domingo, 27 de maio de 2012

Eleições já ganhas...e perdidas na véspera

Festa antecipada de uma  possível vitória. Campanha de  1963 - PSP - PTB - Itatiba



Todos podem ver as táticas de minhas conquistas,
mas ninguém consegue discernir as estratégias
que gerou as vitórias"      Sun Tzu                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                
Os últimos dias são os mais importantes de uma campanha política. Na reta final muita coisa pode acontecer e decidir uma eleição. Um deslize, a falta de incentivo aos correligionários, uma festa antecipada da vitória, a arrogância, o “salto alto” e o excesso de confiança. Também a interpretação errada das pesquisas eleitorais pode ser fatal. Elas precisam ser feitas com critérios técnicos e por institutos confiáveis. Precisam ser estudadas e analisadas nos seus inúmeros cruzamentos de dados. A consulta é um retrato do momento e mostra os caminhos.
Aqui em Itatiba, nas últimas cinco décadas, tivemos várias eleições decididas nos dias anteriores ao da votação. Vamos relembrar algumas delas:

1963 - Erasmo Chrispim (PTN) disputou seu terceiro mandato contra Dr. Afrânio Pires da Silveira (PSP- PTB). Até os últimos dias, Dr. Afrânio liderava as enquetes. E tudo levava a crer que ganharia facilmente. Houve até uma festa com rojões em punho para comemorar a possível grande vitória. Mas, aconteceu um deslize. No último comício de Erasmo na Praça da Bandeira – o comício era o grande evento das eleições naquela época -, correligionários do PSP desceram do outro lado da praça fazendo algazarra para atrapalhar. O fato deu a vitória a Erasmo Chrispim, que obteve 3.416 votos, contra 3.103 do Dr. Afrânio.

1968 – Essa foi a primeira das grandes disputas de Roberto Lanhoso (Arena 1) e Maurício de Camargo (Arena 2). Pedro Mascagni (Arena 3) também disputou essa eleição. Lanhoso venceu com 4.267 votos contra, 4.175 de Mauricio, uma diferença de apenas 92 votos. Mascagni teve 704 votos. Tudo leva a crer que Lanhoso ganhou na reta final.

1972 – A disputa foi entre Giácomo Rela (Arena 1) e Maurício Camargo (Arena 2) e a primeira eleição com estudantes da faculdade votando em Itatiba. O pleito foi disputadíssimo, voto a voto, urna a urna. Na contagem das últimas urnas, o ambiente estava muito tenso na antiga sede do Itatiba Esporte Clube, no Jardim da Cadeia. O juiz eleitoral precisou pedir a evacuação do recinto para fazer a contagem de portas fechadas. Giácomo venceu com 6.034 votos contra 5.964 de Maurício, apenas 70 votos de diferença.

2004 – Cinco candidatos disputaram as eleições: José Roberto Fumach (PMDB), que buscava sua reeleição, Marina Bredariol (PPS), Adilson Franco Penteado (PTB), João Fattori (PSDB) e Elaine Aparecida Rodrigues (PT). Fumach, com 13.685 votos, superou Marina, com 12.873 votos. A vantagem foi de apenas 1,75% dos votos válidos. Fumach venceu na divisão de votos e conseguiu se manter na liderança até os últimos momentos.

2008- João Fattori (PSDB), com 24.564 votos, venceu Marina Bredariol (PPS), que recebera 19.925. A diferença, nesse caso, foi significativa e marcante, de 4.639 votos. Também concorreram nessa eleição o Dr. João Batista Chaves (PMDB), candidato apoiado por Fumach, e Antonio J. Souza (PMN). Apesar da margem mais elevada, essa eleição foi decidida na reta final. Marina liderava as pesquisas desde junho, mas a perdeu no início de outubro. Há varias versões para explicar o resultado final dessa eleição. Teoricamente, Marina perdeu na sua estratégia de marketing eleitoral. Fattori venceu pelo seu marketing político mais apropriado.

