Partidária (proporcional): o segundo voto permite fortalecer o partido com o qual o eleitor se identifica. Cada legenda apresenta uma lista prévia de nomes, ordenada internamente. O eleitor não escolhe um candidato individual — escolhe o partido. Somam-se os votos da sigla com os de seus candidatos e, pelo quociente partidário, define-se quantas cadeiras terá o partido. Após isso, entram os nomes da lista, na ordem que a própria legenda determinou.

Resultado: metade do parlamento ganha rosto e território; a outra metade mantém equilíbrio partidário. Cidades como Itatiba deixam de disputar atenção com o estado inteiro e concorrem dentro de seu distrito. As chances de eleger alguém comprometido com a cidade aumentam como nunca.

        🏛 Como ficam a Câmara Federal e a ALESP?


CASA LEGISLATIVA 

CADEIRAS

DISTRITAIS

LISTA PARTIDÁRIA

Câmara Federal

70

35

35

ALESP

94

47

47


Só que o VDM também tem um grande ponto sensível — e sério!

Nenhum sistema eleitoral é perfeito, e o Voto Distrital Misto não foge à regra. Metade das cadeiras continuará sendo definida por listas partidárias, e aí está o risco: quem controla a lista, controla a Casa. No modelo de lista fechada, o eleitor vota no partido, não na pessoa. Quem decide quem entra primeiro na lista são os chefes dos partidos, geralmente dominados por dirigentes antigos, caciques e decanos que circulam há décadas no poder. Ou seja: o eleitor vota na legenda, mas não escolhe quem assume. 

Ainda existe um risco tão ou mais preocupante: se um criminoso, miliciano, terrorista ou alguém ligado a organizações ilícitas assumir a presidência de um partido, ele, possivelmente, será o primeiro da lista. Resultado? Poderá tornar-se deputado sem pedir um único voto e com recursos públicos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral. Sem campanha. Sem debate. Sem rua. Simples assim, e perigosamente simples. E o mais grave: uma vez eleito,  desfruta das prerrogativas do cargo, blindagens, foro privilegiado e verbas do orçamento secreto, o que pode transformar o mandato em escudo para garantir impunidade.

Não é ficção — é a consequência direta de um sistema que, embora avance na representatividade regional, ainda mantém a porta aberta para distorções graves nas estruturas partidárias.

O sonho (im) Possível: o Voto Distrital Puro

Se o VDM é um avanço, o Voto Distrital Puro representa o horizonte ideal. O modelo mais simples, mais direto e mais transformador. Nele não existe lista partidária, nem quociente eleitoral, nem efeito-arrasto. Cada distrito elege um representante — e ponto. Quem ganha, assume. Quem perde, volta para casa. Os benefícios são claros:

✔ Representatividade real e imediata.
✔ Proximidade entre eleitor e eleito.
✔ Responsabilidade direta: sabemos quem cobrar.
✔ Fim dos “caroneiros” eleitos pelos votos alheios.
✔ Campanha mais barata.
✔ Foco local, não nacional.

Seria o cenário definitivo: Itatiba deixa de ser figurante e ocupa o protagonismo. Sem depender de celebridades digitais, sem servir como trampolim para ninguém. Um representante que fosse a voz da cidade. E se não funcionar, na próxima eleição o eleitor troca. Democracia simples, devolvida ao dono original: o cidadão.

O futuro estará nas mãos de quem vota.

Nas próximas eleições de 2026, continuaremos sob o modelo atual — o mesmo que já mostrou, numericamente, que Itatiba vota… mas não leva. O futuro ainda estará nas mãos de quem vota — não de quem promete. Então, teremos novamente duas escolhas: repetir o erro e continuar invisíveis ou votar com consciência e fazer o voto dos itatibenses ter valor. 

O sistema pode até mudar um dia — mas até lá, quem muda o destino de Itatiba é o eleitor. Representatividade não se ganha — se conquista no voto.


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