Na década de 1980, “eu ouvi falar qualquer coisa” que o então prefeito Roberto Lanhoso, adorava quando havia congestionamento nas entradas e saídas da cidade. Dizia que o progresso havia chegado a Itatiba. Tanto é que não alterou a mão dupla da Avenida 29 de Abril nem da Rua Luiz Scavone. Logo depois, veio Maurício Camargo, com menos poesia e mais pragmatismo, e transformou as duas vias em mão única. O trânsito flui maravilhosamente até hoje.
Em Itatiba, dirigir pelo centro é um exercício de paciência, resignação e, em alguns casos, fé. As quadras são curtas, herança comum das cidades do interior, pensadas para uma época em que o maior fluxo era de carroças — e, convenhamos, com muito mais civilidade no trânsito.
Hoje, a realidade é outra. A frota cresce diariamente; o espaço, não. E aqui cabe um raro momento de concordância com o poder público: não há muito o que fazer. Alargar ruas no centro não é opção. Reescrever o passado urbano também não. Ponto.
Atualmente, às margens do ribeirão Jacaré, a Prefeitura executa uma intervenção relevante. Trata-se de uma obra que, no futuro, pode, sim, contribuir para aliviar o trânsito naquela região. Até aqui, tudo certo. Planejamento, execução e perspectiva de melhoria: três palavras que raramente andam juntas, mas que, neste caso, até ensaiam uma convivência.
Ensaiam, pois problema não está na obra, e sim: está no caminho até ela. Ou melhor: na completa ausência de caminhos claros para quem tenta passar por ali.
Motoristas, especialmente aqueles que não são de Itatiba, entram em um verdadeiro jogo de caça ao tesouro, sem mapa e com pistas falsas. Há placas que indicam acesso a rodovias que, na prática, levam diretamente a uma ponte sobre o Jacaré… que ainda não existe, pois está em construção. Um conceito ousado de mobilidade: você chega, mas não passa.
Faltam rotas alternativas, avisos antecipados e indicações nos cruzamentos. Falta, sobretudo, o básico: alguém pensar como motorista antes de agir como gestor. Enfim, falta boa vontade e empatia.
O que se vê hoje não é apenas desorganização. É algo mais sofisticado: uma combinação de descuido com uma certa arrogância institucional: aqui, quem manda somos nós!
Esquecem os gestores que nossa cidade não é um clube fechado.
Ela recebe visitantes, prestadores de serviço, entregadores, turistas e pessoas que simplesmente não nasceram com um GPS emocional instalado. — pessoas que não deveriam ser submetidas a um rally urbano improvisado repleto de obstáculos, desvios invisíveis e finais inesperados.
Gestão de trânsito exige exige empatia para entender que, do outro lado do volante, está um cidadão tentando chegar ao seu destino e, na maioria das vezes, com horários para cumprir. Empatia para perceber que uma placa mal colocada não é um detalhe técnico, mas uma decisão que pode impactar diretamente o dia de alguém.
Quando a Prefeitura não sinaliza, ela comunica, literalmente, que a cidade é desorganizada e sem direção.
Olhando para o cenário atual, fica claro que Itatiba continua fiel aos conceitos de Lanhoso. Se antes o congestionamento era tratado como sinal de progresso…hoje Itatiba mostra que evoluiu. Não é mais trânsito que para a cidade…
É a própria gestão municipal que insiste em não evoluir.
É a modernização do caos.
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