Dessas cinco eleições, acompanhei as três últimas. As duas primeiras pesquisei e ouvi alguns de seus personagens. Pode haver controvérsias, sei que serei contestado. Comente e dê a sua opinião ou versão sobre esses episódios da nossa história eleitoral.
Este artigo foi publicado no Jornal de Itatiba Diário em 27/05/2012

domingo, 22 de janeiro de 2012

Bodas e Bodes de Cobra Coral

Os “Demônios Acadêmicos da Benjamin” apresenta neste carnaval o tema “DEMÔNIOS 35 ANOS – BODAS E BODES DE COBRA CORAL”.

São 35 anos de história, conquistando a simpatia e fidelizando a família itatibense com o seu carnaval na Praça da Bandeira.

O bloco, como todos sabem, é “VAI QUEM QUER”, não precisando de inscrição ou taxas para desfilar no cordão. Basta fazer sua fantasia, trazer bastante alegria, irreverência e a vontade de brincar o carnaval na rua.

Há muitos anos desfilamos com os mesmos carros e a velha e empacotada verba, sobrevivendo à nova cobrança – taxa extra – para renovação dos carros. Esta cobrança é inoportuna e politicamente incorreta. Todos os anos reciclamos os carros no mais puro sentido da sustentabilidade.

Os carros tradicionais são os mesmos: Carro do Diabão, Carro do Tacho e o Carro do “Diabo Mor” – apelidado de “Carro do Zenildo”, mas sempre com idéias inovadoras e apimentadas. Os temas, reconhecemos, são delicados e alguns impublicáveis.

Independentemente da cobrança, o humor, a sátira e a irreverência são renovados todos os anos.

Somos brindados por algumas atitudes e fatos que surgem, inesperadamente, que precisamos convocar reuniões extraordinárias para a definição da pauta. Por serem inesperados e novos, despertam a curiosidade e instabilidade, tanto que muitas vezes são mal interpretados. Mal interpretados pelas charges.

Mas, grande charge mesmo é o desfile do bloco. Uma grande charge da política e do cotidiano de Itatiba, do Brasil e de alguns fatos globalizados.

As milhares de pessoas que todos os anos nos acompanham na Praça da Bandeira, esperam ansiosas nossas leituras dos fatos e boatos.

É comum também, após os desfiles, os balidos de insatisfação e também de exaltação, sendo que muitas vezes passamos por “bodes expiatórios”.



Não fazemos desfeitas. Aceitamos com gratidão todos os títulos que nos dão e reconhecemos o valor daqueles que também os recebem. E, quando o tema é titulo os “Demônios da Benjamin” são solidários.

Já conferimos o título de “Cidadão Demoníaco” a um itatibense de devoção, que teve o seu nome injustamente recusado.

Todo ano surgem novos blocos que como os “Demônios da Benjamin” vêem brincar o carnaval na sua essência. É gratificante vê-los inspirados no ideal e na filosofia do nosso bloco (epa... Demônios filosófico?), participando ativamente e fazendo suas criticas. Irônicas mas, não ofensivas. Simplesmente brincam o carnaval.

A ala da “velha da guarda”, abrindo o desfile é um velho sonho e começou a ser planejada no 15º aniversário do bloco. Quem sabe agora no 35º aniversário ela sai. Mas, não temos pressa, a maior parte da diretoria são cinquentões. Alguns precoces já são avós e desfilam com as três gerações todos os anos. Prova que o bloco é o mais familiar de Itatiba.

Temas? Os temos aos montes, afinal de contas é um ano político, fato que muito ajuda. Foram propiciadas algumas e tantas rasteiras, chineladas, deserções e atitudes de “artilharia antipolitical” que o tema poderia ser estritamente político, mas não o será.

Pretendemos também fazer uma homenagem ao desenho animado, com a possível presença dos “Padrinhos Mágicos” com as suas varinhas de “cordão” e não de condão.

Personagens? – nem me falem. São vários e tantos já com as fantasias prontas que não dá nem pra contar sem uma lista de presença. Poucos, como o Messias e o Sérgio, desfilam com a mesma fantasia há 35 anos.

