sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

ITATIBA VOTA, MAS NÃO ELEGE


Com pouco mais de 80 mil eleitores, a cidade vive uma crise silenciosa. A cada quatro anos, o itatibense vai às urnas, participa, escolhe e vota, mas não elege ninguém que fale por nós. No sistema proporcional, nossos votos para os deputados estaduais e federais se perdem no oceano de milhões que formam o estado de São Paulo. O resultado é previsível: não conseguimos eleger representantes e seguimos sendo uma cidade sem voz em São Paulo ou Brasília. 

Os mais votados em Itatiba são, em geral, são os midiáticos, os que dispõem de campanhas milionárias, os que recebem o apoio de vereadores e ex-vereadores, e os que surfam na polarização entre direita e esquerda. A cada quatro anos, a cidade é invadida por um enxame de “paraquedistas”, candidatos sem vínculo com Itatiba que só aparecem em época de eleição. Para piorar, as eleições nacionais são usadas por políticos locais como um laboratório para medir sua popularidade e como palanque para consolidar o nome à próxima eleição municipal.

 O resultado dessa avalanche de candidatos foi cristalino nas eleições de 2022: os sete candidatos mais votados para federal em Itatiba somaram 25.047 votos — 42,47% dos válidos. Itatiba, efetivamente, não elegeu ninguém. O cenário fica desconfortável quando olhamos quem recebeu a confiança do itatibense:

  • Com 3.641 votos, uma deputada conhecida por suas trapalhadas e que protagonizou um vexame armado em plena campanha, hoje se encontra “hospedada” em um presídio na Itália.

  • Com 3.523 votos, um deputado que fez as malas, deixou o mandato e atravessou o continente em direção aos EUA. Hoje, vive como exilado voluntário para não encarar a Justiça brasileira.

  • Com 2.356 votos, um deputado e ex-ministro que confundiu política ambiental com negócios florestais. Responde no STF por contrabando de madeira.

  • 7.052 votos foi a votação de três aspirantes que nem o próprio partido conseguiu salvar. 

  • 8.475 votos. Esse foi o total do candidato mais votado — um filho da terra. Esses votos não ajudaram o partido e nem resultaram representatividade para Itatiba. Estão engavetados pela Justiça Eleitoral, sem definição — e, na prática, serviram somente para dar visibilidade ao candidato no período eleitoral.


Para a Assembleia Legislativa, o cenário foi semelhante. Os dois candidatos mais votados — ambos nativos da cidade — concentraram 41,35% dos votos válidos em Itatiba. Um desempenho expressivo, especialmente considerando que nenhum deles fez uma campanha relevante fora de Itatiba. Afinal, o objetivo não era uma cadeira na ALESP, mas medir forças e terreno para a eleição municipal de 2024. 

Itatiba vota, mas não elege. A pergunta é inevitável: como transformar voto em força política real? A resposta é simples: depende de quem colocamos lá. Em 2022, o eleitor itatibense apostou em candidatos que usam Itatiba como trampolim político e vitrine pessoal; votou na polarização, na simpatia, na fama digital e até em quem não sabe apontar Itatiba no mapa. Abrimos mão de representatividade, verba, de projetos e do nosso próprio futuro.

Falta, então, a pergunta principal: como transformar voto em representação — e essa, em resultados reais para Itatiba? A resposta existe, é simples e já está em debate no Congresso: o Voto Distrital Misto (VDM). Com ele, metade dos deputados seria eleita por distrito (regiões menores, como Itatiba e cidades próximas) e a outra metade por lista partidária, garantindo equilíbrio entre representação regional e força política dos partidos.

Nas eleições de 2026, não teremos o voto distrital, por isso, se queremos representação, temos que escolher melhor: com critério, com memória e com responsabilidade. O eleitor itatibense precisa pensar como o presidente Trump pensa nos EUA: em primeiro lugar, Itatiba. Depois, Itatiba. E, se sobrar tempo, novamente em Itatiba. 

No próximo artigo, falarei sobre o Voto Distrital Misto, a possível resposta que esperamos para a falta de representatividade de Itatiba.

Até lá!

Fabio Chrispim Marin

Consultor de Comunicação, Marketing Estratégico e Político

 

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