Nas próximas eleições para a Câmara Federal, alguns partidos enfrentarão perdas pontuais; outros, perdas estruturais. Entre estes, o Partido Liberal (PL) desponta como um dos mais impactados. Em 2022, sua votação foi impulsionada por um fenômeno específico: o efeito Bolsonaro. O mandato de Jair Bolsonaro alavancou e deu visibilidade a diversos candidatos que surfaram na onda da direita, garantindo ao partido um desempenho excepcional nas urnas. Somente no voto de legenda, o PL somou 209.664 votos, um número expressivo e atípico, associado diretamente à forte polarização daquele pleito. O problema é que esse cenário dificilmente se repetirá em 2026 nos mesmos termos.
Votos que não estarão mais em disputa:
As duas maiores votações do PL em São Paulo simplesmente não estarão mais no jogo, e uma terceira está fora dos holofotes midiáticos:
Carla Zambelli, com 946.244 votos, renunciou ao cargo e está presa em uma penitenciária na Itália.
Eduardo Bolsonaro, com 741.701 votos, teve o seu mandato cassado por ausência reiterada e atualmente mora nos EUA.
Ricardo Salles, com 640.918 votos. À época, seu desempenho esteve fortemente associado ao cargo de ministro do Meio Ambiente e à presença constante na agenda política de Jair Bolsonaro. Fora do ministério e distante do centro do debate público, é improvável que repita o mesmo desempenho.
Somados os votos desses três candidatos e os da legenda, o PL alcançou 2.538.527 votos, o que representou 47,5% da votação total do partido em São Paulo (5.343.667 votos). Esses votos foram suficientes para eleger 7 deputados federais das 17 vagas conquistadas pelo partido em São Paulo.
A ausência de Eduardo Bolsonaro e seu efeito dominó
A perda do mandato de Eduardo Bolsonaro não gerou impacto apenas na disputa pela Câmara Federal. Ela também o impediu de disputar o Senado por São Paulo, onde, caso fosse candidato, teria grande chance e com expressiva votação. Uma candidatura majoritária desse porte permitiria alavancar a votação de candidatos a deputados federais e estaduais. Sua candidatura seria um grande indutor de votos para o partido em diversas regiões do estado. Esse efeito colateral aprofunda ainda mais o desafio do PL: esses votos não migram automaticamente. Parte se dispersa, parte se anula e parte deixa de comparecer às urnas com o mesmo grau de engajamento. O fato é incontornável: o PL perdeu um dos seus principais puxadores de votos.
Sem candidaturas fortes ao Congresso, o PL arrisca chegar às eleições de 2026 excessivamente fragmentado, dependente das disputas locais e do capital político individual de seus candidatos. Nesse cenário, ganham relevância duas possibilidades no campo presidencial: uma eventual candidatura pelo PL do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Qualquer uma dessas opções poderia cumprir um papel estratégico fundamental: reorganizar o voto ideológico, reduzir a dispersão do eleitorado bolsonarista e reconstruir um eixo nacional de mobilização, mesmo que em patamar diferente do observado em 2022.
Um teste de maturidade política — e um recado a Itatiba
As eleições de 2026 serão, para o PL, um teste de maturidade eleitoral. O partido precisará provar se construiu uma base sólida ou foi um veículo circunstancial de um momento político específico. Esse desafio reflete-se também nos diretórios municipais. Em Itatiba, espera-se que o PL local compreenda que polarização sem representatividade não gera resultado duradouro. Apostar em nomes sem vínculo real com a cidade, ignorando lideranças regionais e a pauta da representatividade — já tratada neste espaço — é repetir erros que custam caro e não trazem emendas e nem benefícios à nossa cidade.
Mais do que surfar ondas nacionais, Itatiba precisa de representantes com voto, presença e compromisso com a cidade. A eleição mostrará quem tem base própria — e quem apenas tenta herdar votos que não lhe pertencem. E essa conta, como sempre, não fecha no discurso. Fecha na urna.

Bom dia Fábio. Muito interessante a sua reflexão. Isso serve também para os partidos de esquerda, não sendo possivel ter candidaturas próprias de pessoas da cidade, acredito que os partidos devem priorizar candidaturas regionais. Uma pena que talvez Itatiba não tenha nenhum candidato/a a deputados na eleição deste ano
ResponderExcluirA maior questão é, quantos acreditarão nas "narrativas" e no "silêncio" imposto.
ResponderExcluirParticularmente creio que a indignação será o diferencial para a "direita"...
Se você não se expõe, não significa que endosse o que ocorre a olhos vistos.
Somente a imbecilidade poderá intervir.
Ou o caça níquel "viciado"...
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