E, quem não tem fantasia, basta improvisar. Arrume uma máscara e você vira um monstro. Use um velho lençol que você vira fantasma – não pode faltar no desfile que na quarta feira você tem que entrar na fila do RH; passe óleo de peroba e “guenta a mão” de cara limpa ou “disfarça bem que a turma não reconhece”. Só não pode alegar ignorância ou abster-se de desfilar.

Quem nunca desfilou, venha experimentar a sensação de ganhar a Praça com os “Demônios da Benjamin”. Você já desfila? Então venha comemorar com a gente o 35º aniversário.

Traga seus amigos, convide toda a família.

O desfile é no dia 17 de fevereiro na Praça da Bandeira.

“A festa é nossa” e “A praça é do povo”.

Artigo publicado no Jornal de Itatiba Diário em 22/01/2012 - Coluna Opiniões

domingo, 18 de dezembro de 2011

Grande Glicério. O novo corredor de compras de Itatiba

A Glicério esta crescendo. Expandiu. Não se limita mais da Marechal Deodoro à Praça da Bandeira. E continua imponente. Charmosa. Poderosa.
Imponente pelas suas grandes lojas e bancos. Charmosa por suas vitrines. Poderosa por seus comerciantes que a defendem com furor e paixão. Não querem que a toquem, sem o seu consentimento. Mesmo com a descentralização dos bancos e dos novos centros comerciais na cidade ela continua forte. A diversidade de lojas, produtos e serviços é a sua marca.

Com mais de 134 anos, inicialmente como Rua Direita (a direita da igreja). Em 1889 passou a ser denominada Francisco Glicério, uma homenagem da Câmara Municipal para os republicanos que prestaram serviços pela proclamação da República.

Hoje, a Glicério é uma grande extensão comercial. Inicia-se na Maria de Lourdes Abreu, sobe toda Glicério, passa pela Praça da Bandeira, Jorge Tibiriçá, Barão de Itapema e termina na Santa Casa. Neste grande corredor de compras e lazer, a Glicério tem âncoras que poucos centros comercias possuem: 3 supermercados, 5 bancos, 3 lojas de departamento, o Itatiba Shopping com 2 salas de cinema, o novo Pabreu Mall e o Galeria Mall em expansão, mais uma infinidade de lojas, drogarias, bares , restaurantes e várias franquias de renome.

Com a revitalização da Jorge Tibiriçá, e agora também com a Glicério, surge uma grande área de turismo, lazer e compras. Além de toda diversidade comercial, temos, em todo o seu entorno, as duas principais igrejas da cidade, museu, duas belíssimas praças, (que precisam de uma maquiagem), e o centro histórico.

Um passeio pela Jorge Tibiriçá mostra o que o consumidor e os lojistas vão ganhar com a revitalização da Glicério. Com a calçada mais larga o passeio é mais descontraído e menos cansativo e possibilita uma maior interação com a grande mídia do varejo: a vitrine.

Existem algumas resistências com a revitalização da Glicério, o que é normal, compreensivo e histórico. Um fato interessante, extraído do texto - “Ruas & Praças”, Coluna De Relance de Evaristo Silva, publicada no jornal "A Tribuna", de 14 de agosto de 1960 - nº 741. "... Havia aqui um proprietário de chalé de loterias que não ia muito com a cara dos republicanos e que mantinha anúncios nos jornais locais. Este chalé ficava na rua Francisco Glicério, esquina da rua Camilo Pires. O seu proprietário era português e monarquista. A rua Glicério, antes da República, tinha a denominação de rua Direita. O dono do chalé, no seu anúncio, usava o endereço de rua Direita, para não sair na sua propaganda o nome do grande republicano que foi Glicério, o qual freqüentava a nossa terra, onde residia outro chefe republicano que era o seu irmão Cel. Júlio César...".

Artigo publicado no Jornal de Itatiba - Diário em 18/11/2011 - Coluna Opiniões

domingo, 24 de abril de 2011

Novidades da reforma política, mas somente para 2014

Os senadores que compõem a Comissão Especial de Reforma Política do Senado aprovaram várias mudanças para as próximas eleições. Como os temas são polêmicos e precisam passar pela Comissão de Justiça e Redação e, posteriormente, para aprovação no plenário, as novas regras poderão valer somente a partir de 2014. Portanto, as eleições de 2012 para prefeito e vereadores irão continuar no sistema atual. A principal mudança proposta pela reforma é nas eleições proporcionais, que elegem os vereadores e deputados, com a adoção do sistema proporcional com lista fechada. Um modelo que existe em países como Portugal, Espanha e Argentina.

O sistema atual é o proporcional em lista aberta. O eleitor pode votar no partido ou escolher um candidato de sua preferência. O partido elege um número de vereadores proporcional ao total dos votos de todos os seus candidatos. Uma vez definido esse número, são escolhidos os mais votados. Nesse sistema ocorrem algumas injustiças, como os candidatos com pouca votação serem eleitos, puxados por outros muito bem votados de seu partido. Nas últimas eleições para deputados, tivemos vários casos como o Dr. Enéas, o Clodovil e, recentemente, o Tiririca.

Aqui em Itatiba, esta situação é rara porque são poucos os que conseguem obter uma votação expressiva para puxar mais um ou dois outros vereadores. A única mudança já prevista para 2012 será o aumento do número de vereadores de nossa Câmara Municipal, que passará de 10 para 17. Ainda serão eleitos pelo atual sistema de proporcionalidade, com lista aberta.

Com a mudança proposta pela comissão do Senado, de criação do sistema proporcional em lista fechada, o eleitor vai votar somente no partido. Caberá à legenda apresentar uma lista fechada de seus candidatos aos cargos de vereador e de deputado, previamente ordenada. Essa lista, com a ordem dos candidatos, deverá ser definida na convenção partidária. A quantidade de cadeiras será proporcional à votação que o partido obtiver. Vou exemplificar: temos em média 55.000 votos válidos; se Itatiba tiver 17 vereadores na Câmara, o quociente eleitoral será de 3.230 votos. Isso significa que, para eleger um único vereador de sua lista, o partido terá de garantir um total de 3.230 votos, na soma dos resultados de todos os seus candidatos.

Esse sistema vai exigir uma mudança significativa do comportamento da direção dos partidos em relação aos seus filiados. Principalmente, terá de haver muita transparência, para evitar que “ditaduras partidárias” imponham as suas próprias regras. Os novos postulantes deverão enfrentar veteranos e alguns poderosos que, com prestígio e poder financeiro, poderão se achar no direito de encabeçar as listas partidárias. Pode haver também, no início dessa mudança, uma grande inibição e/ou desmotivação de novas lideranças em participar da disputa.

O grande desafio dos partidos será: como engajar 17 candidatos em uma eleição, sabendo-se que a maioria não vai ser eleita e que o esforço conjunto da campanha recompensará apenas uns poucos pré-determinados? Os partidos mais democráticos e abertos aos seus filiados sairão na frente, pois este novo modelo impõe uma abertura ao diálogo e um programa de governo voltado às causas e aos interesses da comunidade. Outro fator importante, no caso das disputas para deputado estadual e deputado federal, é a imagem do partido na comunidade e o engajamento dos seus candidatos com as reivindicações da cidade. Nesse quesito, quase todos os partidos estão devendo muito a Itatiba. Mas, ainda há tempo para reverterem essa situação. Temos seis anos pela frente.

Na tramitação da reforma política, também foi aprovado o fim das coligações, ou seja, todos os partidos devem disputar a eleição com “chapa pura”, sem a combinação de esforços com outras legendas. Outra mudança significativa: metade dos candidatos das chapas partidárias deverá ser mulher. Trata-se de um aumento considerável, pois hoje é obrigatório 30% dos candidatos serem do sexo feminino.

Uma proposta polêmica nessa discussão no Senado é o financiamento público exclusivo de campanha. Isso quer dizer que toda campanha será custeada pelo dinheiro do contribuinte. A proposta também impõe um teto para os gastos da campanha. Segundo alguns defensores da proposta, essa mudança visa criar uma disputa mais igualitária e evitar a corrupção. Não estou bem certo....

Outros temas já foram debatidos exaustivamente: fidelidade partidária, voto obrigatório, e mudança na data de posse dos prefeitos e do presidente da República, que passariam de 1º de janeiro para os dias 10 e 15 de janeiro, respectivamente. O mandato para ambos os cargos seria de cinco anos, sem direito à reeleição.

Há uma corrente que defende que as mudanças devam passar por um referendo popular. O eleitor tem de ficar atento, cobrar uma posição de seus deputados e de seu partido e exigir que se cumpra a Lei da Ficha Limpa, a nova legislação que impede a candidatura de pessoas condenadas pela Justiça. Essa, sim, seguramente é uma lei que vai provocar as mudanças que o povo precisa.

Artigo publicado no Jornal de Itatiba-diário em 24/04/2011

domingo, 17 de outubro de 2010

Eleição 2012 – Já estamos em plena campanha

A eleição de deputados federais e estaduais apoiados por líderes itatibenses, em 3 de outubro, traçou um claro o cenário para a campanha municipal de 2012, quando o eleitor escolherá o seu prefeito e os seus vereadores. Os resultados das urnas fortaleceram o prefeito João Fattori e apontaram seus três prováveis concorrentes na campanha de reeleição para o período de 2013 a 2017.
O PSDB do Prefeito João Fattori foi o grande vencedor em 2010. Contribuiu para eleger o jundiaiense Luis Fernando e mais três outros deputados federais com os votos dos itatibenses: Vaz de Lima, Carlos Sampaio e José Aníbal. Os tucanos conquistaram 19,25% dos votos para a Câmara dos Deputados aqui em Itatiba, a maior parcela entre todos os partidos. Elegeram ainda para a Assembléia Legislativa do Estado Ari Fossem, de Jundiaí, e Célia Leão, de Campinas. O resultado nos faz torcer para que, com os 4.623 votos de Itatiba, a deputada Célia Leão se disponha a atuar em benefício de nossa cidade nesse seu sexto mandato na Assembléia.
O Partido Verde foi o segundo colocado na votação dos itatibenses, com 17,82%. O partido saiu fortalecido pela votação conquistada por Chico Santa Rita, 11,66% dos votos, e elegeu Roberto Santiago, de Piracaia, com o apoio de algumas lideranças locais da legenda. O PV também elegeu dois deputados estaduais, Feliciano e Rita Passos, e ganhou prestígio com a ascensão de Marina Silva na reta final da campanha presidencial.
O DEM mostrou-se dividido em três alas na campanha eleitoral: Penteado, Bando e Monte, com cada um apoiando uma candidatura diferente. Apesar da falta de consenso, o partido elegeu para a Câmara dos Deputados Guilherme Campos (Penteado) e Rodrigo Garcia (Bando) e conquistou a fatia de 12,5% dos votos. Há uma corrente na cidade que aposta em Vitório Bando como pré-candidato à Prefeitura nas eleições de 2012. Mas existe a possibilidade de Roberto Penteado, aliado de confiança do prefeito, atropelar o PV para compor com o PSDB e conquistar a vaga de vice na campanha de reeleição de João Fattori. Flávio Monte segue os preceitos do pai.
O PMDB, que historicamente pouco se mobilizava em Itatiba em uma campanha para Deputados, neste ano apoiou a candidatura da Dra. Adriana, de Valinhos para deputada estadual. A candidata não obteve uma boa votação em Itatiba nem foi eleita. Mas, o partido tem grande história e relacionamentos na cidade. Virá certamente forte e organizado em 2012.
O PPS de Húngaro e de Marina mostrou-se nas eleições deste ano sem a imensa dose de entusiasmo de 2006. Mas, mesmo assim, contribuiu para eleger os seus principais candidatos, Arnaldo Jardim (federal) e Davi Zaia (estadual) , que nunca ajudaram Itatiba, e também para federal o ex-prefeito de Indaiatuba José Onério. O partido continua estruturado e com força para 2012. A dupla Húngaro-Marina sabe fazer campanha política na cidade.
No PSB, Chinelo mais uma vez não emplacou. Mas ele vota e é presidente do diretório de Araçatuba, portanto esta fora da disputa em Itatiba. Diferente de David Bueno, com seus 34,3 % dos votos para deputado estadual, já se coloca como adversário de Fattori em 2012. Com os votos de Itatiba, ajudou a eleger seu parceiro de dobradinha, o campineiro Jonas Donizete, para a Câmara dos Deputados. David mostrou garra, entusiasmo e carisma na campanha.
A família Carbonari e o PTB se saíram muito bem das eleições. Com esse apoio, o senador Tuma conquistou 24,8% dos votos na cidade, e Campos Machado foi eleito deputado estadual. Há tempos, eles sonham com a Prefeitura de Itatiba. Estarão, com certeza, no páreo em 2012.
Na última hora, Adilson Rossi, do PSC, surgiu como opção genuinamente de Itatiba para a Assembléia Legislativa. O candidato optou por uma campanha simples, na qual seu pai, o pastor Waldemar Rossi, fez um tradicional corpo-a-corpo com os eleitores. Adilson conquistou 695 votos entre os itatibenses e tornou-se o nosso único representante da cidade na Assembléia.
Com o apoio dos líderes locais, 17 representantes da região, principalmente de Campinas e de Jundiaí, foram eleitos para a Câmara dos Deputados e a Assembléia Legislativa com votos dos itatibenses. Todos os itatibenses esperam que estas lideranças e o prefeito João Fattori se mobilizem para cobrar destinação de recursos necessários para a cidade e para atrair investimentos para Itatiba. Temos ainda muitas áreas carentes, que dependem dos governos federal e estadual.
A disputa para 2012 já está sendo planejada na Siqueira de Moraes. A Prefeitura está licitando para contratar uma agência de publicidade, no valor de R$ 2,6 milhões, para cuidar de sua comunicação. Em breve, a cidade receberá a retransmissão de uma rede de televisão, com parte da programação gerada possivelmente pela Prefeitura de Itatiba. Sem dúvidas, já estamos em plena campanha.
Para terminar, uma questão que merece ser refletida: O PPS é forte aliado do PSDB em São Paulo. Será que esta aliança vai se repetir em Itatiba?

Artigo publicado no Jornal de Itatiba-Diário em 17/10/2010 pg B6

domingo, 17 de janeiro de 2010

Eleições 2012 - Mudança ou continuidade?

Ano após ano o processo eleitoral tem exigido dos candidatos um planejamento mais refinado e a longo prazo. Parece que foi ontem que tivemos eleições aqui em Itatiba, mas em outubro de 2012 teremos um novo pleito para prefeito e vereadores na nossa cidade.
Teremos muitas novidades para as próximas eleições. As redes sociais da internet como o Twitter, Facebook, Orkut e blogs, serão ferramentas importantes no processo eleitoral, sendo que o uso de sites para veiculação de propaganda e arrecadação de doações foi liberado.
A mídia televisiva local poderá transmitir as propagandas políticas e debates dos partidos e candidatos, além de mais um novo jornal diário. Estas novas mídias vão inserir, nesse debate político, novas gerações de eleitores, não impactados pela propaganda nas eleições anteriores.
2012 promete ficar marcado na história das disputas eleitorais de Itatiba. Outra mudança significativa será no Legislativo com o aumento do número de vereadores – possivelmente de 10 para 17.
Analisando o resultado das disputas eleitorais passadas, entendemos que a história nos mostra um fator importantíssimo no planejamento de uma eleição.
Desde a primeira eleição para prefeito, em 1947, até a última, em 2008, ocorreu, em minha opinião, apenas uma mudança no perfil do prefeito. Na maioria das eleições houve uma continuidade relativa. Quando algum prefeito não era totalmente aprovado, elegia-se o anterior, ou alguém com mais experiência. Vamos recordar um pouco desses momentos:

- 1947: No ano das primeiras eleições depois da ditadura Vargas, Itatiba elegeu Erasmo Chrispim (PTN), que já tinha governado a cidade em dois períodos, entre 1935 e 1938. Venceu Domingos Pretti (UDN) e Benedito da Silveira Franco (PSP), que governou até o final de 1951.

- 1951: Os vereadores eleitos pelo PTN passaram a fazer parte do PTB que elegeu Ettore Consoline. Ele disputou a eleição contra Benedito Gonçalves Dutra (UDN-PSP) e governou até 1955. Nesse período tivemos dois acontecimentos marcantes na cidade: a desativação da Estrada de Ferro Itatibense, em agosto de 1952, e a epidemia de febre tifóide, em 1954.

- 1955: Erasmo Chrispim (PTN) volta e vence novamente uma eleição. Derrota o candidato apoiado por Ettore Consoline, o seu vice Pedro Mascagni (PTB-PSP). Também disputou esta eleição o jornalista Romildo Prado (UDN).

- 1959: Itatiba vota na experiência. Pedro Mascagni (PTB), vereador de 1947 a 1951 e vice-prefeito de 1952 a 1955, vence a eleição. Disputou com o Dr. Carlos Almeida Pitombo (PSP) que, apesar de conceituado médico radicado em Itatiba, era novato na política. Também disputou esta eleição o professor Luiz Pântano (PTB), vereador entre os anos de 1952 e 1955. Neste período, Mascagni enfrentou sérios problemas políticos. Um dos episódios mais duros e, talvez, a sua maior derrota foi a famosa Lei dos Meios. Durante a campanha eleitoral, o candidato a prefeito proclamava que “... não haverá aumento de impostos durante quatro anos, isto tanto para a cidade como para a zona rural”. Um dos seus primeiros atos, após a vitória, foi reajustar o IPTU. Houve mobilização popular e a Câmara Municipal baixou em 50% o valor do reajuste (metade – Lei dos Meios).

- 1963: Itatiba elegeu novamente Erasmo com o seu PTN, derrotando o ex- vereador Dr. Afrânio Pires da Silveira (PSP-PTB). O vice da chapa de Chrispim era José Maurício de Camargo. Neste período, houve uma prorrogação nos mandatos e o governo foi até o final de 1968. Maurício era para ser o candidato natural à sucessão, porém, um desentendimento político com o prefeito fez este apoiar na eleição seguinte o engenheiro Roberto Arantes Lanhoso, vereador pela ARENA.

- 1968: Roberto Arantes Lanhoso vence José Maurício de Camargo e Pedro Mascagni, todos da ARENA, que se subdividira em legendas. Lanhoso governou até 1972, impondo um novo ritmo na Administração Municipal, sendo beneficiado na época pelo “Milagre Econômico Brasileiro”.

- 1972: Giácomo Rela (ARENA), vice de Lanhoso, também derrota José Maurício de Camargo (ARENA). Giácomo governa até 1976 e faz também o seu sucessor.

- 1976: Roberto Lanhoso volta a disputar uma eleição. É eleito e governa até 1982, sendo que neste período também houve prorrogação dos mandatos. A ARENA sai com três candidatos: Lanhoso, Olivar José da Silva (“Vazinho”) e Roque Faccina. O MDB também com 3 candidatos: Orlando Mônaco Filho, Antonio Carbonari Neto e Belmiro Fernandes da Costa. Eleito na chapa de Roberto Lanhoso, o vice – Sebastião Mantovani – assume a Prefeitura por 60 dias.

- 1982: Nesta eleição houve – o que eu considero – a primeira mudança na política itatibense. Ocorreu também neste ano uma grande mudança no cenário político nacional com a vitória do MDB em 9 Estados. Foi a eleição que tivemos o maior número de candidatos: 9 ao todo. O PMDB disputa as eleições com: José Maurício Camargo, Rubens Pântano Filho e Eduardo Fausto de Andrade. O PDS (antiga ARENA) com José Wilson Capeletto, Professor Luiz Pântano e Sebastião Mantovani. O PT com o Dr. Ariovaldo Hauck da Silva e o PTB com Roberto Leoni e José Miguel Lourenço. Maurício vence e, apesar de fazer uma ótima administração, enfrentou sérios problemas políticos que culminaram com a sua cassação. No meio do mandato conseguiu suspender a cassação e voltou a governar até o final de 1988. Foi substituído nesse período pelo seu vice, José Benedito Franco Penteado – “Tico”.

- 1988: Mesmo com problemas de saúde, Roberto Lanhoso foi eleito pela terceira vez. Disputou a eleição com José Roberto Fumach (PMDB), Rubens Pântano Filho (PT), Orlando Mônaco Filho (PSB) e Aloysio Vieira Sanfins Boava (PDT). Governou de 1989 a 1992. O vice, Manoel Roberto Massaretti, assumiu a Prefeitura nos períodos de licença médica do prefeito Lanhoso.

- 1992: Itatiba elege o ex-vereador José Roberto Fumach (PMDB) pela primeira vez. Nesta eleição, seu principal adversário foi Tutomu Sassaka (PL). Também concorreram Eunice de Lourdes M. M. de Camargo (PSD), esposa do ex-prefeito José Maurício de Camargo, e o Dr. Ariovaldo Hauck da Silva (PT).

- 1996: Fumachi faz o seu sucessor. Nas eleições de 1996, também apoiado pelo PPB e pelo PSDB, as urnas dão a vitória ao ex-vereador Adilson Franco Penteado (PMDB). Disputou contra Francisco de Assis Franco Penteado (PFL), Tutomu Sassaka (PL), Roberto Delphino Júnior (PSD) e Maria Aparecida Laurindo Jimenez (PT). Depois de eleito como “Carequinha”, recusa o apelido. Poderia ter disputado a reeleição, autorizada naquela época pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas declina dessa prerrogativa. Governou até 2000.

- 2000: José Roberto Fumach (PMDB), apoiado por uma coligação com mais 4 partidos (PSDB, PPB, PFL, PV), vence a sua única adversária nessa eleição, Marina Bredariol Almeida (PPS), coligada com PSB, PDT e PSD.

- 2004: José Roberto Fumach (PMDB) é o primeiro prefeito reeleito pelo voto popular na história de Itatiba. Vence com uma coligação de 7 partidos (PMDB, PP, PFL, PDT, PSDC, PHS e PV) aos candidatos: Marina Bredariol Almeida (PPS, PTC, PRTB, PTN, PSL, PSC), Adilson Franco Penteado (PTB) coligado ao PL e PSB, João Gualberto Fattori – PSDB e Elaine Rodrigues do PT, que teve sua candidatura impugnada.

- 2008: A eleição parecia estar definida antes mesmo da disputa. Marina Bredariol Almeida (PPS), com uma forte coligação de 13 partidos (PHS, PT, PSB, PSC, PP, PR, PRP, PTB, PDT, PRTB, PSDC, PRB), disputa contra o Dr. João Batista Chaves (PMDB) com chapa pura e com João Gualberto Fattori (PSDB), coligado com o PV, PSL e DEM. O PMN disputou com Antonio José de Souza. Marina saiu na frente e, segundo suas pesquisas, tinha 56,3% das intenções de voto. Dr. Chaves sem grandes apoios não emplacou. O eleitor não queria mudança. Elegeu João Fattori, do PSDB.

Este pequeno resumo histórico mostra algumas características do eleitor itatibense.

1 - Ele não gosta de grandes mudanças, precisa de bons motivos para mudar;
2 - Prefere um candidato experiente;
3 - Dá valor para a fidelidade partidária - elegeu três candidatos, por três vezes cada um, que sempre disputaram pelo mesmo partido: Erasmo Chrispim pelo PTN, Roberto Arantes Lanhoso pela ARENA/PDS e José Roberto Fumach pelo PMDB;
4 - Não gosta das turbulências políticas e administrativas;
5 - Avalia a administração;
6 - É bairrista e tradicionalista;
7 - Considera que o prestígio é pessoal e intransferível.

Mas, como disse no início deste artigo, teremos mudança na comunicação política, o que pode alterar algumas destas características.
Tenho uma única certeza: “A administração do PSDB itatibense é que vai dizer se a eleição de 2012 será de continuidade ou de mudança!”.